Mariana (MG), 18 de junho de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
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Blitz da diversidade transforma terminal turístico em passarela

Terminal Turístico virou palco de informação, abraços e hits de Pabllo Vittar na abertura da Semana da Diversidade, iniciativa da Associação Mães da (R)existência

Uma fotografia colorida ao ar livre, em uma rua de paralelepípedos com arquitetura colonial ao fundo. No centro da imagem, três mulheres sorridentes seguram uma grande bandeira de cor rosa claro. A Bandeira: Centralizada, exibe um logotipo composto pelo desenho estilizado de uma casa preta com um pequeno coração no topo da chaminé. Sobre o telhado da casa, há um arco-íris. Abaixo do desenho, lê-se a palavra MÃE em letras grandes e escuras, seguida pela frase da (r)existência em letras menores. As Mulheres: À esquerda, uma jovem mulher de pele clara e cabelos presos sorri abertamente, vestindo uma camisa polo azul-marinho de mangas longas. À direita, uma mulher negra com um boné azul e uma camiseta preta estampada segura a outra extremidade da bandeira, exibindo um sorriso largo. Ao centro, à frente da bandeira, uma mulher de perfil, com longos cabelos castanhos e óculos escuros, sorri enquanto caminha para a direita, carregando uma bolsa preta no ombro. O Cenário: O fundo mostra o casario histórico de uma cidade, possivelmente mineira, com janelas de molduras coloridas e telhados de barro. A iluminação é suave, sugerindo o final da tarde.

Quem passou no Terminal Turístico na última quinta-feira foi surpreendido com música boa e sorrisos para dar e vender - Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz

Na tarde da última quinta-feira(14), a Associação Mães da (R)existência deu play na Semana da Diversidade “Laços que acolhem” com a Blitz Educativa no Terminal Turístico de Mariana. A ação, marcada por sorrisos sinceros de qualquer um que passava, levou informações sobre os direitos da comunidade LGBTQIIAPM+ à população. E ao som de Pabllo Vittar, o dia ficou marcado com os maiores hits da cantora, para uma semana que já virou hit na cidade.

Discussão que atravessa a rua

Panfletos de apoio à diversidade e conscientização da população foram entregues aos transeuntes e motoristas - Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz

A blitz, que já virou marca registrada da Semana da Diversidade, chega neste ano à terceira edição no Terminal Turístico. Segundo Raísa Campos, integrante da associação Mães da (R)existência, a proposta nasceu em 2022 como uma forma de aproximar o debate da população.

 

A gente começou essa discussão no Centro de Convenções, mas depois entendeu que precisava ocupar outros espaços da cidade. A blitz é importante porque pega as pessoas no caminho delas. Elas recebem o material, entendem um pouco sobre homofobia, transfobia e também sabem onde procurar ajuda caso sofram algum tipo de violência

Raísa Campos, Mães da (R)existência

Não tinha como, a alegria era garantida durante a ação - Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz

Mais do que conscientização, o evento também virou espaço de encontro e afeto. Vestidos de mascotes, a Guarda Civil Municipal entrou na onda e toda vez que paravam a rua, a faixa de pedestre do Terminal se transformava em uma passarela do “Mariana Fashion Week”, com aplausos e abraços grátis para todo mundo.  Quem passava por ali, entendia que além de uma campanha educativa, existia acolhimento e diversidade.

População foi literalmente abraçada durante ato - Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz

“O nome Mães da (R)existência já diz tudo. É resistir e existir, nós existimos”, resumiu Raisa, que é parte da comunidade lgbt e mãe de uma pessoa também da comunidade.

O nascimento da resistência

Teresa, mãe e fundadora da Associação afirma que tem muito orgulho da evolução do coletivo - Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz

A associação nasceu a partir de histórias reais de exclusão, mas também de cuidado. Fundadora do movimento, Teresa de Jesus Souza Gertrudes conta que tudo começou dentro da própria casa, quando a filha recebia amigos LGBTQIIAPM+ que sofriam rejeição familiar.
 

Eles falavam que eram maltratados em casa e perguntavam por que eu não podia ser mãe deles também. Começamos com seis pessoas, viramos coletivo, depois movimento e hoje somos uma associação

Teresa de Jesus, Fundadora do Mães da (R)existência

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Teresa conta que, no início, havia medo da reação da cidade. “Na primeira Semana da Diversidade eu estava internada, mas acompanhava tudo com preocupação. Mariana ainda não estava tão preparada como hoje, tinha medo de rolar alguma agressão.”

Quatro anos depois, ela comemora uma conquista simbólica: a criação do setor municipal de acolhimento à população LGBTQIIAPM+. “Esse era um sonho meu. Hoje temos pessoas capacitadas, que sabem na pele o que é ser LGBT.”

E os sonhos futuros? Teresa prefere manter suspense.“Os outros sonhos eu vou guardar pros próximos capítulos”, brincou.

A programação da Semana da Diversidade segue até sábado (17), com oficinas, ações culturais, dança, exibição de documentário, serviços gratuitos de autocuidado e o “Baile das Divas”, no Sagarana. A proposta deste ano é ampliar o debate sobre acolhimento sem esquecer da celebração.

Às vezes é muito difícil viver só lutando. A gente também precisa de autocuidado, de dançar, viver cultura, extravasar e se reunir

Raisa Campos


 

No sábado, a Praça Gomes Freire recebe oficinas de corte de cabelo, artesanato, maquiagem, cosméticos, pintura, massagem e apresentações culturais. À noite, o encerramento promete transformar o Sagarana em uma vista que vai ferver em resistência, brilho e principalmente, liberdade.

Porque, no fim das contas:

Ninguém vai poder querer nos dizer como amar

Johnny Hooker


 

Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz
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Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz

 

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