Na tarde da última quinta-feira(14), a Associação Mães da (R)existência deu play na Semana da Diversidade “Laços que acolhem” com a Blitz Educativa no Terminal Turístico de Mariana. A ação, marcada por sorrisos sinceros de qualquer um que passava, levou informações sobre os direitos da comunidade LGBTQIIAPM+ à população. E ao som de Pabllo Vittar, o dia ficou marcado com os maiores hits da cantora, para uma semana que já virou hit na cidade.
Discussão que atravessa a rua

A blitz, que já virou marca registrada da Semana da Diversidade, chega neste ano à terceira edição no Terminal Turístico. Segundo Raísa Campos, integrante da associação Mães da (R)existência, a proposta nasceu em 2022 como uma forma de aproximar o debate da população.
A gente começou essa discussão no Centro de Convenções, mas depois entendeu que precisava ocupar outros espaços da cidade. A blitz é importante porque pega as pessoas no caminho delas. Elas recebem o material, entendem um pouco sobre homofobia, transfobia e também sabem onde procurar ajuda caso sofram algum tipo de violência

Mais do que conscientização, o evento também virou espaço de encontro e afeto. Vestidos de mascotes, a Guarda Civil Municipal entrou na onda e toda vez que paravam a rua, a faixa de pedestre do Terminal se transformava em uma passarela do “Mariana Fashion Week”, com aplausos e abraços grátis para todo mundo. Quem passava por ali, entendia que além de uma campanha educativa, existia acolhimento e diversidade.

“O nome Mães da (R)existência já diz tudo. É resistir e existir, nós existimos”, resumiu Raisa, que é parte da comunidade lgbt e mãe de uma pessoa também da comunidade.
O nascimento da resistência

A associação nasceu a partir de histórias reais de exclusão, mas também de cuidado. Fundadora do movimento, Teresa de Jesus Souza Gertrudes conta que tudo começou dentro da própria casa, quando a filha recebia amigos LGBTQIIAPM+ que sofriam rejeição familiar.
Eles falavam que eram maltratados em casa e perguntavam por que eu não podia ser mãe deles também. Começamos com seis pessoas, viramos coletivo, depois movimento e hoje somos uma associação
Teresa conta que, no início, havia medo da reação da cidade. “Na primeira Semana da Diversidade eu estava internada, mas acompanhava tudo com preocupação. Mariana ainda não estava tão preparada como hoje, tinha medo de rolar alguma agressão.”
Quatro anos depois, ela comemora uma conquista simbólica: a criação do setor municipal de acolhimento à população LGBTQIIAPM+. “Esse era um sonho meu. Hoje temos pessoas capacitadas, que sabem na pele o que é ser LGBT.”
E os sonhos futuros? Teresa prefere manter suspense.“Os outros sonhos eu vou guardar pros próximos capítulos”, brincou.
A programação da Semana da Diversidade segue até sábado (17), com oficinas, ações culturais, dança, exibição de documentário, serviços gratuitos de autocuidado e o “Baile das Divas”, no Sagarana. A proposta deste ano é ampliar o debate sobre acolhimento sem esquecer da celebração.
Às vezes é muito difícil viver só lutando. A gente também precisa de autocuidado, de dançar, viver cultura, extravasar e se reunir
No sábado, a Praça Gomes Freire recebe oficinas de corte de cabelo, artesanato, maquiagem, cosméticos, pintura, massagem e apresentações culturais. À noite, o encerramento promete transformar o Sagarana em uma vista que vai ferver em resistência, brilho e principalmente, liberdade.
Porque, no fim das contas:
Ninguém vai poder querer nos dizer como amar


























