Mariana (MG), 21 de maio de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
Publicidade
https://agenciaprimaz.com.br/apidata/imgcache/521bed8dda120165d672d4a8d85ee169.webp

Entre as guerras e a fome no mundo: triste retrato da bestialidade humana

“Olho por olho, dente por dente, no final todos estarão cegos e banguelos”. (Mahatma Gandhi)

Os textos publicados na seção “Colunistas” não refletem as posições da Agência Primaz de Comunicação, exceto quando indicados como “Editoriais”

Leia o texto (ou ouça o áudio) da coluna de Júlio Vasconcelos:

O mundo está em guerra! Em pleno século XXI, nosso planeta convive simultaneamente com diversos conflitos armados de impactos catastróficos. A guerra entre a Rússia e a Ucrânia que já dura 04 anos e o recente ataque dos Estados Unidos no Irã deixou milhares de mortos, com enormes custos militares e humanitários. Segundo o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo, os custos militares com a guerras no mundo alcançaram cerca US$2,89 trilhões de dólares, cerca de R$14,5 trilhões de reais em 2025. É o 11º ano consecutivo de aumento nos gastos militares e representa cerca de 2,5% do PIB global. Só os três maiores (EUA, China e Rússia) concentram mais de 50% desses gastos. O Brasil gastou cerca de R$133 bilhões de reais, no mesmo período. Esse valor inclui armamentos, tecnologia militar, operações de guerra e manutenção de tropas, mas o custo real vai muito além se considerarmos a infraestrutura destruída, as crises de refugiados e os impactos econômicos globais relacionados à energia, inflação e alimentos. Isso tudo sem contar a quantidade de vidas perdidas, incluindo a população civil, que já chega a cerca de 240 mil pessoas. O que mais assusta é que, esse número, em vez de diminuir, vem aumentando de maneira assustadora: em 2019 foram cerca de 80 mil mortes e em 2024, cerca de 160 mil, portanto um aumento de cerca de 200% em 06 anos! Se isso continuar desse jeito, sabe lá Deus onde vamos parar!    

Por outro lado, a fome também vem destruindo a vida de milhões de pessoas! De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, cerca de 700 a 800 milhões de pessoas passam fome no mundo, o equivalente a quase 04 vezes a população do Brasil. Mais de 2 bilhões enfrentam insegurança alimentar. A fome não é causada apenas pela falta de alimentos, mas por pobreza, conflitos armados, mudanças climáticas e má distribuição de recursos. Curiosamente, muitos dos países mais afetados pela fome são também aqueles devastados por guerras.

Estudos desenvolvidos pela própria ONU indicam que seriam necessários cerca de US$ 30 a 40 bilhões de dólares por ano (cerca de R$200 bilhões de reais) para erradicar a fome extrema no mundo. Esse valor incluiria programas de alimentação, apoio à agricultura local e infraestrutura.

Quando comparamos esses números, surge um contraste impressionante: gastos militares globais: US$ 2,9 trilhões/ano, custo para acabar com a fome: US$ 35 bilhões/ano, ou seja, menos de 2% do gasto militar global anual seria suficiente para combater a fome extrema no mundo! Esse dado revela um paradoxo ético e político: o mundo dispõe de recursos financeiros de sobra para resolver o problema da fome, mas prefere desviá-los majoritariamente para a morte e a destruição, em nome de uma suposta defesa e da liberdade.

Publicidade
/apidata/imgcache/e9bd5514f213916015e37de1ab9ceab3.jpeg?banner=postmiddle&when=1779359701&who=345

A coexistência de guerras bilionárias e fome em larga escala expõe uma contradição profunda da humanidade contemporânea. Não se trata apenas de falta de recursos, mas de prioridades maquiavélicas políticas, econômicas e estratégicas. A paz, portanto, não é apenas ausência de guerra, é também a capacidade de direcionar recursos para a preservação da vida. Enquanto os conflitos persistirem, a fome continuará sendo não apenas um problema econômico, mas também um reflexo direto da bestialidade humana.

O mundo atual possui tecnologia, riqueza e capacidade produtiva suficientes para alimentar toda a população. No entanto, a permanência de guerras e o volume de investimentos militares indicam que o desafio maior não é técnico, mas político, moral e, principalmente, espiritual. Nesse aspecto, vale considerar que no mundo o Cristianismo possui 31% de adeptos (cerca de 2,4 bilhões), o Islamismo 24% (cerca de 2,0 bilhões), o Hinduísmo 15% (cerca de 1,2 bilhão), o Budismo 7% (cerca de 500 milhões), as religiões tradicionais 6% (cerca de 450 milhões) e o Judaísmo 0,2% (15 milhões). O restante, 16% (cerca de 1,2 milhões) não possuem religião. Diante desse quadro ficam algumas perguntas no ar: que deuses são esses que estamos cultuando? Será que são deuses minúsculos que preconizam o ódio e da guerra? 

Dizem que o maior desafio do cristianismo no mundo atual é converter os próprios cristãos! Aliás, Hitler se dizia cristão e católico!... 

Quem tem ouvidos, que ouça!

Compartilhar

Leia também

Desenhos criados por escravizados são encontrados em porão de Ouro Preto Cultura

Desenhos criados por escravizados são encontrados em porão de Ouro Preto

Mulheres africanas ancestrais são tema de exposição no Museu de Mariana Artes Visuais

Mulheres africanas ancestrais são tema de exposição no Museu de Mariana

UFOP abre vagas para o Festival de Inverno 2026 UFOP

UFOP abre vagas para o Festival de Inverno 2026

Publicidade
/apidata/imgcache/f65eae2af01c1767b4f34a602857d49c.webp?banner=middle&when=1779359701&who=345