Mariana (MG), 30 de abril de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
Publicidade
https://agenciaprimaz.com.br/apidata/imgcache/521bed8dda120165d672d4a8d85ee169.webp

Câmara aprova lei do transporte gratuito para estudantes de Mariana

Parecer contábil de assessoria da Câmara recomenda rejeição do Projeto de Lei 18/2021. Votação teve 6 abstenções, uma ausência e 2 votos contrários

Câmara aprova lei do transporte gratuito para estudantes de Mariana

Se aprovado, PL 18/2021 beneficiará universitários e alunos de cursos profissionalizantes que moram em Mariana e estudam em outras cidades. Foto: Lui Pereira/Agência Primaz

O parecer contábil foi lido antes da votação do projeto e alertou que, tanto a Lei Orçamentária Anual (LOA), quanto a Lei de Diretrizes Orçamentárias, ambas para o ano de 2022, ainda não foram aprovadas. “Considerando que o projeto está criando uma despesa de caráter continuado, necessário se faz a apresentação de impacto orçamentário e financeiro. Vale ressaltar que o impacto deverá ser elaborado para o ano em que a lei vai entrar em vigor, ou seja, 2022.” O parecer também faz referência ao artigo 73 da Lei Orgânica do município, que proíbe o aumento das despesas municipais por meio de projetos de lei de iniciativa dos vereadores.

Diante do parecer, seis vereadores optaram pela abstenção do voto: Fernando Sampaio (PSB), Zé Salles (PDT), Adimar (Cidadania), Ricardo Miranda (Republicanos), Manoel Douglas (Preto – PV) e Edson Agostinho (Leitão – Cidadania). Fernando Sampaio, líder de governo na Câmara, argumentou que o projeto não poderia ferir a Lei Orgânica. “Enquanto não mudar, na nossa Lei Orgânica, o artigo que proíbe criar despesas para o município, para mim esse projeto é ilegal. Então, eu estou abstendo meu voto”.

Mesmo com o parecer contrário, outros três vereadores pediram para assinar o projeto junto de Pedrinho Salete: Gilberto Mateus (Tikim – Cidadania), Maurício da Saúde (Avante) e João Bosco (PDT). Além dos autores, o projeto também teve voto favorável de Sônia Azzi (DEM). Pedrinho Salete defendeu que a proposta já havia sido aprovada nas Comissões de Constituição, Legislação e Justiça e apresentou um parecer jurídico que defende a proposta. O parecer apresentado por Pedrinho não aborda, no entanto, as questões levantadas pelo parecer contábil.

Pedrinho Salete fez um apelo aos colegas pela aprovação e argumentou que foi emitido apenas um parecer contrário ao projeto. “Foi apenas um parecer desfavorável e temos o parecer da procuradoria da casa favorável ao projeto, o parecer favorável da Comissão de Legislação e Justiça e temos também o parecer favorável da Comissão de Educação. Agregando a esses pareceres, o parecer da minha assistência jurídica. Pelo que eu estou vendo, a maioria dos vereadores está embasando apenas no parecer contábil da Casa.”

O vereador defendeu a importância do projeto para os estudantes universitários e de cursos profissionalizantes de Mariana. Pedrinho disse que o PL 18/2021 busca amenizar a “dificuldade daquele homem do campo, que trabalha por dia, para poder pagar uma faculdade para o seu filho que mora aqui na cidade”. O vereador também defendeu que a proposta auxiliará na capacitação da mão de obra local. “É um projeto que visa capacitação, mão de obra qualificada para o município. Por exemplo, não adianta a gente cobrar da Vale, da Fundação Renova, sendo que os mesmos alegam que não tem mão de obra qualificada. Esse projeto é embasado nisso. Para trazer mão de obra qualificada e, posteriormente, esses estudantes estarem adquirindo um cargo na Samarco, na Vale, em qualquer outra empresa.”

Publicidade
/apidata/imgcache/e9bd5514f213916015e37de1ab9ceab3.jpeg?banner=postmiddle&when=1777567869&who=345

Marcelo Macedo e Zezinho Salete, ambos do MDB, votaram contra o projeto. Além de defender o Regimento Interno e a Lei Orgânica, Marcelo Macedo lembrou aos colegas o parecer contrário emitido pela assessoria contábil contratada pela Câmara. “Nós temos aí o parecer de uma assessoria contábil nossa pedindo pela reprovação. E ela está correta. Nós temos o artigo 16, da Lei de Responsabilidade Fiscal, que fala da criação de despesa. Se esse projeto for sancionado, o prefeito não consegue [implementar], ainda esse ano, por causa dessa lei”.

Zezinho Salete, pai de Pedrinho, parabenizou o filho pela proposta, mas também votou contra o projeto. “Eu não sou contra o estudante, sou a favor, mas eu não posso ir contra o regimento interno e a Lei Orgânica. Ainda mais com o parecer contábil aí. Então, eu sou contra”. O vereador Ediraldo Ramos (Pinico – Avante) passou mal durante a leitura dos pareceres e deixou a reunião antes da votação.

O que diz o Artigo 73 da Lei Orgânica Municipal

De acordo com o Artigo 73, da Lei Orgânica Municipal de Mariana, “não será admitido aumento da despesa prevista”, nos seguintes casos:

I – nos Projetos de iniciativa privativa do Prefeito, ressalvada a comprovação efetiva da existência de receita, bem como a compatibilidade da proposta com a Lei de Diretrizes Orçamentárias e o Plano Plurianual;

II – nos Projetos sobre organização dos serviços administrativos da Câmara;

III – nos Projetos de Lei iniciativa de vereador.

Ver Mais

Compartilhar

Leia também

Concessão de título a Camilo Santana gera crise e divide opiniões na UFOP UFOP

Concessão de título a Camilo Santana gera crise e divide opiniões na UFOP

Justiça para o Botafogo: MPF pede fim da mineração em vitória histórica Botafogo

Justiça para o Botafogo: MPF pede fim da mineração em vitória histórica

Vereador cobra plano para conter alto custo de vida em Mariana Política

Vereador cobra plano para conter alto custo de vida em Mariana

Publicidade
/apidata/imgcache/c52547f42e2702ac5f48f6d2ed67d74a.jpeg?banner=middle&when=1777567869&who=345