Ouro Preto não tem o rio Mississippi. Também não tem o calor de Nova Orleans. Mas, entre os dias 14 e 16 de agosto, teve jazz de sobra. A cidade recebeu a 24ª edição do Tudo é Jazz, que levou às ladeiras ouro-pretanas tributos ao Cazuza e à Amy Winehouse. Além do rapper Criolo, artistas mineiros e milhares de pessoas. Por três dias, a cidade histórica ganhou um sotaque musical diferente.
Através da homenagem aos artistas atemporais Cazuza e Amy Winehouse, o festival aproximou as trajetórias em uma programação que também passeou pelo rap, blues, soul e MPB. E se a proposta era misturar estilos, Criolo parece ter recebido o convite para bagunçar ainda mais a classificação musical.
Criolo chama e Ouro Preto atende

O show de Criolo foi um dos grandes momentos do festival e levou centenas de pessoas para aquela noite ouro-pretana. Antes mesmo de subir ao palco, o rapper já estava encantado com a cidade. “Eu tô muito feliz de estar aqui, agradecer demais a oportunidade de estar aqui. Estamos muito ansiosos. Da hora que eu cheguei aqui até agora, foi só recepção e carinho. As pessoas são amáveis. Olha, essa cidade me conquistou de um jeito que eu não sei explicar”, contou.
E parece que o sentimento foi recíproco. A apresentação ganhou ainda mais força quando Criolo cantou “Codinome Beija-Flor”, de Cazuza. A emoção tomou o público e até quem espiava pela janela entoou a música, dando orgulho a quem com certeza, também espiava lá de cima.

Antes dele, quem abriu os trabalhos foi o Gustavo Figueiredo Trio, acompanhado de Doug, artista de Poços de Caldas. Para parte do público, foi também uma apresentação de descoberta. “Eu não conhecia não, mas ele tem uma voz que arrepia, esse Doug”, comentou uma espectadora. E é justamente aí que está a magia do festival. Você chega querendo ouvir Criolo e termina a noite descobrindo e se apaixonando por um músico que nunca tinha escutado.
Veio pelo Criolo e ficou pela música.
Foi o caso de Sarah e Bruno, de Belo Horizonte. Pela primeira vez no Tudo é Jazz, os dois chegaram à cidade principalmente pelo show de Criolo.“Bom, a gente gosta muito de Ouro Preto, já conhecemos. Viemos principalmente pelo Criolo. Estamos achando a estrutura do evento bem boa, estou bem animada”, contou Sarah.
Mas o casal também aprovou a escolha das homenagens. “A gente gosta bastante do Criolo. Mas o jazz e o tema deste ano, Amy Winehouse e Cazuza, foi lindo, ajuda a compor bem”, avaliou.
Rodrigo Pastor, músico amador, também foi para o show do rapper, mas acabou aproveitando o festival como uma oportunidade para circular por diferentes estilos.
Eu acho super importante render essas homenagens, são artistas importantíssimos pra cena musical. E eu acho que o festival é uma grande oportunidade de conhecer, de ouvir outros estilos. É sempre muito variado o menu que a galera oferece, não só de shows, mas também de outras atrações culturais.
Amy Inthehouse
Se Cazuza ganhou uma interpretação coletiva com Criolo e com o tributo de Saulo Soul, Amy Winehouse também teve sua noite de homenagem.
Com uma semelhança impressionante tanto na voz quanto na presença de palco, Bruna Thielle levou ao público uma apresentação dedicada à cantora britânica. O resultado foi daqueles que fazem a plateia esquecer por alguns minutos que está em Ouro Preto, em 2026, e não diante de Amy em algum palco em meados dos anos 2000.
Ana Carolina, professora presente no festival, resumiu a experiência: “Foi maravilhoso! Obrigada pelo show emocionante e pela simpatia com o público mineiro.”
E, pelo restante da noite, a avaliação parecia ser democrática. Entre uma apresentação e outra, o diagnóstico se repetia e teve até quem quisesse bis.“Eu gostei tanto que queria assistir de novo”, contou uma espectadora.
De Ouro Preto para o mundo
O Tudo é Jazz nasceu em Ouro Preto há 24 anos e, com o tempo, deixou de ser um evento local. Hoje, é considerado um dos dez melhores festivais de jazz do mundo pela revista especializada DownBeat.
Ao longo das edições, já levou mais de 1.700 músicos brasileiros e estrangeiros aos palcos e ampliou sua programação para além dos shows, com oficinas culturais, cortejos e apresentações em teatros e espaços públicos.
Atualmente, o festival também acontece em Belo Horizonte, Congonhas, Ouro Branco, Itabirito e Grão Mogol, sempre com programação gratuita e uma mistura que vai muito além do jazz.




