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Conexão Zulu encerra 1ª etapa do projeto “Hip-Hop na APAE”

Projeto promove formação de arte-educadores e propõe ações inclusivas por meio do hip-hop.

Com a formação pedagógica concluída, o projeto inicia agora as oficinas práticas com os estudantes da APAE - Foto: Mirian dos Santos

Na última segunda-feira de julho (28), o Coletivo Conexão Zulu concluiu a primeira etapa do projeto Hip-Hop na APAE, uma iniciativa que leva a potência dos elementos do hip-hop para dentro da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Ouro Preto. As atividades aconteceram na Casa Lar Estrela, em Mariana, reunindo nove arte-educadores da cena cultural local em um ciclo de quatro oficinas de Formação Pedagógica, mediadas pela pesquisadora e educadora social Luana Brunely.

A coordenação também é compartilhada com Paulo Rogério, e o time de arte-educadores conta com Linda Viana, Lucas Pinduca, Gabi Augusta, Mateus Morais e Vitor Rocha, além de Mirian dos Santos, que responde pela área de comunicação. Ao longo de três meses, estão previstos seis encontros, que vão resultar em uma apresentação pública, aberta à comunidade escolar, familiares e à população de Ouro Preto.

Vale mencionar que o projeto“Hip-Hop na Passagem”, realizado pelo Clube Osquindô no distrito de Passagem de Mariana e voltado para adolescentes e jovens da região, também promove oficinas que abordam os cinco elementos da cultura hip-hop, assim como o projeto “Hip-Hop na APAE”.

Hip-Hop na APAE

O projeto “Hip-Hop na APAE” teve início em 2024, quando o Coletivo Conexão Zulu, em parceria com o baterista e arte-educador Lucas Egg, promoveu quatro oficinas sobre os cinco elementos do hip-hop com estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da instituição, durante a Semana da Pessoa com Deficiência. Outra ação foi realizada pelo Projeto Soma, nos dias 29 e 30 de agosto do mesmo ano, em parceria com o Coletivo e outros grupos da cena underground da região.

Nesse sentido, o “Hip-Hop na APAE” tem como objetivo envolver os estudantes da EJA da APAE em oficinas de rap, graffiti, dj/mc, dança de rua e conhecimento, os cinco elementos do hip-hop. A proposta busca estimular a expressão artística e criativa, fortalecer a autoestima e promover o debate sobre temas sociais urgentes, como racismo estrutural, violência de gênero, capacitismo e inclusão.

Durante essa etapa inicial, foram definidos três módulos temáticos, que vão ser usados como guia para as oficinas com os estudantes da APAE.

O primeiro vai trabalhar a literatura marginal a partir do repente, da improvisação, o quanto isso está relacionado ao ‘jeitinho brasileiro’, ao uso da criatividade para subverter a realidade e criar novos caminhos. No segundo, abordaremos a performance, a estética e a vestimenta, tendo a dança como ponto de partida. Já no terceiro, trabalharemos com o desenho a partir da xilogravura, do grafite e do pixo, amarrando todos os aprendizados para, no final, construirmos um cordel ou zine coletivo para distribuir na mostra final”, explica Luana Brunely, que também coordena o projeto.

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Brunely destaca ainda que as propostas foram pensadas para aproximar o hip-hop de uma linguagem acessível e inclusiva: “Para as oficinas, pensamos o hip-hop dentro de um contexto mais brasileiro. Por isso, utilizamos o cordel, que dialoga com a literatura marginal e com a arte popular. Essa forma de comercializar arte em espaço público se conecta diretamente com a cultura do grafite”, afirma a educadora social.

Para Natanael Marques, integrante do coletivo e proponente do projeto, a experiência tem sido de construção coletiva. “A gente não vai só para ensinar, mas também para aprender com os alunos, com as vivências e histórias que eles trazem. O que move o Coletivo Conexão Zulu é justamente isso: devolver para sociedade tudo que aprendemos quando escolhemos o hip-hop como estilo de vida. É uma cultura que ensina a respeitar, a conviver e a construir junto”, conta.

O projeto se inspira no símbolo africano Nea Onnim, um adinkra que representa a busca pelo conhecimento. Esse valor orienta a criação de planos de aula inclusivos, criativos e conectados com a linguagem da periferia e com as realidades dos estudantes.

Coletivo Conexão Zulu

Criado em 2023, o Coletivo Conexão Zulu é formado por artistas, educadores e produtores culturais periféricos de Mariana e Ouro Preto. Atua com oficinas arte-educativas, projetos culturais e pesquisa acadêmica, utilizando os cinco elementos do hip-hop como ferramentas de transformação social e ocupação de espaços.

Paulo Rogério, conhecido como Aquiles, é um dos coordenadores do projeto, além de ser MC e produtor cultural da região, fazendo parte de outras ações, como o curta-metragem Arte da Guerra. Ele já dava oficinas de hip-hop para crianças e adolescentes, mas sentia que precisava ter uma base pedagógica mais forte. “Trocando ideia com a Brunely, decidimos começar a trabalhar juntos. Ela é uma educadora incrível, trazia muita coisa sobre negritude, pertencimento e território. E eu já trabalhava ensinando rima, o que é o DJ, como improvisar e o que é a poesia marginal. Então a gente uniu as duas coisas, nascendo a Conexão”, explica.

Depois das oficinas de 2024, Natanael conta que foram os próprios alunos que pediram para o Coletivo voltar - Foto: Júlia Moreira

Entre os pilares do grupo, estão o enfrentamento ao racismo, o incentivo à produção cultural da periferia e a valorização das pedagogias de rua na educação de crianças, adolescentes e jovens das duas cidades. Com o encerramento da formação pedagógica, o projeto entra agora na fase prática com os estudantes da APAE, fortalecendo o hip-hop como instrumento de educação, inclusão e resistência.

A gente já conhece o potencial dos meninos, eles são uma turma muito empolgada e engajada, são interessados em conhecer as raízes da cultura hip-hop. Toda aula é um aprendizado, a forma com que eles se apoiam e o pertencimento que eles sentem na APAE é semelhante ao pertencimento que a gente tem com a cultura hip-hip”, completa Aquiles.

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