Realizada a partir do requerimento nº 54/2026, feito pelo vereador Ítalo de Majelinha (PSDB), uma audiência pública da Câmara Minicipal de Mariana, realizada nessa quarta-feira (17), discutiu reclamações dos moradores da Vila Maquiné a respeito do grande número de veículos de autoescolas que utilizam o espaço do bairro para realizar suas aulas práticas. As reivindicações da comunidade giram em torno do transtorno que os veículos causam, como poluição sonora, falta de espaço para o lazer das crianças na rua e congestionamento das vias.
O que a comunidade diz
Luciana Marques, moradora da Vila Maquiné, estava presente na audiência e relatou os principais problemas enfrentados pela vizinhança. Segundo a moradora, o grande número de veículos impede a circulação da comunidade, intensifica os horários de pico, pois se juntam aos ônibus e carros dos moradores do bairro, e perturba o sossego dos vizinhos, pois as autoescolas realizam atividades como a baliza em frente às casas.
Tem morador que não tá aguentando mais, gente. É o dia inteiro fazendo controle de embreagem na frente da casa. A dificuldade de mobilidade para os moradores que frequentemente precisam desviar de veículos utilizados em treinamentos. A ocupação é simultânea de mão e contramão em diversas vias durante exercícios, principalmente em horário de pico. Imagino que as pessoas que fazem autoescola às vezes optam por um horário que seja possível conciliar com estudo e trabalho, mas também os moradores têm o horário de pico ali de levar criança, buscar a vida do trabalho. Então, às vezes a gente tenta escapar de uma rua, chega na outra tem carro de autoescola. Se não tem, tem ônibus. E isso gera aí pros moradores essa questão de atrapalhar muito a mobilidade no bairro.
Antônio Borges, também morador do bairro, relata que a intenção dos moradores não é fazer com que todas as autoescolas saiam da Vila, mas sim, que elas dividam melhor os espaços para atividade em Mariana, usufruindo também de outros locais. Antônio e Luciana aproveitam o momento da audiência para denunciar que a perturbação com os veículos acontece além do horário comercial, segundo eles, mesmo aos finais de semana, as atividades de aprendizado acontecem com instrutores credenciados e autônomos que prestam seus serviços em carros não oficiais das autoescolas. “Agora não é mais só as autoescolas, agora têm instrutores credenciados. Então o pessoal tá rodando sábado, domingo. Eu gostaria de pedir atenção sobre isso a todos”, comenta Antônio.
O posicionamento da autoescola
Everaldo Rodrigo é empresário no ramo de autoescolas em Mariana há 22 anos e, em sua fala, ele traz inquietações sobre o bairro, que as reivindicações feitas pelos moradores não dizem respeito às atividades realizadas pelas autoescolas. Com a exceção da baliza, o empresário afirma que a atividade pode causar o embargo do trânsito no bairro. Outra representante das autoescolas destacou que as aulas são feitas no bairro, pois a prova prática também ocorre no local. Everaldo reforça que as aulas já acontecem de forma distribuída em outros bairros, mas que próximo ao exame, os alunos realizam as aulas na Vila Maquiné para conhecer melhor o percurso.
O que dizem as autoridades
As autoridades presentes disseram que estão dispostas e abertas aos diálogos entre a comunidade, autoridades e autoescolas. Em destaque, Eliabe de Freitas, diretor do Departamento Municipal de Trânsito (Demutran) comentou sobre o histórico da cidade com problemas na realização das atividades das autoescolas. Anos atrás, elas aconteciam no centro e no Jardim dos Inconfidentes.
Ao final, o vereador Ítalo disse que vê como uma forma de solução a implementação de uma Regulamentação Municipal que irá disciplinar os horários e locais de atuação das autoescolas, trazer maior fiscalização da atividade dos condutores autônomos e a formalização das denúncias. O estudo para a regulamentação será feito em uma próxima reunião.


