Nesta sexta (07), às 19h, estreia o documentário “Vira-Saia: o Inimigo da Coroa”, dirigido por Artur Magalhães e Anthony Christian. O filme é uma produção sobre a história ouro-pretana do Vira-Saia, os diretores fizeram uma curadoria de fontes para contemplar a oralidade dos contos sobre o protagonista. A exibição acontece no auditório do Departamento de Geologia da UFOP, no campus Morro do Cruzeiro.
“Vira-Saia: o Inimigo da Coroa”
O nome do documentário deriva da história do Vira-Saia, ou Antônio Francisco Alves, que ficou conhecido por roubar o ouro da Coroa Portuguesa em Ouro Preto. No seu casarão, localizado no bairro Antônio Dias, o protagonista tinha um oratório e, nesse oratório, ele colocou uma imagem de Nossa Senhora das Almas. A depender da posição da saia da santa dentro do oratório, ele informava qual era o caminho do ouro para que seus comparsas realizassem o roubo.
Artur Magalhães, diretor do filme, afirma que conheceu essa história através de um trabalho para o curso de jornalismo da UFOP. Anthony Christian, também diretor do filme, cresceu no bairro Antônio Dias e sempre esteve em contato com o casarão.
Esse filme nasce desse encontro meu e do Artur. Porque eu e o Artur, a gente tem muito interesse em história. Eu acho que passa por esse ponto. E aí, desse interesse por história vem essas duas perspectivas também. A minha perspectiva de ser um morador do Antônio Dias, ter crescido lá, ter observado, o casarão sempre fez parte do meu imaginário. Enquanto o Artur, vem com esse olhar externo muito curioso também. Então, acho que foi essa junção dos dois locais.
No processo de produção do documentário, os diretores destacaram o cuidado em contar a história do Vira-Saia respeitando a sua oralidade no audiovisual. O filme é formado por entrevistas com pesquisadores, historiadores e personalidades ouro-pretanas que recontam e ajudam a manter viva a memória deste personagem.
A gente não sabe como foi o Vira-Saia, a gente não sabe se ele realmente existiu. Então, a gente não tá contando essa história falando que é verdade. A gente tá canalizando essas vozes, canalizando essas essas histórias da oralidade, para o audiovisual. É isso que a gente tá fazendo. Nada impede de ser verdade, ser mentira, não sabemos. Só que a verdade é que por muitos séculos, o povo ouropretano manteve essa história viva. Então, só por isso já é de grande importância essa história ser contada
Por fim, Artur deseja que o documentário faça parte de uma construção da identidade ouro-pretana e do bairro Antônio Dias também. Segundo ele, o filme reforça uma história que já vem sendo contada a mais de 300 anos pela cidade. “Eu acho que a parte legal seria o documentário cumprir esse papel de manter vivo uma história que passou tanto tempo e continua viva mesmo com a essa escassez de registro.”, afirma o cineasta.
Para quem se interessou, o documentário “Vira-Saia” será exibido no auditório do Departamento de Geologia, no campus Morro do Cruzeiro, às 19h, na sexta-feira, 7 de agosto. A programação é gratuita.



