Entre os dias 30 de junho e 3 de julho, aconteceu a IV Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária (IV JURA UFOP) com atividades em diversas unidades e institutos da UFOP nos campi de Ouro Preto e Mariana.
O evento é feito coletivamente pela Associação dos Docentes da UFOP (ADUFOP), pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e pelo Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM) e conta com o apoio de vários grupos de estudo, pesquisa e extensão da UFOP.
Além disso, a jornada faz questão de ser uma extensão, ou seja, juntar a universidade com a comunidade, com os eventos sendo abertos ao público. A oficina de panificação, por exemplo, ocorreu dia 1 de julho e foi exclusiva para a comunidade de Cafundão.

Cultura e reforma agrária
O primeiro dia contou com uma sessão de cinema do Cine Faísca antes da abertura para que os participantes entrassem no clima da Reforma Agrária com os filmes “LGBT Sem Terra: o amor faz revolução” e “Transexualidade, Travestilidade e Reforma Agrária Popular”.
Em seguida a abertura oficial da jornada aconteceu com a participação dos Simpósio Nacional de Jornalismo Investigativo e uma Mesa-Redonda com os órgãos que realizam o evento e representantes de universidades e movimentos sociais: Vanessa Juliana (UFVJM), Representantes do MST, Giselle de Castro (MAM) e Leonardo Nogueira (UFOP).
Alimentação e comunidade
Já na quarta, foi a vez da ENUT receber a Jornada com a feira agrária e a oficina de quitandas mineiras do Núcleo de Pesquisa e Extensão em Desenvolvimento Econômico e Social UFOP (NUPEDES) com as mulheres do Cafundão, localizada no distrito de Cachoeira do Brumado. O núcleo já está em processo de capacitar essas mulheres para que possam ter a própria fonte de renda na cozinha comunitária que estão construindo na comunidade.

Marisa Singulano, professora responsável pelo projeto de extensão explicou que Cafundão é uma comunidade tradicional, mas também uma assentamento de reforma agrária e que aos poucos estão tentando aproximar o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do assentamento.
“Então esse projeto chama Alimentando Futuro, geração de trabalho e renda para mulheres do assentamento Cafundão. a gente ajudou elas a escrever um projeto primeiro para captar recursos. Aí elas conseguiram um apoio privado para construir uma cozinha comunitária. Esse ano vai ficar pronta e a ideia é que elas vão produzir quitandas para comercializar e gerar renda.”
A Escola de Nutrição contou também com a oficina “Tempo-Espaço: A feitura da paçoca de amendoim" com Edimilson Nunes, natural de Guiné Bissau e Maurício Leonard natural de Minas Gerais. O professor Maurício explicou que antes fazia a oficina sozinho, mas conversando com Edmilson, descobriram que a paçoca é um feito ancestral e afetuoso para os dois. Agora a oficina leva o nome de “Tempo-Espaço” para falar da ancestralidade familiar e sobre o território de onde vieram.
“Ê pilão quero ver pilar, ê pilão quero ver pilar”

As paçocas então foram feitas em meio a cantigas tradicionais, histórias sentimentais e foram servidas separadamente, uma com banana e canela, a outra com iogurte natural, cada uma seguindo suas próprias tradições.
Além disso, a Feira Agrária durou o dia inteiro colorindo o local e as compras de quem passasse por lá.

No ICSA ocorreram palestras com temas variados e importantes: "Agricultura familiar, gênero e autonomia na região dos Inconfidentes" com a professora Fernanda Faria, "A Questão Agrária no Território dos Inconfidentes e seus impactos sobre a população camponesa e quilombola" com Vittor Policarpo (PPGHis), Ana Luiza Morais Soares (DEABI) e Marcelo Loures dos Santos (DEEDU) e a mediação de Adriane Cristina de Melo (GEMA/UFOP).
Artes e política
Na quinta, a Feira Agrária apareceu novamente, mas dessa vez no ICSA. Adailton, militante do MST, explicou a uma das compradoras o motivo do café servido e vendido ser mais claro.
“Nós fazemos questão de separar o café e não torrá-lo para ter um sabor melhor e ser mais saudável - Adailton
“Nós fazemos questão de separar o café e não torrá-lo para ter um sabor melhor e ser mais saudável'
O Minicurso "Pesquisar a Luta: como usar fontes de movimentos populares?" com Monyse Ravena, jornalista do Brasil de Fato, também ocorreu com a presença do professor Leonardo Nogueira.

Ao mesmo tempo, no ICHS ocorria outro Minicurso: "Fundamentos e princípios em Educação Escolar Quilombola, Indígena e Camponesa: desafios para a equidade e para a diversidade", com Janete Flor de Maio (DEETE/CEAD), Ana Luiza Morais Soares (DEABI) e Marcelo Loures dos Santos (DEEDU).

Em Ouro Preto, o Departamento de Artes Cênicas realizou em conjunto com o Coletivo Motim de teatro político, oficinas abertas ao público sobre jogos teatrais e multimídias para esclarecer as pontes entre a reforma agrária e o teatro.
O encerramento ocorreu no ICSA, no dia anterior à visita ao assentamento de Nova União, com uma Mesa sobre "A criminalização da luta pela terra no Brasil e o papel da comunicação popular" contando com a presença de Monyse Ravenna (Brasil de Fato), de Mayra Souza (Movimento pela Soberania Popular na Mineração) e de Deputada Estadual Bella Gonçalves.
Além disso, aconteceu ainda uma vivência no Assentamento Ho Chi Minh do MST, para que os participantes pudessem entender a reforma agrária na prática.



