Mariana (MG), 18 de junho de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
Publicidade
https://agenciaprimaz.com.br/apidata/imgcache/aaf24319bb321fd3c7eb6933b4eb5f74.png

Entrevista Primaz - Gabriel Lima de Souza

Presidente da Assufop fala sobre greve, carreira e democracia universitária

Dois homens sentados frente a frente em um estúdio de podcast revestido com isolamento acústico. Ao centro, sobre uma mesa de madeira rústica, há um microfone, um tablet, óculos e duas canecas com a marca “Primaz”. À esquerda, um homem de camisa polo clara e óculos sorri para a câmera; à direita, um homem de cabelos grisalhos usa camisa verde escura e crachá. Ao fundo, uma televisão exibe o logotipo do programa “Entrevista Primaz”.

Gabriel Lima é graduado em Estatística pela Universidade Federal de Ouro Preto e servidor técnico -administrativo na mesma instituição – Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz

O presidente da Seção Sindical - Associação dos Servidores Técnico-Administrativos da Universidade Federal de Ouro Preto (ASSUFOP), Gabriel Lima de Souza, foi o entrevistado da mais recente edição da Entrevista Primaz. Em conversa com o jornalista Luiz Loureiro, Gabriel abordou temas como a greve dos técnico-administrativos da UFOP, a reestruturação da carreira, as reivindicações históricas da categoria, o futuro do trabalho, a situação dos aposentados e os debates sobre democracia universitária.

Ao longo da entrevista, o dirigente sindical também relembrou sua trajetória no movimento estudantil e sindical, iniciada ainda no ensino médio, na antiga Escola Técnica Federal de Ouro Preto.

Da militância estudantil ao movimento sindical

Gabriel contou que seu interesse pela política surgiu ainda na adolescência, impulsionado pelo contato com o movimento estudantil e com debates sobre sociologia e filosofia política durante os tempos de estudante da antiga ETFOP, atual , atual Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG).

Segundo ele, a atuação no grêmio estudantil e na União da Juventude Socialista (UJS) ajudou a moldar sua visão política e sindical.

Ali uu já me apaixonei pelo debate das ideias e pela transformação social

 Gabriel de Souza

Servidor técnico-administrativo da UFOP desde 2012, Gabriel assumiu a presidência da ASSUFOP em 2021, durante o período final da pandemia de Covid-19. Desde então, está em seu terceiro mandato consecutivo à frente da entidade.
 

A greve de 2024 e os acordos firmados com o governo

Um dos principais temas da entrevista foi a greve nacional dos técnico-administrativos da educação federal em 2024, movimento que, segundo Gabriel, foi resultado de anos de congelamento salarial e de cortes orçamentários nas universidades federais.

Ele lembrou que, entre 2016 e 2022, os servidores federais da educação ficaram sem reajustes salariais, enquanto as instituições enfrentavam redução de verbas e sucateamento estrutural. “Ficamos seis anos com zero reajuste e vendo a educação perder investimentos”, informou Gabriel.

Gabriel destacou que a greve de 2024 teve como eixo principal a reestruturação da carreira dos técnico-administrativos, considerada defasada após quase duas décadas sem mudanças profundas. Entre os avanços obtidos, ele citou a reformulação da tabela de progressão funcional, a redução do tempo necessário para atingir o topo da carreira e reajustes salariais pactuados para 2025 e 2026.

O impasse que levou à greve de 2026

Gabriel Lima de Souza cumpre seu 3º mandato consecutivo à frente da ASSUFOP – foto: Joyce Campolina/Agência Primaz

Apesar dos acordos firmados em 2024, o presidente da ASSUFOP afirmou que diversos pontos ficaram pendentes de regulamentação e implementação, o que levou à nova greve iniciada em 2026. Entre os temas que seguem em disputa estão a jornada de 30 horas semanais, a regulamentação do regime 12 por 60 para trabalhadores em plantão e o Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC).

Segundo ele, a categoria se sentiu frustrada após o governo encaminhar ao Congresso um projeto de lei considerado diferente do que havia sido negociado anteriormente. “O governo apresentou um projeto muito diferente do que vinha sendo discutido”, declarou.

Gabriel classificou o atual movimento paredista como uma “greve de narrativa”, marcada pela divergência entre o entendimento do governo e dos sindicatos sobre o cumprimento do acordo firmado em 2024.

Jornada de 30 horas e o futuro do trabalho

Outro ponto central da entrevista foi a defesa da jornada de 30 horas semanais para os técnico-administrativos. Ao responder a uma provocação do entrevistador sobre a pertinência dessa pauta, no momento político e econômico do país, Gabriel argumentou que a discussão nunca foi tão atual, especialmente diante das transformações provocadas pela tecnologia e pela inteligência artificial no mundo do trabalho.

O mundo do trabalho mudou, mas a jornada continua praticamente a mesma

Gabriel de Souza

Ele relacionou a pauta da categoria ao debate nacional sobre o fim da escala 6x1 e defendeu que os avanços tecnológicos deveriam ser utilizados para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores. “A tecnologia deveria servir para reduzir a carga de trabalho e ampliar a qualidade de vida das pessoas”, destacou o dirigente sindical.
 

A redução do quadro de servidores da UFOP

Gabriel também chamou atenção para a diminuição do número de técnico-administrativos ativos na UFOP.

Segundo ele, a universidade já teve mais de 1.200 servidores da categoria e hoje conta com cerca de 685 trabalhadores na ativa.

O dirigente atribui a redução à aposentadoria de servidores e à extinção de cargos ocorrida nos últimos anos, especialmente após os governos Temer e Bolsonaro.

“A UFOP funciona hoje muito apoiada no esforço dos servidores e no avanço da tecnologia, ressaltou Gabriel, defendendo a chamada “racionalização dos cargos”, com revisão da estrutura funcional e atualização das carreiras de acordo com as necessidades atuais das universidades federais.

A situação dos aposentados

A entrevista também abordou as dificuldades enfrentadas pelos aposentados do serviço público. A esse respeito, Gabriel criticou o tratamento dado aos servidores aposentados e afirmou que falta respeito e reconhecimento à contribuição dessas pessoas para a construção das instituições públicas brasileiras. “O aposentado não é um problema social. É alguém que já deu sua contribuição ao país”, afirmou, alertando, ainda, para os impactos da transição demográfica brasileira e defendeu a necessidade de um debate mais profundo sobre previdência e envelhecimento da população.

Democracia universitária e participação dos técnicos

Ao falar sobre democracia universitária, Gabriel comemorou o fim da lista tríplice para escolha de reitores nas universidades federais, mas afirmou que ainda há muito a avançar. Entre as reivindicações da categoria está a paridade nos conselhos universitários e a possibilidade de técnicos-administrativos concorrerem aos cargos de reitor e diretor de unidade acadêmica. Segundo ele, os três segmentos devem ter participação equilibrada nos espaços de decisão dentro das instituições federais de ensino.

A universidade não funciona sem estudantes, docentes e técnicos administrativos

Gabriel de Souza

 Assista à entrevista completa

A íntegra da entrevista com Gabriel Lima de Souza está disponível nos canais da Agência Primaz no Spotify e no YouTube:
 

Compartilhar

Leia também

E se o Brasil tivesse uma trilha sonora, como ela seria? Cultura

E se o Brasil tivesse uma trilha sonora, como ela seria?

Ouro Preto ganha novo festival com atrações gratuitas imperdíveis Festivais

Ouro Preto ganha novo festival com atrações gratuitas imperdíveis

Um terço da arrecadação do SAAE é gasto em caminhões pipa Política

Um terço da arrecadação do SAAE é gasto em caminhões pipa

Publicidade
/apidata/imgcache/344ad284c9449987f546068863030cfc.jpeg?banner=middle&when=1781794006&who=345