Mariana (MG), 15 de outubro de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
Publicidade
Publicidade

Mostra de documentários e lançamento de jornal lota cineteatro

O evento marcou o encerramento de duas disciplinas do curso de Jornalismo da UFOP

Plateia do cineteatro

Com casa cheia, Cineteatro de Mariana recebe o Jornal Olhares e mostra de documentários no último dia 9. - Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz

Com exemplares do Jornal Olhares cuidadosamente dispostos sobre as poltronas do Cineteatro Municipal, a noite do dia 9 de fevereiro entrou para a memória cultural de Mariana. Antes mesmo de as luzes se apagarem, as páginas fotográficas já cumpriam seu papel: provocar, revelar e contar histórias. E quando a tela acendeu, cinco documentários transformaram a sala em território de memória, política, afeto e pertencimento.

A mostra reuniu as produções “Te amo com a memória, imperecível”, “Lavras Novas: Espaço e Afetividade”, “Da roça à cidade: percurso dos pequenos produtores rurais”, “Por que ficamos?” e “Caso Armando”. Cinco olhares distintos, atravessados por um mesmo gesto, contar Minas a partir de quem vive, sente e constrói suas histórias.

A organização do evento também chamou atenção. Enquanto aguardavam o início das exibições, os espectadores folheavam o jornal produzido pelos estudantes, em uma experiência integrada entre fotojornalismo e audiovisual.

Achei que foi tudo muito bem-organizado. A ideia dos jornais em cima das poltronas foi muito legal, porque enquanto as pessoas esperavam o início dos filmes, elas liam e viam esse outro trabalho. Deu pra sentir muito o esforço da galera. E sobre os documentários, achei todos muito envolventes. Não teve um minuto que eu tirei o olho da tela. Trouxeram histórias muito reflexivas, coisas que a gente deixa passar despercebido. Foi um evento lindo, me emocionei muito

Brenda Rogai, espectadora

 
 

Memória como resistência

Entre os destaques da noite esteve “Caso Armando”, que resgata a atuação da ditadura militar em Ouro Preto a partir das repúblicas estudantis, tendo como fio condutor a trajetória de Armando Lopes. A produção mergulha em documentos históricos, visita o antigo DOPS e tensiona a importância da memória em tempos de disputas narrativas.

Mostra de documentários e lançamento de jornal lota cineteatro
“Esse documentário é uma tentativa de lembrar de tudo o que aconteceu, para que não se repita novamente”, afirma Douglas Júnio, um dos diretores do documentário. - Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz

A repercussão ultrapassou os limites da cidade. Fernanda Reimberg, natural de Barbacena, fez questão de estar presente para acompanhar a estreia do filho, Gustavo Reimberg, um dos diretores do documentário.

“Fui até Mariana. Achei muito bacana a iniciativa dos meninos.. É muito importante resgatar essa memória e a importância de lutar pelo que se acredita”, afirmou. Para ela, a noite foi marcada pela potência dos enredos e pelo compromisso em retratar histórias fundamentais para a Primaz de Minas.

Da tela para a estrada

Se “Caso Armando” reacendeu a memória política, “Lavras Novas: Espaço e Afetividade” despertou desejo de descoberta. O documentário, que investiga os laços afetivos entre território e pertencimento no distrito de Ouro Preto, impactou inclusive quem não conhecia a região.

Durante narração do documentário, o diretor João Henrique afirma a necessidade do documentário em compreender espaço e identidade
Durante narração do documentário, o diretor João Henrique afirma a necessidade do documentário em compreender espaço e identidade. - Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz

O casal Felipe Queiroz e Julia Ribeiro, de Brasília, saiu da sessão com planos concretos. “Como a gente não é daqui de Minas, não sabe muito bem dos distritos. Eu nunca iria saber da beleza de Lavras Novas se não fosse o documentário. Amanhã mesmo estamos partindo pra lá”, disseram, confirmando o poder do cinema de mobilizar sujeitos e deslocamentos.

Histórias que se cruzam

A noite também foi atravessada por encontros simbólicos. José Max, personagem do documentário “Por que ficamos?”, que retratou a situação de 11 mil pessoas que moram em ocupações da chamada Cidade Alta, de Mariana esteve presente na exibição e se emocionou ao ver na tela não apenas sua própria história, mas também a de pessoas que conhece.

Trajado com a blusa do movimento que luta pelo direito à moradia nas ocupações, José Max é aplaudido pelo público presente
Trajado com a blusa do movimento que luta pelo direito à moradia nas ocupações, José Max é aplaudido pelo público presente. - Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz

“Foi muito lindo mesmo. Eu gostei muito também de ver a história das agricultoras, porque eu conheço elas também, têm uma história muito forte”, afirmou, fazendo referência a “Da roça à cidade”, que acompanha pequenos produtores rurais e o vínculo vital entre campo e cidade.

Para Pedro Vieira, diretor do filme, o documentário surgiu a partir da importância em se conhecer a identidade e a história por trás de quem alimenta as mesas na região;
Para Pedro Vieira, diretor do filme, o documentário surgiu a partir da importância em se conhecer a identidade e a história por trás de quem alimenta as mesas na região; - Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz

Já o documentário “Te amo com a memória, imperecível” tocou o público pela delicadeza ao tratar amor, luto e permanência a partir de fotografias escolhidas pelos próprios personagens. O filme evidenciou algo essencial: a importância da escuta.
 

A parte que a mulher fala que foi super importante pra ela ter aquela conversa, que foi como se estivesse conversando com uma psicóloga… eu acho que é isso, a importância de se conversar sobre o que afeta, sobre as memórias das coisas que nos atravessam.

Gisele Oliveira, estudante de Jornalismo.


 

Publicidade
Publicidade
Te amo com a memória, imperecível; citação direta à Adélia Prado abriu a mostra dando espaço a sensibilidade de sentimentos inerentes à ser humano: amor, luto, saudade e aceitação
Te amo com a memória, imperecível; citação direta à Adélia Prado abriu a mostra dando espaço a sensibilidade de sentimentos inerentes à ser humano: amor, luto, saudade e aceitação. - Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz

 

Publicidade
Publicidade

Mais que exibição, experiência

Com cadeiras ocupadas por moradores de Mariana, visitantes de outras cidades e personagens dos próprios filmes, a mostra se consolidou como mais que um encerramento acadêmico. Foi um gesto coletivo de produção de memória.

O Jornal Olhares e os cinco documentários revelaram uma geração de estudantes comprometida com narrativas locais, com histórias silenciadas e com personagens que, muitas vezes, passam despercebidos no cotidiano. Naquela noite, Mariana não apenas assistiu a filmes. Reconheceu-se neles. E quem estava ali poderá dizer, no futuro, que viu desde o começo.

Publicidade
Publicidade
Compartilhar

Leia também

Galeria Nello Nuno estreia 3 exposições de artistas nacionais Artes Visuais

Galeria Nello Nuno estreia 3 exposições de artistas nacionais

Fim da escala 6×1 é a maior mudança na jornada do trabalhador brasileiro desde 1988 Brasil

Fim da escala 6×1 é a maior mudança na jornada do trabalhador brasileiro desde 1988

Mariana lidera repasses do Edital Rio Doce que também contempla projetos em Antônio Pereira Cidades

Mariana lidera repasses do Edital Rio Doce que também contempla projetos em Antônio Pereira

Publicidade
Publicidade