Mariana (MG), 19 de julho de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
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Após uma década de homenagens, Laura Catarina encerra tributo ao pai, Vander Lee

A artista planeja finalizar o ciclo em 2026 para focar totalmente em seu novo trabalho autoral, o álbum "Virei Areia", com lançamento marcado para o início de 2027

Laura Catarina, vestida de rosa posa para foto com fundo em Ouro Preto

Em entrevista, Laura Catarina compartilha detalhes sobre sua trajetória, o novo disco e as expectativas para o futuro - Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz

Completados dez anos do falecimento de Vander Lee, Laura Catarina definiu 2026 como o ano de encerramento de um importante capítulo em sua carreira. Atualmente em turnê nacional com o projeto "Laura Catarina canta Vander Lee - 10 anos de saudade", a cantora já planeja os próximos passos. 

Após concluir a agenda de aproximadamente 30 shows previstos até dezembro, ela pretende se despedir das interpretações da obra paterna para se dedicar exclusivamente à sua própria produção artística. A cantora encerra, em 2026, o ciclo de homenagens ao pai para dedicar energia ao álbum autoral Virei Areia, previsto para o início de 2027.

Esse ano marca 10 anos da passagem do meu pai. Então eu tô começando a me despedir mesmo desse projeto. Todo projeto gasta muita energia. Agora eu preciso dedicar essa energia ao meu projeto autoral

Laura Catarina


 

A decisão representa uma mudança importante para uma artista que, embora frequentemente associada ao legado de Vander Lee, construiu sua relação com a música muito antes de se tornar intérprete da obra do pai.

Ainda criança, aos nove anos, já participava de espetáculos infantis e gravava em estúdio. O impulso artístico não partiu da família, mas dela mesma. Pedia para fazer aulas de canto, organizava apresentações com os primos e transformava qualquer espaço em palco. A arte sempre ocupou um lugar central em sua vida.

"Eu com 10 para 11 anos coordenava todos os meus primos, fazia showzinho, dirigia eles e eu era cantora principal com playback, botava um som. Então era uma coisa que vinha de dentro. Meu pai não tava falando para fazer isso. Isso era uma coisa minha", relembrou saudosa a artista.
 

Por trás de um sonho de criança

Essa vocação foi sendo lapidada ao longo dos anos. Estudou violão, teatro no Galpão Cine Horto, passou pela graduação em Filosofia na UFMG, dedicou três anos ao canto lírico no CEFAR, do Palácio das Artes, e também mergulhou na dança contemporânea. Cada experiência ajudou a construir uma artista inquieta, que nunca quis ser definida apenas por um sobrenome.

Na juventude, integrou a banda Dom Pepo, formada por sete músicos e voltada para composições que discutiam juventude, afetos e questões sociais. Ali, Laura encontrou um espaço de criação coletiva que considera fundamental para sua formação como compositora.

Seu primeiro disco solo começou a ser desenvolvido antes mesmo da partida de Vander Lee, em 2016, mostrando que o desejo de construir uma trajetória própria já existia muito antes de o público associá-la à obra do pai.

Ainda assim, o legado de Vander Lee tornou-se um caminho inevitável e profundamente afetivo. Em 2020, lançou o álbum Estrela, dedicado às canções do compositor. Longe de reproduzir os arranjos originais, Laura optou por reinterpretar as músicas, modificando melodias e criando novas atmosferas sonoras para imprimir sua identidade. 

 

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Não é do jeito que ele deixou para mim. Não é do jeito que ninguém espera. É do jeito que vai florescer em mim

Laura Catarina

 

Laura explica que nunca encarou o projeto como uma obrigação familiar, mas como parte de um processo de amadurecimento artístico e também de elaboração do luto. Para ela, revisitar a obra do pai significou compreender que a música continua sendo uma forma de presença."O sentimento de estar no palco representando a força dessa obra é muito maior do que eu imaginava. A música dele chega antes dele, mas leva a assinatura. É uma forma da gente não se sentir sozinho", se emociona.
 

Virei Areia

Agora, porém, a despedida das homenagens também representa um reencontro consigo mesma. O próximo álbum, Virei Areia, previsto para o início de 2027, será inteiramente autoral e reunirá canções que falam sobre cura, maternidade, superação de violências, bullying e reconstrução pessoal.

Segundo a cantora, o disco funciona como um retrato de diferentes momentos da própria vida. A imagem da areia traduz justamente esse processo: aprender a seguir o fluxo sem perder a essência.

Além do novo álbum, Laura também prepara lançamentos em parceria com artistas mineiros, como Gustavito, natural de Belo Horizonte, e Luzzmila, artista aqui de Mariana, previstos ainda para este ano. As colaborações antecipam a fase que pretende consolidar a partir de 2027, quando o repertório autoral passará a ocupar o centro de seus shows.

A metáfora da areia resume a proposta do trabalho, aprender a seguir o fluxo da vida sem perder a própria essência. "O álbum fala sobre se deixar fluir conforme a vida é, mas sem deixar que as expectativas dos outros façam você esquecer quem é."

Laura em Ouro Preto

É a segunda vez da cantora apenas esse ano em Ouro Preto. Durante a passagem, Laura também falou sobre a conexão que desenvolveu com a cidade e com a ancestralidade mineira.
 

Ouro Preto tem essa união das gerações. Aqui você vê o passado estampado na sua cara. Sou muito grata por estar vivendo esse momento justamente numa cidade que me faz olhar para essa ancestralidade que eu carrego

Laura Catarina

 

E por que não “Laura Lee?”, era o que ela sempre ouvia. Para a pergunta, a resposta de Laura é certeira. “Lee foi uma escolha do meu pai, nome artístico dele. Agora Catarina é um sobrenome da minha família. É uma forma de honrar essa ancestralidade. Acho bonito porque é feminino duas vezes."

Depois de uma década transformando a saudade em música, Laura Catarina encerra um capítulo importante da carreira. Sem abandonar a obra de Vander Lee, ela escolhe, agora, dar espaço para que o público conheça ainda mais a artista que sempre existiu para além do legado que herdou.

 

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