Na edição desta semana da Entrevista Primaz, recebemos Matheus Aredes, especialista em técnicas da medicina tradicional chinesa e fundador do consultório Tang Lang, sediado em Ouro Preto.
Em um bate-papo enriquecedor com Gisele Santoli, Matheus compartilhou sua jornada de transição de carreira, explicou a aplicação da Teoria dos Cinco Elementos na saúde humana e desmistificou práticas milenares como acupuntura, shiatsu, ventosaterapia e moxaterapia.
O despertar para a medicina chinesa e a cura pessoal
Matheus relatou que seu interesse profundo pela área surgiu de uma necessidade pessoal. Trabalhando como fotógrafo e prestando serviços gerais ("faz tudo") no início da pandemia de Covid-19, ele sofreu uma lesão nas costas que não foi resolvida com métodos convencionais na UPA. A melhora significativa só veio após procurar sessões de acupuntura com o Monge Flávio.
Esse momento de cura, aliado à melhora de uma colite através das técnicas orientais, o inspirou a realizar um curso no Mosteiro Pico de Raios. Lá, sob a tutela de grandes referências como a Monja Rossan, Nelci Arenas e o próprio Monge Flávio, Matheus mudou definitivamente sua trajetória profissional.

O "Balé Cósmico" e a Teoria dos Cinco Elementos
Durante a entrevista, o especialista aprofundou-se na base da medicina chinesa, explicando que tudo se baseia na interação entre Yin e Yang, forças que formam um eterno "balé cósmico". Segundo Matheus, os cinco movimentos da natureza – madeira, fogo, terra, metal e água – correspondem a órgãos vitais (fígado, coração, baço, pulmão e rim) e se manifestam em todo o nosso corpo, afetando diretamente as nossas emoções.
Para diagnosticar um paciente através dos cinco elementos, a gente tem que ver, ouvir, sentir e cheirar
Agulhas, ventosas e calor: os caminhos do Qi
Sobre os diferentes tratamentos, Matheus esclareceu que práticas como o shiatsu (pressão com os dedos) e a acupuntura (agulhas) são complementares e trabalham exatamente nos mesmos meridianos — os canais energéticos espalhados pelo corpo.
O objetivo de ambos é manipular o Qi, a nossa energia vital. Ele destacou que o shiatsu pode, inclusive, potencializar o efeito da acupuntura, sendo uma excelente porta de entrada para quem tem aversão a agulhas.
O especialista também explicou o funcionamento de outras terapias: a ventosaterapia, muito procurada por atletas para aliviar estagnação de sangue na musculatura após grandes esforços, e a moxaterapia, que utiliza o calor de ervas (como a artemísia) para retirar frio e umidade do corpo, estimulando a circulação.

O impacto da estética e o cuidado com a mente
Um dos momentos mais curiosos da conversa abordou os perigos de certas modificações corporais. Matheus alertou que piercings em áreas específicas, como orelha, rosto e, principalmente, no umbigo, podem afetar pontos cruciais de acupuntura.
O umbigo está próximo ao "mar do Qi", o centro de energia do corpo humano, e um piercing nessa região pode desequilibrar toda a formação energética que une o Yang do céu com o Yin da terra.
Para manter a saúde mental e afastar o "vento perverso" (associado ao estresse, ansiedade e depressão), o terapeuta receitou atitudes incrivelmente simples que esquecemos no dia a dia:
Espreguiçar-se sempre ao acordar;
Evitar consumir líquidos muito frios;
Praticar exercícios de respiração profunda (como o Qigong), levando a cabeça para trás para ajudar a oxigenar o cérebro;
Preservar ativamente a qualidade do sono.
A nossa vida tá tão agitada que a gente esqueceu do que é orgânico pra gente, do que é nosso padrão de vida que a gente precisa para viver
A íntegra do papo, onde Matheus ainda conta casos impressionantes de cura no consultório Tang Lang e detalha sua participação em eventos terapêuticos sem álcool, está disponível no vídeo abaixo, no Spotify e o áudio está disponível em todas as plataformas de podcast:

