Mariana (MG), 19 de julho de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
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Ministro da saúde anuncia pacote bilionário para cidades atingidas

Ministro Alexandre Padilha anuncia novos recursos, hospital universitário e frota de veículos para municípios atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão

A tarde da última segunda feira, foi marcada pela entrega simbólica de R$825,7 milhões para 104 novos serviços do SUS, em um repasse para 49 municípios em Minas Gerais e Espírito Santo - Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz

Onze anos após o rompimento da barragem de Fundão, a saúde pública voltou a ocupar o centro do debate sobre reparação nos territórios atingidos da bacia do Rio Doce. Em um Centro de Convenções lotado por representantes de comunidades, conselheiros de saúde, lideranças quilombolas, prefeitos e autoridades federais, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou nesta quinta-feira (11), em Mariana, um novo pacote de investimentos voltado aos municípios impactados pelo desastre.

O anúncio inclui o repasse de R$ 243 milhões para os planos de ação em saúde dos 49 municípios contemplados pelo Programa Especial de Saúde do Rio Doce (PES-Rio Doce), além disso, foi assinada a autorização de R$ 284 milhões para a construção do Hospital Universitário de Mariana e a entrega de 70 veículos destinados ao transporte de pacientes, atendimento de urgência e fortalecimento dos Conselhos Municipais de Saúde.

Ao longo da cerimônia, o discurso predominante foi o de que a reparação não será capaz de apagar os impactos do rompimento, mas pode deixar estruturas permanentes para as próximas gerações. "Estamos cuidando da saúde dessa população que foi afetada por um crime bárbaro, um crime ambiental gravíssimo", afirmou Padilha durante o evento.
 

Da tragédia ao investimento permanente

Os recursos anunciados fazem parte da repactuação firmada em 2024 entre o Governo Federal, estados e empresas responsáveis pelo desastre-crime. Segundo o ministro, o novo acordo ampliou significativamente os valores destinados à saúde.

 

O presidente Lula se recusou a assinar aquele acordinho que estava sendo proposto. Conseguimos um acordo que colocou 16 vezes mais recursos para a saúde

  Alexandre Padilha, Ministro da Saúde

 

Em clima amistoso, Juliano Duarte e ministro da saúde Alexandre Padilha celebravam as melhorias que depois de muita luta foram concedidas não só para Mariana como para os outros municípios atingidos. - Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz

De acordo com o Ministério da Saúde, mais de R$12 bilhões serão destinados ao setor nos próximos anos. Parte desse valor será aplicada imediatamente em obras, equipamentos e contratação de profissionais. Outra parcela permanecerá em um fundo permanente destinado à manutenção dos serviços criados a partir da reparação.

A ampliação de equipes, construção de unidades de saúde, fortalecimento dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), aquisição de equipamentos e ampliação do acesso a especialistas estão entre as prioridades previstas.
 

Hospital para além de Mariana

A assinatura marca o início de uma nova conquista para a cidade. - Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz

Um dos momentos mais celebrados da cerimônia foi a assinatura que autoriza a construção do Hospital Universitário de Mariana, vinculado à Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). A futura unidade deverá contar com 225 leitos, centros cirúrgicos, UTIs adulta, pediátrica e neonatal, além de atendimento especializado em áreas como oncologia, cardiologia, neurologia e nefrologia.

Para o prefeito Juliano Duarte, o hospital representa um legado construído a partir de um dos momentos mais difíceis da história da cidade. "Mariana precisava deixar alguma coisa para as futuras gerações. Esse hospital vai salvar vidas, trazer desenvolvimento e mudar a realidade da saúde de toda a macrorregião", afirmou.

O presidente da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), Artur Chioro, destacou que o projeto nasce de um contexto de sofrimento, mas aponta para uma nova perspectiva para a região. "É um hospital que nasce da tragédia, mas aponta para um tempo de esperança."
 

Transporte para quem está longe

49 vans com acessibilidade do programa Agora Tem Especistas foram entregues. - Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz

Além dos anúncios financeiros, a cerimônia também marcou a entrega simbólica dos veículos destinados aos municípios atingidos. A frota inclui ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), ambulâncias para transporte de pacientes, vans destinadas ao Tratamento Fora de Domicílio (TFD) e veículos para os Conselhos Municipais de Saúde.

Após o encerramento dos discursos, os participantes seguiram para a área externa do Centro de Convenções, onde os veículos ficaram expostos. Para representantes das comunidades, os automóveis respondem a uma demanda antiga dos territórios, especialmente das áreas rurais.

 

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Carlos Eduardo Mendes e Eliseu de Oliveira Neto, membros da Comunidade Terapêutica Sementes do Amor celebram vitória para a Primaz e indiretamente, para o projeto - Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz

Carlos Eduardo Mendes, diretor-presidente da Comunidade Terapêutica Sementes do Amor, que oferece acolhimento e acompanhamento a pessoas com dependência química, lembrou que a falta de transporte adequado já trouxe consequências graves para moradores da região.

 

Tivemos casos de pessoas que vieram à óbito,  que não conseguiram atendimento a tempo por falta de transporte. Esse investimento ajuda principalmente quem está em situação de maior vulnerabilidade

Carlos Eduardo Mendes

 

A expectativa é que os novos veículos facilitem o deslocamento de pacientes para consultas, exames, tratamentos oncológicos e procedimentos especializados realizados fora dos municípios de origem.
 

Controle social fortalecido

O fortalecimento dos conselhos de saúde também apareceu como uma das principais marcas do evento. Além dos veículos, os conselhos receberam notebooks, webcams, equipamentos de som e projetores para auxiliar no acompanhamento das ações financiadas pela repactuação.

“A gente precisa de ações como essa para uma sociedade tão adoecida após o rompimento da Samarco”, afirmou a conselheira Aida Anacleto. - Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz

Representante do Conselho Municipal de Saúde de Mariana, Aida Ribeiro Anacleto avaliou que os equipamentos representam um reconhecimento do papel desempenhado pelos conselheiros na fiscalização dos recursos.

 

Muitas vezes nosso trabalho fica limitado pela falta de estrutura. Esses equipamentos fortalecem o controle social e a participação da sociedade civil.

Aida Anacleto

 

A presidente do Conselho Estadual de Saúde de Minas Gerais, Lourdes Machado, e outros representantes do colegiado acompanharam o evento, reforçando a importância da participação popular na definição e fiscalização dos investimentos.

Saúde como reparação

População ansiava pelas entregas e promessas do governo Lula, que segundo o ministro Alexandre Padilha, “Se tem um governo que tem compromisso com Minas Gerais, é o Governo Lula” - Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz

Entre prefeitos, conselheiros, representantes quilombolas e moradores atingidos, havia uma percepção compartilhada: embora nenhuma obra ou investimento seja capaz de reparar completamente as perdas causadas pelo rompimento da barragem, a ampliação do acesso à saúde pode representar uma das transformações mais concretas deixadas pelo processo de reparação.

"Que a vida no território, principalmente na área rural, fique um pouquinho mais amena com a chegada dos recursos, dos equipamentos e das equipes", resumiu a representante quilombola Dayane Cristina de Paula Estanislau.

Onze anos após a lama percorrer a bacia do Rio Doce, o desafio continua sendo fazer com que os bilhões anunciados em auditórios se transformem em consultas, cirurgias, transporte e atendimento para quem vive diariamente as consequências do desastre. “A reparação jamais será completa. Mas precisamos minimizar os danos e garantir que esses recursos cheguem a quem mais precisa", concluiu o deputado federal Rogério Correia.

 

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