No dia 3 de julho, às 19h, estreia o documentário “O afeto é ancestral”, dirigido por Jade Iasmin, jornalista e pesquisadora do mestrado na Universidade Federal de Ouro Preto. O filme é uma produção que parte do encontro de Jade com o grupo de dança Nicolinas, que é construído pelo quilombo Vila Santa Efigênia e outras comunidades quilombolas (Castro, Embaúbas e Engenho Queimado), localizado em Mariana, Minas Gerais. O documentário será exibido no auditório do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas e é aberto a toda comunidade.
Como aconteceu “O afeto é ancestral”
“O afeto é ancestral” parte do Trabalho de Conclusão de Curso de Jade, a diretora pontua que já havia determinado a escolha de que queria realizar um documentário para finalizar a sua graduação.
A ideia de fazer sua produção junto com o grupo Nicolinas surgiu durante as orientações. “[O Nicolinas] é um grupo majoritariamente feminino, por mais que também tenha homens. O que reforça a ancestralidade e, o grupo em si, existe muito nessa coisa da do afeto. Ele tá muito muito pautado no afeto.”, comenta Jade.
Para realizar o documentário, a diretora foi ao encontro da comunidade quilombola, passando a frequentar suas reuniões, participar das suas festas, danças e atividades e ajudando nas produções culturais e midiáticas. Jade conta que seu processo para apresentar a proposta para todo o quilombo demorou cerca de três meses.
Para entrar no quilombo, para fazer pesquisa, você precisa passar pela aprovação de todo o quilombo. Quando você entra em um território que não é seu, que você não faz parte dele, você tá fazendo ali um um trabalho antropológico também, né? Não tava só como jornalista, também tava um pouco meio antropóloga. E aí, acho que teve a grande questão da timidez. Então, eu tive essa grande dificuldade de encontrar as pessoas que realmente queriam ser entrevistadas, que queriam falar comigo.AUTOR: Jade Iasmin - diretora do documentário
Ao encontrar o outro, também olhamos para nós mesmos
Jade fala sobre alguns “perrengues” durante a sua produção, como a dificuldade de se produzir sozinha um documentário e o acesso, um pouco dificultado para encaixar as idas ao território com os seus horários. Porém, a diretora destaca dois momentos em que o encontro com o outro a fizeram relembrar de sua família.
O primeiro aconteceu durante uma festa em que ela estava participando e, ao observar as mulheres indo a missa, depois indo a festa e cozinhando, lembrou de sua avó. O segundo aconteceu durante a sua entrevista com o patriarca do quilombo que, ao olhar para ele e seu modo de viver, Jade se lembrou de seus bisavós.
Momentos muito marcantes, muito específicos e que eu saí de lá com aquele sentimento diferente. Porque eu acho que foi o entendimento do que é o outro, eu tô indo ao encontro com o outro, com o que é diferente, mas ao mesmo tempo ali você acaba se encontrando de alguma forma, sabe?
Afeto e comunidade
Por fim, Jade entende que a principal mensagem que o documentário transmite é o afeto. Segundo ela, o filme reforça o quanto a ancestralidade vem desse afeto e o quanto esse afeto está ligado à comunidade a partir da dança. “Esse encontro das pessoas com a dança, com eles mesmos. Porque eles querem se ver, eles querem se encontrar, eles querem dançar, eles querem conversar, eles querem colocar a roupa que, inicialmente, era de chita. Então o que eu queria transmitir era esse afeto, esse encontro.”, comenta Jade.
Para quem se interessou, o documentário “O afeto é ancestral” será exibido no auditório do Instituto de Ciências Sociais e Aplicadas, às 15h, na sexta-feira, 3 de julho. A programação é gratuita.


