O bairro Santo Antônio, conhecido também como Prainha, tem uma casa que se destaca em meio às outras, suas paredes são desenhadas, ela é mais colorida e, recentemente, o seu passeio e a rua foram pintadas para a Copa do Mundo.
A casa é a sede da Associação Alferes, local que oferece atividades no contraturno escolar para 43 crianças e adolescentes do bairro. A associação existe há mais de 12 anos e oferece desde aulas de reforço, rima, música e audiovisual.
O que é o Alferes
Vanderley Lúcio de Oliveira, 60 anos, militar aposentado, é o presidente e idealizador da associação. A ideia de Vanderley para começar com a associação surgiu durante a sua rotina como policial em Mariana. Segundo ele, em determinado momento da sua atividade, ele percebeu que recebia um alto número de ocorrências envolvendo crianças e adolescentes. Na época, ele trabalhava em uma sessão que produzia estatísticas sobre as ocorrências registradas.
Tinha um grande número de ocorrências aqui em Mariana envolvendo crianças e adolescentes como vítimas, ou até mesmo como usuários de entorpecentes, eu fiquei muito preocupado com essas situações e outras também de casos de pequenos furtos. Eu fui buscando informações sobre esses casos, vi que um grande número de crianças dessas envolvidas nessas ocorrências estavam muito ociosas e outras em grande vulnerabilidade. Aí eu comecei a pensar e vi que tinha que ter alguma coisa a ser feita com elas.
Por coincidência, a maior parte das ocorrências chegavam do bairro Santo Antônio. Após a coleta dos dados, Vanderley abriu a associação, mas naquela época, em meados de 2010, ela recebeu o nome de Projeto Alferes e começou na Rua Wenceslau Braz, através de uma parceria com a antiga Casinha de Jesus, Maria e José.
Em 2014, ela deixou de acontecer na Wenceslau Braz e passou a realizar suas atividades no bairro Santo Antônio, em uma casa que pertence à Arquidiocese de Mariana.
Segundo Vanderley, as maiores dificuldades que a associação enfrenta são em relação ao financeiro, por ser uma instituição sem fins lucrativos é difícil encontrar voluntários para ajudar na rotina.

Novas crianças, novos adolescentes, novo mundo
A rotina das crianças e adolescentes acontece no contraturno escolar - das 7h às 11h e das 13h às 17h. De segunda a quinta, os alunos chegam, realizam suas atividades, comem o seu lanche, brincam e depois retornam para casa. No meio do entusiasmo de tantas crianças e adolescentes, os monitores, colaboradores e coordenadores realizam o seu trabalho.
Pedro Vinícius, de 28 anos, é monitor do projeto esportivo do Alferes, para ele, a associação trabalha para que as crianças e adolescentes possam enxergar um mundo mais colorido, divertido e com mais possibilidades. “A gente pode dizer, minimamente, que a gente tenta evitar que essas crianças fiquem com tanto tempo ocioso, que elas se percam em algumas outras vulnerabilidades que a gente possa ter dentro da comunidade e da região toda.”, disse Pedro.
Taciane Rocha, de 33 anos, trabalha há sete na associação e nos últimos quatro anos, ela se aproximou mais dos serviços de coordenação, junto ao Vanderley.
A coordenadora relembra, através de uma ex-aluna da associação, a importância das atividades feitas e da participação social no desenvolvimento de crianças e adolescentes. “Tem um caso de uma adolescente que chegou aqui de fora [da cidade], ela chegou aqui grávida,14/16 anos e através do projeto ela mudou a mente. Ela socializou mais com as crianças, com as pessoas que trabalhavam aqui. Hoje ela tem uma a bebê e sempre tá passando por aqui, não esqueceu da gente e a mãe dela sempre nos agradece por isso. Pelo contato que tivemos com ela.”, conta Taciane.

A princípio, a ideia de uma associação que ensina e cuida de crianças e adolescentes parece comum e, até mesmo simples. Mas no fundo, o que a Associação Alferes faz é cuidar, proteger, brincar e oferecer aos seus alunos a segurança e o bem viver, reforçando o papel da sociedade com as crianças e adolescentes.
Na associação, o que verdadeiramente importa é o coletivo, segundo o presidente, “o trabalho da associação não ajuda somente as crianças, mas a toda uma comunidade e cidade.”, conclui.


