Mariana (MG), 30 de abril de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
Publicidade
https://agenciaprimaz.com.br/apidata/imgcache/b1c0541e4e2744f43b5953b21e86eaba.webp

Mariana recebe ato em defesa da soberania nacional

Mobilização responde à sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelo presidente dos Estados Unidos

Manifestantes em Mariana se reúnem em ato pelo fortalecimento da soberania nacional diante da sobretaxa imposta pelos Estados Unidos - Foto: Lui Pereira/ Agência Primaz

Movimentos populares, centrais sindicais, partidos de esquerda e entidades estudantis realizam nesta sexta-feira (01), às 16h, no Terminal Turístico de Mariana, o Ato em Defesa da Soberania Nacional. A atividade integra a mobilização convocada por organizações sociais em todo o país contra a sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelo governo dos Estados Unidos, que estava inicialmente prevista para entrar em vigor nesta data.

A mobilização em Mariana faz parte de um conjunto de atos em diversas cidades brasileiras, organizados por partidos, sindicatos e movimentos estudantis, em articulação com o calendário aprovado no 60º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), realizado em julho na Universidade Federal de Goiás.

A União Nacional dos Estudantes (UNE) aprovou uma mobilização nacional para o dia 1º de agosto. A deliberação ocorreu durante o 60º Congresso da entidade (Conune), realizado entre os dias 10 e 14 de julho, na Universidade Federal de Goiás. A mobilização tem como eixos centrais a defesa da soberania nacional e o enfrentamento ao extremismo político.

A convocação dos atos foi motivada pelo anúncio do governo dos Estados Unidos sobre a imposição de tarifas de até 50% a produtos brasileiros. A UNE considera que a medida representa um ataque à soberania do país e um boicote a setores estratégicos da economia brasileira.

Segundo Patrícia Ramos, presidente do diretório municipal do PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado), um dos organizadores do ato, a decisão dos EUA “trata-se de um evidente ataque do imperialismo sobre a soberania e independência nacional”, que tem por objetivo “aprofundar a dominação dos EUA sobre o Brasil, aumentando as vantagens das empresas estadunidenses que super exploram os trabalhadores e saqueiam nossas matérias-primas”. Para a dirigente, a sobretaxa também carrega uma dimensão política, pois “vem com a justificativa de defender o ex-presidente golpista Jair Bolsonaro, numa explícita interferência no processo político nacional”.

Manifestações em Mariana

A escolha de Mariana como palco da manifestação foi considerada estratégica, já que a cidade está diretamente ligada à economia mundial pela mineração. Patrícia explica que o ato busca pressionar o governo a reagir, mas também ultrapassa essa dimensão. Para ela, enfrentar o imperialismo passa por medidas como a proibição das remessas de lucros de multinacionais e a revisão dos subsídios concedidos à mineração.

O partido acredita que a mobilização pode fortalecer a indignação popular contra a medida norte-americana e reforçar a necessidade de um projeto que defenda os interesses da população local. “Nossa expectativa é dialogar ao máximo com a população para aumentar a pressão em defesa da soberania nacional”, destacou.

Publicidade
/apidata/imgcache/e9bd5514f213916015e37de1ab9ceab3.jpeg?banner=postmiddle&when=1777562453&who=345

A presidente também ressaltou a importância da cooperação entre diferentes organizações sociais, estudantis e sindicais na construção do ato. O PSTU defende a união em torno da luta contra o imperialismo, mantendo a independência política e de classe.

A realidade de cidades como Mariana e Ouro Preto, profundamente impactadas pela mineração, também se conecta à pauta nacional. Ainda segundo Patrícia Ramos, as grandes empresas transnacionais levam riquezas e deixam “baixos salários, devastação ambiental e subsídios financiados pelo próprio povo”. Nesse sentido, a defesa da soberania inclui discutir um novo modelo de exploração mineral, que priorize a gestão coletiva das riquezas por trabalhadores e comunidades.

A participação da juventude estudantil e dos sindicatos locais também é vista como fundamental. A aliança entre esses setores, segundo o PSTU, fortalece a resistência, já que os efeitos da tarifa podem impactar tanto a vida cotidiana — com aumento da carestia — quanto áreas estratégicas, como educação e mineração. O calendário inclui ainda atos em frente ao Banco Central, protestos pelo Dia do Estudante, em 11 de agosto, e um plebiscito popular por justiça fiscal e social.

Para Ramos, o recado da mobilização precisa ser firme diante da ofensiva norte-americana: “Fora Trump do Brasil! Bolsonaro na prisão!”, conclui.

Mobilização prevê articulação com movimentos sociais

A UNE anunciou que os atos de 1º de agosto devem contar com a participação de organizações sociais, entidades estudantis e movimentos populares. A entidade citou a Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo como parceiras na convocação. As manifestações devem ocorrer em diversas cidades do país.

Na última semana de agosto, a UNE ainda coordena um mutirão nacional de mobilização e votação do Plebiscito Popular por Justiça Fiscal e Social. O resultado da consulta será entregue ao Congresso Nacional e ao governo em setembro.

Compartilhar

Leia também

Concessão de título a Camilo Santana gera crise e divide opiniões na UFOP UFOP

Concessão de título a Camilo Santana gera crise e divide opiniões na UFOP

Justiça para o Botafogo: MPF pede fim da mineração em vitória histórica Botafogo

Justiça para o Botafogo: MPF pede fim da mineração em vitória histórica

Vereador cobra plano para conter alto custo de vida em Mariana Política

Vereador cobra plano para conter alto custo de vida em Mariana

Publicidade
/apidata/imgcache/c52547f42e2702ac5f48f6d2ed67d74a.jpeg?banner=middle&when=1777562453&who=345