Mariana (MG), 18 de junho de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
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Hip-Hop: Projeto Alferes promove a 1º batalha de crianças na Prainha

O evento aconteceu na quadra da Escola Municipal Wilson Pimenta e encantou todos os presentes

Primeiro Plano:
Duas meninas estão de costas para a câmera. A menina da esquerda usa uma camiseta amarela e calça jeans, e parece estar sussurrando algo no ouvido da outra menina, que veste um casaco de frio cinza texturizado.
À direita, um homem adulto de pele escura e cabelos longos amarrados está levemente inclinado em direção às crianças. Ele veste um casaco de moletom azul-claro com capuz, que traz a marca "vivo" estampada na manga, e calça escura. Ele segura um celular na mão esquerda.
Segundo Plano e Fundo:
Outras crianças estão espalhadas pela quadra. À esquerda, dois meninos estão sentados em cadeiras amarelas: um com camiseta preta e óculos, e outro com uma camisa de futebol azul.
No centro, um menino com a camisa amarela da seleção brasileira de futebol olha em direção às meninas.
Mais ao fundo, à direita, há bicicletas e outras pessoas sentadas ou em pé.
A estrutura da quadra possui grades de proteção brancas ao fundo, colunas de metal e um piso demarcado com linhas amarelas.
A iluminação do ambiente é quente e suave, criando uma atmosfera descontraída de atividades comunitárias ou esportivas.

Últimas duplas a se apresentarem na Batalha da Prainha - Foto: Maria Clara Cardoso/Agência Primaz

Pela 1ª vez aconteceu a Batalha da Prainha voltada para as crianças de Mariana, a iniciativa foi elaborada pelo Projeto Social Alferes e por meio do educador e MC Aquiles o Poeta.

A batalha foi realizada no sábado (30), na quadra da Escola Municipal Wilson Pimenta e promoveu para as crianças e adolescentes um momento de inclusão na cultura e cena do hip hop marianense. 

As crianças encantaram o público presente com suas rimas e improvisos. No final do evento, elas se reuniram ao professor Aquiles para apresentar duas músicas ao público presente.

“Rimas em 3…2…1… RIMA!”
No meio de gritos para chamar as rimas e o “juliet” na cabeça, cordão de ouro no pescoço, camisa do Brasil e crianças empinando as bicicletas, a batalha aconteceu. 
Após o par ou ímpar para decidir que iniciava a batalha, as duplas se revezavam em cada rima e uma após a outra, a batalha se construía em rimas e respostas.
O professor Aquiles foi o Mestre de Cerimônia, responsável por mediar cada batalha. Segundo ele, aquele era um lugar que ele “precisava estar”, como professor das crianças era necessário mostrar que ele estava se expondo, para que elas se sentissem confortáveis em se expor também.

Eu fiquei muito feliz de ver eles rimando. Teve vários ali que na oficina, às vezes, não rimava, mas que no evento rimou e se expressou. Mesmo que a gente tente colocar eles nesse lugar de improviso. Não como uma coisa para ser bullying, uma forma de ofender, mas uma coisa para obrigar eles a pensar mesmo em respostas que o outro coloca ali como desafio, né? E eu senti que eles evoluíram muito nisso, assim, fiquei feliz demais

Aquiles o Poeta, MC e professor

As rimas e improvisos das crianças trouxeram referências das suas vivências, desde de cantigas infantis até o meme “six seven” ou “- 1000 de aura”. Kamilly é uma das crianças que participam do projeto e estava presente na batalha, para ela, o significado do rap é “rimar e brincar”, o que se conecta com o propósito da batalha, deixar com que eles guiem o que querem dizer. 

Enquanto acontecia a batalha, algumas crianças aproveitavam o espaço para brincar e andar de bicicleta - Foto: Maria Clara Cardoso/Agência Primaz

“Rap é compromisso, não é viagem”
No final do evento, o professor deu a deixa para que seus alunos pudessem se expressar fora do limite da batalha e, um dos meninos, disse a clássica frase que ecoa por muito anos no hip hop, “o rap é compromisso”.
A frase foi dita por Sabotage em 2001 e deu título a um álbum e uma canção do artista. Desde então, ela simboliza o comprometimento do rap em denunciar a violência sofrida pelos moradores de áreas periféricas. O ditado também retrata o entendimento que o rap, como uma parte da cultura do hip hop, dá a voz para uma parcela mais reprimida da população. 
Segundo Aquiles, quando as crianças rimam, elas estão nesse lugar da pedagogia, de aprender sobre o respeito com o outro e sobre a postura de MC.
O evento foi marcado pela diversão e pertencimento das crianças da Prainha, mostrando que o hip hop também é o lugar delas. 
Joviano Gonçalves é morador do bairro e professor de música, segundo ele, o evento foi importante para contribuir com a identidade das crianças usando a música e retratar a realidade sofrida por elas no bairro. 

Fala muito também da necessidade também, do descaso também do poder público com o bairro. E eu vejo assim que é também um meio também de trazer as pessoas de fora para dentro do bairro. E é uma cultura também viva, né? É o hip hopAUTOR: Joviano Gonçalves, Professor de música

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O evento encerrou com as crianças apresentando duas canções, carregadas com denúncias sobre os problemas enfrentados pelo bairro Santo Antônio “E a água lá do bairro? Nada, nada. Investimento e cultura? Nada, Nada.”.

 

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