Mariana (MG), 21 de maio de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
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Ato em Ouro Preto cobra fim da escala 6x1

Manifestação no 1º de Maio reuniu estudantes, sindicatos e movimentos sociais em defesa de mais tempo de vida fora do trabalho e redução da jornada

A imagem registra uma manifestação estudantil em uma cidade histórica (provavelmente Ouro Preto, MG). Destaque: Uma grande faixa amarela com os dizeres: ESTUDANTES PELO FIM DA 6x1. Elementos: Jovens segurando a faixa, acompanhados por bandeiras do movimento LGBT+ (Mães (R)existem), estandartes de figuras políticas (Hélcio Pereira Fortes) e símbolos estudantis (UEE, UJS). Cenário: Rua de paralelepípedos cercada por casarões coloniais sob uma luz quente e documental.

Manifestação no 1º de Maio reuniu estudantes, sindicatos e movimentos sociais em defesa de mais tempo de vida fora do trabalho e redução da jornada

O Dia do Trabalhador começou com um ato em Ouro Preto, com faixas, percussão em peso, palavras de ordem e concentração logo nas primeiras horas da manhã. No 1º de maio, estudantes, sindicatos e movimentos sociais se reuniram no Largo da Alegria e seguiram em caminhada até a Praça Tiradentes pelo fim da escala 6x1.

A manifestação foi puxada principalmente pela União da Juventude Socialista (UJS), em articulação com o movimento VAT (Vida Além do Trabalho). No trajeto, palavras de ordem chamavam por trabalhadores para uma luta que viria a ser reforçada nos discursos finais:

“Trabalhador, preste atenção, a 6x1 só é boa pro patrão.”
 

Estudar ou trabalhar: uma escolha forçada

Em uma cidade universitária e marcada pela rotatividade de jovens trabalhadores, a pauta ganhou contornos locais. Para quem organizou o ato, o debate é vivido no dia a dia. Zion Trevisani, da UJS, resumiu o problema a partir de uma realidade sentida na pele.

Muita gente precisa sair da sala de aula para trabalhar. Não é escolha. Ou estuda, ou trabalha para sobreviver

Zion

“A gente veio para protestar pelo nosso direito”, afirmou Zion Trevisani. - Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz

A crítica à jornada extensa aparece como um dos eixos centrais do movimento estudantil. Segundo os organizadores, ela não afeta apenas quem já está no mercado de trabalho, mas também jovens que tentam permanecer na escola ou na universidade.

Ato diverso e tom político

“NAS RUAS, NAS PRAÇAS, QUEM DISSE QUE SUMIU? AQUI ESTÁ PRESENTE O MOVIMENTO ESTUDANTIL!” - Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz

Participaram do ato entidades como ADUFOP, ANDES, SINASEFE, UBES, além de representantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Coletivo Mães da (R)existência, aposentados e militantes de partidos como PT, PCdoB, PCB, UP e PSOL.

No trajeto, manifestantes chamavam por quem estava trabalhando nos comércios da Rua Direita, conhecida por ser a via central da cidade histórica, irem até as portas dos estabelecimentos para entender o movimento. “Unificou, unificou! É estudante junto com trabalhador”, clamavam os manifestantes. 

Zion comenta que, realizar essa manifestação em Ouro Preto carrega um peso diferente. “A gente está aqui para transmitir a nossa mensagem e em Ouro Preto, a energia é outra, tem um histórico de luta muito forte, muito potente, a gente vê que é uma cidade que carrega em suas ladeiras, nao so a historia do seu conjunto arquitetônico, que é muito  bonito, mas também uma juventude efervescente, né? Uma juventude cultural e muito política”, clamou o estudante. 

O ato homenageou ainda o militante Hélcio Fortes, ativista político assassinado pela Ditadura Militar em 1972 por se opor ao regime ditatorial,sendo símbolo dessa resistência estudantil efervescente ouropretana. A lembrança apareceu como forma de conectar o presente a outras lutas por direitos no país.

“Tempo também é direito”
 

“A escala 6x1 está nos matando” - Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz

Na chegada à Praça Tiradentes, os discursos reforçaram a crítica ao modelo de jornada. Um dos participantes destacou que a escala 6x1 compromete o descanso e a qualidade de vida: “é uma escala que explora os trabalhadores, que tira o descanso e a dignidade”.

O professor Rodrigo, do curso de Serviço Social da UFOP e integrante do sindicato docente, relacionou a resistência à redução da jornada a interesses econômicos. “Os grandes empresários não querem reduzir a jornada porque boa parte dos lucros vem desse trabalho explorado”, disse. Para ele, a redução da carga horária está diretamente ligada à garantia de direitos básicos. “Dignidade é ter tempo de lazer, tempo com a família, e não só tempo de trabalho”, completou.

Entre as falas, também houve espaço para contextualização histórica do debate trabalhista. Maurício dos Santos Guimarães, da direção do SINASEFE, comparou o momento atual a outras conquistas de direitos no país. 

Quando da abolição da escravatura o Brasil ‘ia quebrar’; quando foi instalada a CLT, o Brasil ‘ia quebrar’. Em 1988, quando a jornada caiu de 48 para 44 horas, disseram a mesma coisa  e não quebrou

Maurício Guimarães, SINASEFE

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 Outros discursos ampliaram o debate para além da jornada formal, mencionando as condições de trabalhadores informais e de grupos historicamente mais vulnerabilizados. Em uma das falas, foi destacada a necessidade de garantir melhores condições também para trabalhadores do campo, das águas, indígenas e quilombolas: “todos nós merecemos ter vida além do trabalho”.

A mobilização chamava atenção de todos que passeavam pela cidade, que era convocada a participar da luta. - Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz

Em diferentes momentos, os participantes defenderam a necessidade de fortalecer a consciência de classe. “A elite tem consciência de classe. Os trabalhadores também precisam ter”, afirmou uma das participantes durante o ato.

O debate que ultrapassa Ouro Preto

A mobilização em Ouro Preto integra uma série de protestos realizados em diferentes cidades do país no 1º de maio, articulados pelo movimento VAT, que defende a redução da jornada de trabalho.
 

O que está em debate

A escala 6x1 prevê seis dias de trabalho para um de descanso, dentro do limite atual de 44 horas semanais. A proposta em discussão no país busca reduzir essa jornada para 40 horas semanais, com a adoção do modelo 5x2, garantindo dois dias de descanso sem redução salarial.

Hoje, cerca de 37 milhões de trabalhadores estão submetidos a jornadas de 44 horas semanais, e vivem na lógica do 6x1. O plano também prevê a ampliação do descanso semanal remunerado e a aplicação das novas regras a diferentes categorias.

Ao mesmo tempo, o debate enfrenta resistência. Setores empresariais defendem uma transição mais lenta, enquanto parte do governo pressiona por mudanças imediatas.

A discussão segue em andamento no Congresso Nacional e tem mobilizado sindicatos, movimentos sociais e entidades empresariais em todo o país.
 

Um 1º de Maio sem conciliação

O ato terminou sem grandes formalidades. As pessoas foram se dispersando pela Praça Tiradentes, mas a sensação era de continuidade.O que ficou não foi só a crítica à escala 6x1, mas uma pergunta que permaneceu durante todo o protesto:

 

Quanto da vida pode ser tomado pelo trabalho?

_

Em Ouro Preto, ao menos neste 1º de Maio, a resposta veio em cada um presente nas ladeiras ouropretanas, cada estudante e trabalhador, que unificados, lutavam pelo tempo em viver para além do trabalho.

Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz
Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz
Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz
Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz
Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz
Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz
Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz
Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz
Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz
Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz
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Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz
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Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz
Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz
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