Neste próximo feriado, quinta-feira 4 de julho, Mariana vai imergir no indierock e no emo caipira ao receber a banda Chococorn and The Sugarcanes, de Santa Bárbara D'oeste - SP. A apresentação de seu último álbum “Todos os Cães Merecem o Céu” vai acontecer no Sagarana a partir das 18 horas. A abertura do show fica por conta da banda Escadacima.
O interior de São Paulo com o exterior do mundo
A turnê “Operação Embaixo d'Água” já percorreu dois países além do Brasil e só por aqui irão passar por mais de 25 cidades. A banda conta com quatro instrumentistas que também se revezam nos vocais: Alexandre Luz, o baterista; Pedro Guerreiro, o guitarrista solo; Pietro Sartori, baixista e Pipe Bacchin, o guitarrista base. Chococorn and The Sugarcanes tem dois álbuns lançados e consagrados no underground brasleiro.
De acordo com Pietro, o primeiro álbum, “Siamês” de 2024, foi o que deu a nomenclatura oficial de Emo Caipira para a Chococorn. Isso porque é um álbum com muita inspiração no Midwest Emo do anos 2010, chamado de Emo Revival. “No começo tentamos criar uma identidade em cima disso, nos inspiramos muito em Mom Jeans, Modern Baseball, Remo Drive, muito em Origami Angel.”
Porém, para uma banda do interior de São Paulo que canta sobre o fascínio de conhecer o mundo para além de sua cidade natal, não poderiam faltar as inspirações regionais. "A gente tentou explorar o regional em músicas específicas do primeiro álbum que tem gaita, que tem viola. Eram experimentos para quebrar alguns limites do que a gente via como o padrão, queríamos fazer algo diferente”, diz Pietro sobre a parte “caipira” do gênero.
“A gente se inspirou muito no Midwest Emo no início, mas ele é um estilo muito regional estadunidense e trazer isso pra nossa realidade foi trazer o emocaipira”
Chocomilho e as plantações de cana de açúcar
Essa mistura do mundo que ainda viriam a conhecer nas estradas da turnê, com o mundo onde cresceram também reflete no nome da banda, que nasceu como uma piada entre amigos. “O Pipe e o Pedro tinham essa brincadeira desde mais novos de traduzir palavras engraçadas pro inglês”, diz o baixista sobre quando eles traduziram “Expo Chocomilho”, a maior festa cristã de todo estado de São Paulo, para Chococorn.
Porém o nome da banda não poderia refletir apenas a vontade de sair da zona de conforto, que um nome em outra língua representava naquele momento. “Em Santa Bárbara tinha muita plantação de cana de açúcar, então acaba sendo um nome regional e descontraído”, completa Pietro.
Todos os Cães Merecem o Céu
O último álbum da banda e o que está em turnê agora, ainda fala bastante sobre essa dualidade de nascer no interior do país com conhecer o mundo para além disso. Porém, conta com uma sonoridade mais madura de quem já rodou o Brasil, conheceu novas pessoas e teve contato com novas culturas, agora conta sobre essas experiências e anseia por mais.
“O segundo álbum é mais ensolarado, expansivo. Não só pelas melhores condições de gravação, mas ele surgiu justamente depois das primeiras turnês, ele reflete muito sobre conhecer novos lugares e pessoas e esse fascínio de conhecer o mundo, define bastante.”
Entre Algumas Vias é uma das faixas do novo álbum “Todos os Cães Merecem o Céu”.
Para além do conteúdo, as inspirações de “Todos os Cães Merecem o Céu” também se voltaram mais para o Brasil, como Djavan, Jorge Ben Jor, Clube da Esquina e Baiana System. Mudaram também a vertente musical se inspirando em estilos como o indie rock do Los Hermanos, do The Strokes, do Radiohead, do The Smashing Pumpkins. Já a estética se alimenta bastante do Nurture do Porter Robinsons, um álbum ensolarado e triste sobre como é fazer música.
“A gente tá sempre querendo se reinventar um pouquinho, mexer nas referências, mexer na sonoridade da banda. Eu acho que o próximo álbum não vai ser diferente disso, ele vai ser outro álbum em que a gente vai se desafiar para testar um pouco o som que define a gente.”
Mariana underground
Em uma cidade histórica, marcada por eventos tradicionais, trazer uma banda independente e com uma sonoridade underground foi um desafio para Laura Avelar, integrante da produção do evento. Ela conta que quando chegou na cidade esses eventos mais nichados faziam parte da agenda da cidade, porém viu aos poucos isso deixando de acontecer em Mariana enquanto continuam acontecendo em Ouro Preto.
“É muito necessário na região que tenhamos eventos mais alternativos e que se sustentem nessa união de pessoas que o fazem acontecer. Eu sempre senti que faltava abraçar outros gêneros que estão mais no underground e pra mim é muito importante. Às vezes precisamos sair um pouco desse padrão de shows patrocinados pela mineração e com intuito de limpar a imagem de algumas empresas”
A dualidade que a banda representa casa muito com cidades históricas como as da região, e quando Laura percebeu o interesse das pessoas pelo show, ela sentiu a necessidade de tentar reviver o underground jovem na cidade e tentar estimular que as pessoas de Ouro Preto viessem para cá e não o contrário dessa vez. E tornar isso possível foi o que mais inspirou Laura, “é uma turnê muito foda, porque eles foram em quase todas as capitais e até saíram do Brasil, então quando quiseram vir para Mariana, eu falei: ‘sim esse show precisa acontecer, vamos fazer acontecer’”
A banda, então, canta e representa a comunidade jovem marianense que viveu e ainda vive a realidade interiorana, tem uma sonoridade contemporânea, “uma pulsão da jovem” e Laura espera que o show seja um sucesso para que o underground continue tendo espaços na cidade, como tinham antigamente.
“Vai ser um show muito bonito, legal e simbólico, estamos muito animados.”


