Mariana (MG), 5 de setembro de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
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Famílias de pessoas desaparecidas podem fazer coleta gratuita de DNA

Mobilização nacional segue até 28 de agosto e busca ampliar as possibilidades de identificação e localização por meio do cruzamento de perfis genéticos

A imagem é uma fotografia tirada em um laboratório. No primeiro plano, à direita, há uma mulher em pé, de costas, que usa touca e jaleco branco, luvas de procedimentos azuis e uma máscara facial. Nas costas de seu jaleco, está escrito em semicírculo em letras pretas "PERÍCIA CRIMINAL". Ela está olhando para o alto e segura algo entre os dedos indicador e polegar da mão esquerda. Ela parece estar em um corredor formado por mesas de laboratório.


À esquerda, há uma pia de aço inoxidável com bica média e ao lado estão duas garrafas plásticas transparentes de pisseta com a tampa de rosca amarela. À direita dessa pia, há um bloco de papel toalha. Atrás de onde está a mulher, há uma mesa de laboratório onde estão prateleiras de tubos de ensaio brancos e vermelhos e um monitor de computador. Na parede ao fundo, há um relógio analógico branco e uma imagem religiosa.


Do lado oposto de onde ela está em pé, há um homem também em pé que usa jaleco e touca brancos. Nas costas do jaleco dele também está escrito "PERÍCIA CRIMINAL". Ele está de costas para a mulher e olhando para os aparelhos de laboratório na bancada.


Atrás do homem, na bancada há um liquidificador branco e mais prateleiras com materiais de laboratório. No canto esquerdo, há outra pia e um aparelho que parece ser uma centrífuga.


A iluminação é direta e ambiente.

Informações genéticas podem contribuir para encontrar o ente querido desaparecido - Foto: Divulgação/PCES

Entre os dias 24 e 28 de agosto, aqueles que convivem com a angústia do desaparecimento de um ente querido têm uma oportunidade crucial para obter respostas. Trata-se da Mobilização Nacional de Coleta de DNA, uma iniciativa que utiliza a tecnologia genética de ponta para cruzar dados e identificar pessoas em todo o país. 

É importante destacar que, mesmo que o desaparecimento tenha ocorrido em outra cidade ou estado, os familiares residentes em nossa região podem realizar a coleta aqui mesmo, transformando a dor da incerteza em um caminho concreto para o reencontro.

Para que essa tecnologia funcione e traga o alento esperado às nossas famílias, a participação ativa dos parentes biológicos é o passo mais importante em todo o processo.

Quem pode participar

A identificação por DNA depende da proximidade genética. Por isso, a mobilização convoca os familiares biológicos de primeiro grau. O cruzamento de dados alcança o maior índice de precisão quando segue uma hierarquia de preferência, garantindo que o banco de dados tenha informações sólidas para o confronto genético.

A ordem de preferência para a coleta em nossa comunidade é:

  • 1º Grupo: Pais biológicos (Pai e mãe do desaparecido).
  • 2º Grupo: Filhos biológicos (Se possível, acompanhados do outro genitor da pessoa desaparecida para refinar o cruzamento).
  • 3º Grupo: Irmãos biológicos (Filhos do mesmo pai e da mesma mãe).

Essa hierarquia é fundamental porque o DNA de parentes diretos compartilha uma porcentagem significativamente maior de informações genéticas, facilitando o chamado "match" (comparação positiva) nos bancos de dados estaduais e nacionais.

A simplicidade de quem pode doar é acompanhada por um procedimento técnico igualmente acessível, rápido e acolhedor.

Simples e indolor

A coleta de DNA para esta finalidade é totalmente indolor. Não há necessidade de retirada de sangue, o que torna o processo tranquilo para idosos e pessoas com sensibilidade a exames clínicos. O perito utiliza apenas um "cotonete" especial (swab) na parte interna da bochecha para coletar células da mucosa bucal.

Esse material é transformado em um perfil genético e inserido nos bancos de DNA. A busca é ampla: o perfil da família é comparado com dados de pessoas localizadas em todo o Brasil — sejam elas encontradas vivas (mas sem identificação) ou falecidas.

Para os cidadãos de nossa região que possuam limitações de locomoção, idosos acamados ou pessoas com deficiência que não possam se deslocar até um posto, a orientação é entrar em contato com a unidade de coleta mais próxima para que a equipe avalie como viabilizar o procedimento de forma alternativa.

Após entender que o processo é rápido e seguro, o próximo passo para o cidadão marianense é organizar a documentação e os materiais necessários.

O que levar e como proceder

Para garantir a validade jurídica e científica da doação, o familiar deve comparecer ao posto com Documento de Identidade - RG ou documento oficial com foto do familiar doador. Informações do Boletim de Ocorrência (BO), é essencial informar ainda o número do BO, o estado onde foi registrado e a delegacia responsável. Embora não seja obrigatória, a cópia física do BO agiliza o atendimento no posto.

O registro do Boletim de Ocorrência é obrigatório para participar. Caso o desaparecimento ainda não tenha sido formalizado, procure a Delegacia de Polícia Civil de Mariana para realizar o registro antes ou durante o período da campanha.

Além dos documentos, podem ser entregues itens de uso pessoal do desaparecido que possam contribuir com sua identificação, como: escova de dente, aparelho de barbear, dente de leite ou cordão umbilical.

Pontos de coleta

A Mobilização Nacional conta com 342 postos em todo o país, funcionando como uma rede de solidariedade. Como a doação é um ato de cidadania gratuita, ela pode ser feita em qualquer ponto credenciado.

Em nossa região, as pessoas devem procurar a Delegacia Regional de Polícia Civil de Ouro Preto, na Avenida Juscelino Kubitschek, 63, Bauxita. O telefone da unidade é o (31) 35515644.

Todo o procedimento, da coleta ao processamento laboratorial, é totalmente gratuito e quem já realizou a doação de DNA em edições anteriores não precisa repetir o processo; seus dados já estão protegidos e ativos no banco nacional. Este esforço coordenado é, acima de tudo, uma ação humanitária para dar um fim digno a anos de incertezas.
 

Esperança

A quarta edição desta força-tarefa, realizada em memória ao Dia Internacional das Vítimas de Desaparecimento Forçado, reforça o compromisso do Estado com o direito à identidade. Caso o cruzamento genético resulte em uma identificação positiva, um laudo oficial será elaborado e a equipe policial entrará em contato direto com a família para orientar sobre todos os procedimentos legais e humanos necessários.

A ciência está a serviço do reencontro e do encerramento de ciclos dolorosos. Participar desta mobilização é um ato de esperança e cidadania para que as famílias de Mariana possam, finalmente, encontrar as respostas que tanto buscam.

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