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Leia o texto (ou ouça o áudio) da coluna de Júlio Vasconcelos:
O mundo está em guerra! Em pleno século XXI, nosso planeta convive simultaneamente com diversos conflitos armados de impactos catastróficos. A guerra entre a Rússia e a Ucrânia que já dura 04 anos e o recente ataque dos Estados Unidos no Irã deixou milhares de mortos, com enormes custos militares e humanitários. Segundo o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo, os custos militares com a guerras no mundo alcançaram cerca US$2,89 trilhões de dólares, cerca de R$14,5 trilhões de reais em 2025. É o 11º ano consecutivo de aumento nos gastos militares e representa cerca de 2,5% do PIB global. Só os três maiores (EUA, China e Rússia) concentram mais de 50% desses gastos. O Brasil gastou cerca de R$133 bilhões de reais, no mesmo período. Esse valor inclui armamentos, tecnologia militar, operações de guerra e manutenção de tropas, mas o custo real vai muito além se considerarmos a infraestrutura destruída, as crises de refugiados e os impactos econômicos globais relacionados à energia, inflação e alimentos. Isso tudo sem contar a quantidade de vidas perdidas, incluindo a população civil, que já chega a cerca de 240 mil pessoas. O que mais assusta é que, esse número, em vez de diminuir, vem aumentando de maneira assustadora: em 2019 foram cerca de 80 mil mortes e em 2024, cerca de 160 mil, portanto um aumento de cerca de 200% em 06 anos! Se isso continuar desse jeito, sabe lá Deus onde vamos parar!
Por outro lado, a fome também vem destruindo a vida de milhões de pessoas! De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, cerca de 700 a 800 milhões de pessoas passam fome no mundo, o equivalente a quase 04 vezes a população do Brasil. Mais de 2 bilhões enfrentam insegurança alimentar. A fome não é causada apenas pela falta de alimentos, mas por pobreza, conflitos armados, mudanças climáticas e má distribuição de recursos. Curiosamente, muitos dos países mais afetados pela fome são também aqueles devastados por guerras.
Estudos desenvolvidos pela própria ONU indicam que seriam necessários cerca de US$ 30 a 40 bilhões de dólares por ano (cerca de R$200 bilhões de reais) para erradicar a fome extrema no mundo. Esse valor incluiria programas de alimentação, apoio à agricultura local e infraestrutura.
Quando comparamos esses números, surge um contraste impressionante: gastos militares globais: US$ 2,9 trilhões/ano, custo para acabar com a fome: US$ 35 bilhões/ano, ou seja, menos de 2% do gasto militar global anual seria suficiente para combater a fome extrema no mundo! Esse dado revela um paradoxo ético e político: o mundo dispõe de recursos financeiros de sobra para resolver o problema da fome, mas prefere desviá-los majoritariamente para a morte e a destruição, em nome de uma suposta defesa e da liberdade.
A coexistência de guerras bilionárias e fome em larga escala expõe uma contradição profunda da humanidade contemporânea. Não se trata apenas de falta de recursos, mas de prioridades maquiavélicas políticas, econômicas e estratégicas. A paz, portanto, não é apenas ausência de guerra, é também a capacidade de direcionar recursos para a preservação da vida. Enquanto os conflitos persistirem, a fome continuará sendo não apenas um problema econômico, mas também um reflexo direto da bestialidade humana.
O mundo atual possui tecnologia, riqueza e capacidade produtiva suficientes para alimentar toda a população. No entanto, a permanência de guerras e o volume de investimentos militares indicam que o desafio maior não é técnico, mas político, moral e, principalmente, espiritual. Nesse aspecto, vale considerar que no mundo o Cristianismo possui 31% de adeptos (cerca de 2,4 bilhões), o Islamismo 24% (cerca de 2,0 bilhões), o Hinduísmo 15% (cerca de 1,2 bilhão), o Budismo 7% (cerca de 500 milhões), as religiões tradicionais 6% (cerca de 450 milhões) e o Judaísmo 0,2% (15 milhões). O restante, 16% (cerca de 1,2 milhões) não possuem religião. Diante desse quadro ficam algumas perguntas no ar: que deuses são esses que estamos cultuando? Será que são deuses minúsculos que preconizam o ódio e da guerra?
Dizem que o maior desafio do cristianismo no mundo atual é converter os próprios cristãos! Aliás, Hitler se dizia cristão e católico!...
Quem tem ouvidos, que ouça!



