Mariana (MG), 15 de junho de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
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Mulheres africanas ancestrais são tema de exposição no Museu de Mariana

Museu de Mariana inaugura a exposição “Sacerdotisas e Rainhas do Rosário: mulheres africanas ancestrais” com a temática sobre sacerdotisas africanas e cultos voduns

Material: Tecido acetinado ou brocado na cor dourada com franjas na parte inferior.
Estandarte da esquerda: Possui uma pintura centralizada de uma figura religiosa vestida de azul e branco, usando uma coroa e segurando uma espada. Fitas azuis estão amarradas nas pontas do suporte de madeira.
Estandarte do centro: Apresenta uma pintura centralizada de uma figura com trajes coloridos (laranja e amarelo) e fitas vermelhas amarradas nas pontas do suporte.
Estandarte da direita: Fica parcialmente visível atrás da pessoa e exibe uma figura com vestimentas azuis.
Detalhes da Pessoa
Posição: De costas para a câmera, levemente virada para a direita.
Vestimenta: Camisa de manga curta azul-royal e calça branca.
Acessórios: Chapéu de palha estilo panamá decorado com fitas coloridas (verde, amarela e branca) na parte de trás, colar de contas escuras cruzado no peito e uma bolsa ou tecido estampado sob o braço.

A exposição integra a  24ª Semana Nacional de Museus - Foto: Maria Clara Cardoso/ Agência Primaz

Nesta quarta-feira (19), a exposição “Sacerdotisas e Rainhas do Rosário: mulheres africanas ancestrais” foi inaugurada no Museu de Mariana. O evento contou com a mesa de abertura, formada por Maria de Lourdes, bordadeira da Academia Mineira de Bordados (AMB), Moacir Maia, historiador e escritor do livro “Sacerdotisas voduns e rainhas do Rosário”, que inspirou as obras, e Marcial Ávila, que é o artista plástico e desenhista das obras criadas.

A cerimônia de abertura se iniciou com a apresentação musical do grupo “Negra Rosa”, seguiu para a mesa com falas dos convidados e encerrou com a apresentação da “Guarda de Congado de Nossa Senhora do Rosário e São Sebastião” de Mariana.  

A exposição reúne dezesseis peças, que foram desenhadas por Marcial e bordadas pelas integrantes da AMB. Nos dezesseis paíneis expostos, os bordados retratam as sacerdotisas africanas do culto vodum.

Como foi o processo de criação?
O escritor Moacir conta sobre o início do processo, segundo ele, as integrantes da AMB nomearam o artista Marcial para a criação das rainhas e sacerdotisas. 
Maria de Lourdes falou em nome da AMB sobre o início do processo para a confecção das obras, quando começaram, Moacir e Marcial apresentaram o tema para as bordadeiras, que ficaram empolgadas com a ideia e, logo após, já partiram para o bordado. 

Eu comecei a bordar a Rainha Rosa Maria, aí eu olhava para ela e eu falava assim: ‘Não se preocupe, eu vou te colocar linda, porque você foi muito importante, né? Você foi muito importante’. Quando terminei de bordar, me senti muito feliz e também um pouco triste, porque a viagem fantástica com as linhas cheia de provocações e desafios tinha terminado. Estava diante de mim a Rainha Rosa Maria com seus cabelos trançados de acordo com as tradições africanas. Não tentou copiar os penteados das senhoras brancas.

Maria de Lourdes, bordadeira da Academia Mineira de Bordados

 

Moacir Maia e Maria de Lourdes próximos ao bordado da Rainha Rosa Maria - Foto: Maria Clara Cardoso/ Agência Primaz

Sacerdotisas Voduns e Rainhas do Rosário 

O livro de Moacir Maia e Aldair Rodrigues discute sobre a vida de mulheres africanas que, na época, conseguiram o sucesso econômico e se tornaram líderes das suas comunidades em Minas Gerais do século 18, o que ocasionou em uma caça às bruxas comandada pelo Estado português. 

Na obra, os autores trazem a história de Ângela Maria Gomes, sacerdotisa e rainha que viveu em Itabirito, comprou sua alforria, era conhecida por ser padeira e rainha de Nossa Senhora do Rosário. 

Segundo o autor, Ângela foi denunciada, por volta de 1750, por homens brancos e preconceituosos de seu tempo, que a acusavam de ser “Mestra de todas as feitiçarias do Arraial de Itabirito”. Em um dos documentos analisados na construção, os homens relatam que Ângela foi encontrada flutuando ao redor de uma gameleira, durante uma noite de lua cheia. 

Flutuando ou não, segundo o professor, a perseguição acontecia porque os homens brancos não gostavam de ver Ângela, que foi uma mulher negra, ocupando um espaço tão importante na sua comunidade. “E quando eu olho para a documentação da Ângela, alguns eram irmãos brancos da irmandade do Rosário, mas eles não disseram isso no documento que a denunciou. Eles estão, na verdade, incomodados, não porque ela é, segundo eles, a mestra, mas porque ela tinha uma liderança religiosa frente à comunidade negra e africana de Itabirito.”, conta Moacir. 

“Arroboboi, Dangbé”
A obra dos autores foi usada como uma das referências para o enredo da Escola de Samba Viradouro em 2024, no qual a escola conquistou o título de campeã do carnaval carioca. Segundo Moacir, “Dangbé” é um vodum serpente, os povos da República do Benin cultuam a “boa serpente”, que está ligada ao mito de criação dos povos. 

Segundo eles, é a serpente que sustenta a Terra. E por isso que ela é representada também como arco-íris. Porque está ligado à dimensão do ciclo de vida, do nascer, do viver, do morrer e do renascer a cada dia. Tem tudo a ver com essas mulheres que acabaram também chegando à avenida e agora inspira esse trabalho tão lindo, tocanteAUTOR: Moacir Maia

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Para conferir mais sobre as obras, histórias como a de Ângela e do culto “Dangbé”, o Museu de Mariana exibe a exposição “Sacerdotisas e Rainhas do Rosário: mulheres africanas ancestrais” até meados de novembro, com horário de visitação entre 10h até 18h, de quinta-feira a segunda-feira. Às terças, o Museu funciona de 13h às 21h.

 

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