Mariana (MG), 30 de abril de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
Publicidade
https://agenciaprimaz.com.br/apidata/imgcache/7fddd19ef1a90a3e4e7f5a1709fcb956.webp

Fumaça foi causada por instabilidade das caldeiras, diz empresa à Prefeitura de Ouro Preto

A Alumina Chemical Technology S/A (ACTECH), sucessora da Hindalco, encaminhou à Prefeitura de Ouro Preto, nesta segunda-feira (12), uma nota de esclarecimento a respeito das causas da fumaça densa e preta que foi avistada nos bairros Vila dos Operários e Saramenha na última semana. De acordo com a empresa, o motivo para a emissão foi “a interrupção na produção de vapor [que] afetou o funcionamento apropriado do forno B, gerando excesso de CO2”. De acordo com a empresa, a instabilidade das caldeiras foi resolvida e, desde o dia seguinte ao ocorrido, os equipamentos funcionam normalmente.

Vídeo mostra fumaça intensa saindo da chaminé da empresa no bairro Saramenha, no último dia 05

Morador registra intensa fumaça na empresa ACTECH. Foto: Wanderley Martins Barbosa/Reprodução Facebook

A empresa aproveitou o espaço para reafirmar seu compromisso com a sustentabilidade em Ouro Preto e anunciou que está implementando uma nova fonte de energia “mais limpa“:

“Além de um programa de treinamento e intertravamentos que evitarão que esse episódio se repita, um estudo para substituição do óleo bpf por uma matriz mais limpa, sustentável e eficiente, já foi contratado e será entregue nas próximas semanas. Cabe ressaltar, ainda, o comprometimento total da direção da empresa com os controles ambientais, segurança e manutenção de seus equipamentos, assim como na construção de uma frente de diálogo e relacionamento fraternal com toda a comunidade ouropretana“.

Na semana passada, um vídeo ganhou destaque nas redes sociais, mostrando uma intensa fumaça preta sendo dispersada em uma das chaminés da ACTECH. O despejo de CO2 intensificou os debates sobre os riscos à saúde e o impacto ambiental da fábrica para o município.

Riscos ambientais já vinham sendo debatidos na Câmara

A nota chega menos de uma semana após o vereador Matheus Pacheco (PV) entrar com representação, a ser encaminhada ao Ministério Público, solicitando informações quanto ao cumprimento do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), assinado em 2021, pela Hindalco. Com o TAC, uma série de tratativas foram firmadas junto ao Ministério Público para que a empresa pudesse seguir funcionando

O acordo foi firmado após o Ministério Público emitir um laudo, com mais de 70 páginas, apontando uma série de irregularidades envolvendo o licenciamento ambiental da empresa, o modo de operação e os impactos socioambientais para o município.

Na 56ª reunião ordinária da Câmara, realizada na quinta-feira (08), vereadores mostraram preocupação com o atual modo de funcionamento da fábrica. Alessandro Sandrinho (Republicanos) disse ter preocupações quanto ao futuro dos moradores dos bairros do entorno e dos próprios trabalhadores que passam o dia debaixo da fumaça emanada pelas chaminés.

Já Matheus Pacheco, vereador autor da representação, se mostrou preocupado com a população com saúde mais vulnerável, como os idosos dos bairros adjacentes, e com as crianças que frequentam a Escola Municipal Tomás Gonzaga e a Creche Municipal Colmeia, ambas instaladas próximo a empresa, submetidas a longos períodos de exposição à poeira vinda da produção de alumina.

Publicidade
/apidata/imgcache/e9bd5514f213916015e37de1ab9ceab3.jpeg?banner=postmiddle&when=1777574934&who=345

Em 24 de maio, durante a 30ª reunião ordinária da Câmara de Ouro Preto, o vereador Matheus Pacheco já havia encaminhado representação à empresa ACTECH solicitando informações quanto à concretização do TAC firmado pela Hindalco.

Em 2021, a Câmara Municipal realizou a 40ª Audiência Pública para que a Hindalco prestasse esclarecimentos sobre o impacto ambiental da empresa na população, fauna e flora ouropretana.

Fábrica tem histórico de impactos socioambientais

Em março deste ano, a antiga Hindalco, pertencente ao grupo indiano Aditya Birla, foi vendida por R$1 para a empresa mineira Terrabel Empreendimentos. Em plenário, na 56ª reunião da Câmara, o vereador Luciano Barbosa (MDB) disse que a venda da empresa aparentava ter como objetivo fugir de certas responsabilidades, já que o modo de operação da fábrica parecia não ter sido modificado.

Apesar da nova gestão e do novo nome, a fábrica tem um longo histórico de violações socioambientais na cidade. Em setembro de 2021, moradores dos bairros Vila Operária e Saramenha, ambientalistas, biólogos e pesquisadores denunciaram a emissão de particulados expelida pela fábrica no ar e no lençol freático que alimenta o Córrego da Varjada. O pó de cor branca emitido pela produção de alumina é o que mais incomoda os moradores da região.

Entre os meses de maio e junho deste ano também era possível avistar a fumaça recobrindo os bairros no entorno da fábrica. Ementrevista concedida à Agência Primaz, o presidente da Associação dos Moradores da Vila Operária, Luiz Carlos Teixeira, afirmou que a população lutava pela redução, filtragem e monitoramento da emissão de poluentes da empresa.

O Termo de Ajustamento assinado em 2021 teve vencimento em março de 2022. No blogOperário Verde, André Lana, morador do bairro Vila Operária e advogado, resumiu a situação atual: “(…)a fábrica de Saramenha está funcionando atualmente sem licenciamento ambiental, com o TAC vencido, sem os pressupostos legais para manutenção do alvará de funcionamento, sem cumprir o mínimo do que fora pactuado nos últimos anos como condicionantes… enfim, é a prova viva de que não há lei nessa terra, onde tudo pode ser feito com dinheiro e lobby político!”.

Lana vinha atualizando o site desde 2012, com informações e denúncias referentes ao modo de operação da empresa. Mas, em postagem feita na primeira sexta-feira de setembro (02), anunciou o encerramento do blog com um desabafo dizendo admitir sua derrota frente a empresa. “Peço desculpas aos leitores do blog, mas é chegado o momento de reconhecer a derrota. Não há mais o que fazer, nem a quem recorrer. Conformem-se com a poluição, o barulho, os subempregos e a degradação socioambiental, pois é isso que as nossas autoridades desidiosas estão dispostas a manter, mesmo que ao arrepio da lei”, desabafou.

Compartilhar

Leia também

Concessão de título a Camilo Santana gera crise e divide opiniões na UFOP UFOP

Concessão de título a Camilo Santana gera crise e divide opiniões na UFOP

Justiça para o Botafogo: MPF pede fim da mineração em vitória histórica Botafogo

Justiça para o Botafogo: MPF pede fim da mineração em vitória histórica

Vereador cobra plano para conter alto custo de vida em Mariana Política

Vereador cobra plano para conter alto custo de vida em Mariana

Publicidade
/apidata/imgcache/c52547f42e2702ac5f48f6d2ed67d74a.jpeg?banner=middle&when=1777574934&who=345