Mariana (MG), 19 de julho de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
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Documentário “O afeto é ancestral” estreia nesta semana em Mariana

Nesta sexta-feira, 3 de julho, o documentário feito por Jade Iasmin, irá estrear no auditório do ICSA em Mariana

Você disse: me de a descrição dessa imagem A imagem mostra um grupo numeroso de pessoas, composto por adultos, jovens e um bebê, reunidos ao ar livre em frente a uma área arborizada. Vestimentas e Elementos Culturais Roupas coordenadas: As mulheres e o bebê vestem saias ou vestidos longos com uma estampa floral vibrante em tons de amarelo e roxo, combinados com blusas de ombro a ombro na cor verde-limão. Os homens vestem camisas que misturam o tecido verde com detalhes da mesma estampa floral. Turbantes: Quase todas as mulheres e o bebê usam turbantes ou faixas de cabelo feitos com o mesmo tecido floral das saias. Música e Tradição: No centro da imagem, um homem idoso está sentado em uma cadeira de madeira e toca um cavaquinho (ou instrumento similar de cordas), usando um chapéu de estilo panamá. Objetos no chão: À frente do grupo, no chão de terra ou asfalto escuro, há duas cestas de vime e um pequeno vaso ou recipiente escuro. Composição e Ambiente Disposição: O grupo está organizado de forma compacta, com algumas pessoas sentadas na frente e a maioria de pé logo atrás, criando uma pose de foto coletiva. Fundo: O cenário ao fundo é preenchido por árvores e folhagens densas, sugerindo um ambiente rural ou natural. A iluminação natural do sol cria sombras suaves no chão e entre os integrantes do grupo

O Nicolinas existe desde de 2017, a foto acima foi postada no Instagram do grupo - Foto: Uriel Marques

No dia 3 de julho, às 19h, estreia o documentário “O afeto é ancestral”, dirigido por Jade Iasmin, jornalista e pesquisadora do mestrado na Universidade Federal de Ouro Preto. O filme é uma produção que parte do encontro de Jade com o grupo de dança Nicolinas, que é construído pelo quilombo Vila Santa Efigênia e outras comunidades quilombolas (Castro, Embaúbas e Engenho Queimado), localizado em Mariana, Minas Gerais. O documentário será exibido no auditório do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas e é aberto a toda comunidade. 

Como aconteceu “O afeto é ancestral”

“O afeto é ancestral” parte do Trabalho de Conclusão de Curso de Jade, a diretora pontua que já havia determinado a escolha de que queria realizar um documentário para finalizar a sua graduação.

A ideia de fazer sua produção junto com o grupo Nicolinas surgiu durante as orientações. “[O Nicolinas] é um grupo majoritariamente feminino, por mais que também tenha homens. O que reforça a ancestralidade e, o grupo em si, existe muito nessa coisa da do afeto. Ele tá muito muito pautado no afeto.”, comenta Jade.

Para realizar o documentário, a diretora foi ao encontro da comunidade quilombola, passando a frequentar suas reuniões, participar das suas festas, danças e atividades e ajudando nas produções culturais e midiáticas. Jade conta que seu processo para apresentar a proposta para todo o quilombo demorou cerca de três meses.

Para entrar no quilombo, para fazer pesquisa, você precisa passar pela aprovação de todo o quilombo. Quando você entra em um território que não é seu, que você não faz parte dele, você tá fazendo ali um um trabalho antropológico também, né? Não tava só como jornalista, também tava um pouco meio antropóloga. E aí, acho que teve a grande questão da timidez. Então, eu tive essa grande dificuldade de encontrar as pessoas que realmente queriam ser entrevistadas, que queriam falar comigo.AUTOR: Jade Iasmin - diretora do documentário

Ao encontrar o outro, também olhamos para nós mesmos
Jade fala sobre alguns “perrengues” durante a sua produção, como a dificuldade de se produzir sozinha um documentário e o acesso, um pouco dificultado para encaixar as idas ao território com os seus horários. Porém, a diretora destaca dois momentos em que o encontro com o outro a fizeram relembrar de sua família. 
O primeiro aconteceu durante uma festa em que ela estava participando e, ao observar as mulheres indo a missa, depois indo a festa e cozinhando, lembrou de sua avó. O segundo aconteceu durante a sua entrevista com o patriarca do quilombo que, ao olhar para ele e seu modo de viver, Jade se lembrou de seus bisavós.
 

Momentos muito marcantes, muito específicos e que eu saí de lá com aquele sentimento diferente. Porque eu acho que foi o entendimento do que é o outro, eu tô indo ao encontro com o outro, com o que é diferente, mas ao mesmo tempo ali você acaba se encontrando de alguma forma, sabe? 

Jade Iasmin - diretora do documentário

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Afeto e comunidade 

Por fim, Jade entende que a principal mensagem que o documentário transmite é o afeto. Segundo ela, o filme reforça o quanto a ancestralidade vem desse afeto e o quanto esse afeto está ligado à comunidade a partir da dança. “Esse encontro das pessoas com a dança, com eles mesmos. Porque eles querem se ver, eles querem se encontrar, eles querem dançar, eles querem conversar, eles querem colocar a roupa que, inicialmente, era de chita. Então o que eu queria transmitir era esse afeto, esse encontro.”, comenta Jade.

Para quem se interessou, o documentário “O afeto é ancestral” será exibido no auditório do Instituto de Ciências Sociais e Aplicadas, às 15h, na sexta-feira, 3 de julho. A programação é gratuita.

 

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