Mariana (MG), 30 de abril de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
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Vereador cobra plano para conter alto custo de vida em Mariana

Marcelo Macedo denuncia déficit mensal de R$2.700 em famílias de baixa renda e cobra por revisão urgente do valor do Aluguel Social

Uma fotografia panorâmica capturada em um ângulo levemente elevado, mostrando uma ocupação urbana em uma encosta montanhosa. A paisagem é composta por casas simples, a maioria construída com tijolos cerâmicos aparentes e telhados de cerâmica ou fibrocimento. Algumas residências possuem caixas d'água azuis no topo.

As moradias estão distribuídas de forma irregular pelo relevo inclinado. No centro da imagem, destaca-se uma área de encosta com terra exposta em tons avermelhados, onde se vê uma estrutura de contenção ou cercado branco em zigue-zague. A vegetação é mista, com arbustos verdes, bananeiras e árvores dispersas entre as construções.

Ao fundo, a topografia se eleva em montanhas cobertas por vegetação densa e tons de verde escuro, sob um céu carregado de nuvens cinzentas e brancas, sugerindo um clima nublado ou chuvoso. A composição transmite uma atmosfera de ocupação periférica integrada ao relevo acidentado.

Moradia e alimentação são dois dos maiores gargalos para quem precisa sobreviver com pouco - Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz

O contraste entre a pujança econômica da mineração e a dificuldade de sobrevivência da população voltou a dominar os debates na Câmara Municipal de Mariana durante a 13ª Reunião Ordinária, ocorrida na última segunda-feira (27).

Na ocasião, o vereador Marcelo Macedo apresentou requerimento, exigindo que a Prefeitura apresente soluções para a "bolha de consumo" que asfixia a população pobre. O parlamentar baseou sua cobrança em indicadores que mostram Mariana com o custo de vida mais elevado do interior mineiro.

O abismo entre salário e sobrevivência

O levantamento apresentado pelo Legislativo aponta que Mariana lidera o ranking de custo de vida no interior de Minas Gerais. Dados do IPEAD/UFMG corroboram a denúncia, revelando que morar em Mariana é 9,4% mais caro do que em João Monlevade, com aluguéis que chegam a ser 27,5% superiores.

Para o vereador Marcelo Macedo, a situação é insustentável. "A pressão imobiliária em Mariana tornou o direito à moradia um privilégio", afirmou o parlamentar, destacando que o valor médio do aluguel de uma residência simples na cidade já alcança os mesmos R$2.700,00 que compõem o déficit das famílias.

O déficit habitacional é alimentado por promessas não concretizadas. Essa discussão resgata o debate da 5ª Reunião Ordinária, quando a Campanha da Fraternidade sobre moradia revelou que empresas (CNPJs) inflacionam o mercado ao alugar imóveis para funcionários, expulsando moradores locais para a periferia. 

Na ocasião, foi sugerido que as mineradoras retomem a construção de vilas e alojamentos para desafogar a cidade. Além disso, o caso dos 1.600 apartamentos que deveriam ter sido construídos em gestões passadas e nunca saíram do papel, apesar de investimentos milionários em terrenos e marketing, também foi lembrado na casa legislativa.

Crise habitacional e o "Aluguel Proibitivo"

O ponto central da cobrança da última reunião é o descompasso do Aluguel Social. O vereador questionou o valor atual do benefício frente a um mercado onde uma residência simples custa cerca de R$2.700,00 mensais. "O direito à moradia tornou-se um privilégio", justificou Macedo ao cobrar um plano de expansão para habitação popular.

Além de dados sobre famílias em vulnerabilidade extrema, o parlamentar quer saber quais programas de qualificação profissional e fomento ao empreendedorismo estão ativos. O objetivo é aumentar a resiliência financeira das famílias fora da dependência exclusiva do setor minerário.

Caminhos para a Regularização Fundiária (REURB)

Como solução técnica, a Câmara tem cobrado o avanço do REURB (Regularização Fundiária Urbana). No Requerimento 04/2026, o Legislativo solicitou um mapeamento atualizado dos núcleos urbanos informais passíveis de regularização. 

A regularização é vista como a forma mais barata de justiça social, transformando posseiros em proprietários e permitindo que as famílias consolidem seu patrimônio e escapem da insegurança jurídica.

Contudo, para os moradores da "Cidade Alta", o Reurb esbarra em restrições ambientais e na necessidade de negociação com grandes proprietários de terras, como a Mina da Passagem. 

A saída, segundo o consenso entre parlamentares e comunidade, deve ser política, com o município assumindo a habitação como prioridade máxima no orçamento que hoje ultrapassa R$1,2 bilhão ao ano.

 

 

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