O curta-metragem Conexões, dirigido pelo professor Adriano Medeiros da Rocha, da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), será exibido na programação da TV UFMG no próximo dia 30 de abril, às 9h30, no canal da emissora no YouTube. A obra integra o programa Panorâmica: Janela, espaço dedicado à difusão de produções audiovisuais de diferentes regiões do Brasil.
Produzido no âmbito do projeto WebCINETV UFOP, enquadrado no movimento “UFOP é Cinema”, o filme teve sua estreia em Ouro Preto em agosto do ano passado e agora amplia seu alcance ao integrar a grade de uma TV universitária, reforçando a circulação do audiovisual independente.
Temática
O enredo de Conexões acompanha Nicolau, um idoso que vive em uma área rural isolada em terras altas, e seu neto Jonathan. A visita do jovem estimula reencontros afetivos e provoca reflexões sobre modernidade, tradição e identidade.
A narrativa se constrói a partir da relação entre os personagens e o ambiente natural, explorando vínculos familiares e memórias. As gravações foram realizadas em 2024, no Parque Estadual do Itacolomi, cenário que contribui para a construção simbólica da história.

Processo de criação
O roteiro foi desenvolvido de forma colaborativa pelo diretor Adriano Medeiros e por Gustavo Batista, estudante de jornalismo da UFOP, que também atuou na captação e no desenho de som. Segundo Gustavo, o processo reflete características do cinema independente.
O cinema independente tem essa característica, né? Que você acaba desempenhando múltiplas funções em áreas um pouquinho diferentes, apesar de que tudo no final tá em volta do filme, né?
O estudante destaca ainda o cuidado durante a elaboração do roteiro: “Eu particularmente guardo muito carinho do processo de escrita do roteiro, foi muito minucioso, durou alguns bons dias, em que eu e Adriano a gente sentava junto e escrevia,”, relembra
A história, centrada na relação entre avô e neto, teve um impacto pessoal no roteirista, que foi criado pelos avós. “Eu fiquei muito feliz quando ele me convidou para escrever, porque a história, que saiu de um concurso de argumentos e que era sobre um avô e um neto e essa reconexão durante uma caminhada na natureza, me pegou muito profundamente”.
Dimensão pessoal e narrativa
Gustavo também aponta a presença de experiências pessoais na construção dos personagens: “Eu acho que me coloquei muito no personagem, no Jonathan, tem muitas características que estão ali no personagem que eu tirei muito de mim, e que o Adriano também tirou muito dele e das relações dele, eu acho que isso é uma coisa muito legal desse roteiro”, relata o estudante.
Para ele, esse aspecto torna a obra singular e humana. “Eu sempre defendo que inteligência artificial nunca conseguiria escrever algo nesse nível porque são experiências pessoais que moldam a nossa história e que a gente transfere para aquele papel, né? Que depois vai virar essa história audiovisual”.
Para o roteirista, o cenário do Pico do Itacolomi, engrandece a narrativa do curta, já que o local é “tão característicos de Ouro Preto”, tornando a paisagem do filme “simbólica para essa história,” explica.

Exibição e circulação
A exibição na TV UFMG marca um novo momento para o curta, que passa a alcançar públicos além de Ouro Preto e da universidade. Para Gustavo, a difusão do filme é “muito especial, fico muito feliz de ver ele se expandindo para além de Ouropreto, para outros locais”, afirmou.
O roteirista também ressalta o papel das emissoras universitárias na projeção cultural. “Gosto muito desse trabalho que as TVs Universitárias fazem de de expandir e exibir curtas de todo o país.”
O estudante, que trabalhou durante muitos anos na TV UFOP afirma que “é um grande desafio em questões de orçamento, em questões de logística. Então é muito legal ver esse esforço, ver essas parcerias entre universidades, e diversos lugares, é muito bacana, muito gostoso”.
Gustavo afirma que a UFOP vem se encaminhando para a criação do curso de cinema e que o audiovisual em Ouro Preto tem estado cada vez mais forte. A participação no Panorâmica: Janela reforça a importância das parcerias entre universidades e evidencia o potencial do cinema produzido no ambiente acadêmico brasileiro.



