A cidade de Ouro Preto será palco de uma manifestação coletiva no próximo dia 25 de julho. O evento, denominado "Ato de Resistência", é organizado de forma independente após a confirmação do cancelamento da 8ª edição da Parada LGBT+ da cidade, que estava originalmente programada para o dia 10 de julho como parte do Festival de Inverno.
A Parada foi cancelada após a prefeitura alegar falta de orçamento para custear a infraestrutura necessária, como palco, som e segurança, o que inviabilizou o evento que contaria com show da cantora Luedji Luna.
Sem o apoio financeiro da prefeitura para a infraestrutura de palco e som, a comunidade local decidiu organizar uma ocupação independente para garantir que suas pautas não sejam silenciadas.
A gênese da resistência
A iniciativa de ocupar a praça nasceu da indignação de membros da comunidade local. Karine Corrêa, uma das organizadoras, relata que o movimento surgiu de uma necessidade de resposta imediata. “Ficamos muito revoltados quando teve o cancelamento, né, da parada LGBT”.
Segundo ela, a partir de uma conversa com outra ativista, Leandra, decidiram que não poderiam deixar a data passar em branco: “A gente resolveu, vamos fazer um ato. E a partir disso nós estamos fazendo esse chamado, convidando a todos da comunidade LGBT a se integrar”.
O movimento não é liderado por um único grupo: A articulação envolve uma rede diversa de colaboradores. “Temos pessoas de coletivo social, tem pessoas de movimento estudantil, tem pessoas artistas que se juntaram para refazer”, explica Karine, destacando que o ato une residentes de Ouro Preto e também de Mariana. O objetivo é integrar todos os interessados em fortalecer a luta: “estamos chamando todos aqueles que desejam se integrar ao movimento, a participar do ato”.
Para Karine, a Parada não é apenas um evento festivo, mas um pilar de sobrevivência política.
A parada LGBT vai muito além de apenas uma festa, sabe? É um ato de resistência, o objetivo é mostrar que viemos e mostrar o respeito que a gente deseja também, sabe? Enquanto comunidade LGBT, não é só para fazer bagunça, para fazer festa, não. O ato vai muito além disso
Arte e performance como ferramentas de luta
O chamado para o ato, que circula nas redes sociais, utiliza o lema "Ocupar é Resistir!". A convocatória enfatiza que a resposta ao silenciamento será a presença física nas ruas: "Nossa resposta será coletiva: ocupar as ruas, a praça e reafirmar que nossas existências não podem ser silenciadas". O tema central definido para a mobilização é: "Somos corpos políticos e sociais, e nossa voz não será calada".
Na ausência de uma estrutura formal custeada pelo município, a criatividade e a produção cultural local serão as protagonistas. A organização incentiva que cada pessoa contribua com suas próprias ferramentas de expressão: “traga sua arte, traga seu leque, traga suas cores, seus cartazes, sua música, sua dança, sua poesia. Traga sua voz”. Karine reforça que o intuito é “mostrar a nossa arte, mostrar a nossa voz, mostrar as nossas poesias, mostrar nossa criatividade”.
Paz, visibilidade e política
Mesmo diante do clima de revolta com o cancelamento institucional, a organização garante que o movimento terá um caráter “totalmente pacífico, totalmente tranquilo, com intuito mesmo só de mostrar que viemos, que estamos aqui”, destaca Karine. Além disso, o evento busca preencher uma lacuna de direitos historicamente negados à população LGBTQIAPN+.
O sentimento de perda com o cancelamento da Parada oficial foi ecoado por moradores como Iago Izidório Lacerda, que viu na ausência do evento um indicativo de que o "conservadorismo cresce cada vez mais" na região. Diante desse cenário, o ato na Praça Tiradentes reafirma-se como um espaço de "afeto, luta, diversidade e esperança".
Participe do Ato de Resistência LGBTQIAPN+ de Ouro Preto
Data: 25 de julho de 2026
Horário: Concentração às 13h
Local: Praça Tiradentes




