Mariana (MG), 30 de abril de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
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Museu da Inconfidência inaugura Sala Afro-brasileira

Exposição vai estar completamente aberta à visitação a partir do término da reforma do prédio histórico

Nova sala temática abriga, por um ano, a exposição “Afro-brasilidades: arte e memória na encruzilhada – Foto: Luiz Loureiro/Agência Primaz

Na manhã desse sábado (05), no Anexo do Museu da Inconfidência, foi realizada a cerimônia de inauguração da Sala Afro-brasileira, que passa a brigar, temporariamente, uma parte do acervo de arte popular do colecionador mineiro Tadeu Bandeira. A solenidade contou com a presença de autoridades ligadas à cultura e à museologia, como, entre outras, a presidente do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), Fernanda Castro; o Diretor Presidente do Instituto Joaquim, José Theobaldo Júnior, responsável pelo projeto e captação de recursos para a reforma do Museu da Inconfidência, e o prefeito municipal Angelo Oswaldo (PV).

Sala afro-brasileira vai ser permanente no Museu da Inconfidência

À esquerda, Alex Calheiros, anfitrião da cerimônia e diretor do Museu da Inconfidência. À direita, Angélica Gonçalves Pereira, representante da comunidade ouro-pretana no processo de desenvolvimento e implantação da Sala Afro-Brasileira – Foto: Luiz Loureiro/Agência Primaz

Esta exposição marca uma nova relação entre as culturas afro-brasileiras e este museu histórico que, por mais de 80 anos, abrigou um acervo e imaginária exclusivamente colonial para narrar a formação da cultura e identidade nacionais e da Conjuração Mineira. Testemunhamos o enfraquecimento da nostalgia pelo período colonial – decisiva para a invisibilização da produção intelectual, tecnológica e artística de mulheres e homens pretos. A mostra “Afro-brasilidades: arte e memória na encruzilhada” reconhece a pluralidade das culturas e conflitos que formam minas gerais e o Brasil e convida aqueles a quem pertence este museu – o povo todo, a dividir a alegria da realização da curadoria participativa desta exposição”.

Com esse trecho, Angélica Gonçalves Pereira, Auber Bertinelli, Carla Cruz, Douglas Aparecido, Marcelo Abreu, Pedro Falci, Sidnea Santos e Solange Palazzi, apresentam a exposição, cuja pré-inauguração ocorreu nesse sábado (05), com previsão de completa disponibilidade de acesso ao público, a partir do final do mês de julho, quando deve ser encerrada a atual etapa de reformado Museu da Inconfidência.

Falando à reportagem da Agência Primaz, Alex Calheiros explicou que enfrentou diversos empecilhos para assumir a direção do Museu da Inconfidência. Um dos principais foi a injusta oposição à sua nomeação, apesar de aprovado em seleção pública, o que atrasou sua chegada ao museu em quase dois anos, por intransigência da Casa Civil e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), durante o governo Bolsonaro.

Após a sua nomeação, Calheiros focou em dois aspectos importantes: a infraestrutura do museu e o seu reposicionamento institucional. Ele destacou que muitos museus têm diretores que se limitam a cuidar das obras, mas que pauta sua atuação baseada em “uma abordagem mais holística, que inclua a representação de diferentes classes sociais e narrativas, especialmente a contribuição da população negra, que foi historicamente marginalizada.

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E foi por sugestão do prefeito Angelo Oswaldo, relembra Alex, que surgiu a possibilidade da parceria com Tadeu Bandeira, traduzida na exposição pré-inaugurada, celebrando a arte popular.

A nova sala do Museu da Inconfidência acolhe a coleção afrodescendente por pelo menos um ano. A intenção é que, após esse período, sejam encontrados meios de dedicar o espaço a novas curadorias que vierem a ser propostas”, destacou o diretor Alex Calheiros.

Importância do reconhecimento da influência e presença afro na arte e na cultura

O Prof. Clésio Gonçalves, coordenador do NEABI, e a vice-reitora da UFOP, Profª. Roberta Fróes, prestigiando a solenidade de inauguração da Sala Afro-brasileira

Última a se pronunciar na solenidade, Angélica Gonçalves Pereira exaltou a iniciativa do Museu da Inconfidência, bem como a condução do processo que resultou na inauguração da Sala afro-brasileira e da exposição “Afro-brasilidades”: “Tradicionalmente voltado à memória da elite inconfidente, o museu vem passando por um processo de autocrítica e reposicionamento Recentemente, tem trazido novos olhares e exposições que possibilitam a criação de um espaço permanente dedicado à valorização das contribuições culturais e históricas das populações negras em Minas Gerais. Além disso, o museu tem promovido escutas comunitárias, abrindo suas portas para que a população afrodescendente compartilhe suas memórias e interpretações sobre o assim. Essa abertura é um passo importante para que instituições de memória deixem de ser vitrines do passado e se tornem espaços vivos de diálogo e transformação”.

Ressaltando a importância do gesto de compartilhamento com a sociedade do acervo artístico de Tadeu Bandeira, Angélica destacou dois aspectos essenciais da exposição: “Ao compartilhar seu acervo com o Museu da Inconfidência, o Sr. Tadeu Bandeira não apenas enriquece o conteúdo da exposição, como também reafirma o papel da comunidade como guardiã ativa de sua própria história. (…) A exposição é semente e espelho. Semente porque planta, nas novas gerações, o orgulho de suas raízes. Espelho porque reflete a potência do povo negro como narrador da própria trajetória. Ao reunir arte, memória e resistência, a Afro-brasilidade nos convida a imaginar futuros mais justos e a construí-los com as mãos firmes de quem conhece o peso e a beleza da própria história”, finalizou Angélica.

Nós estamos aqui comprovando, nesta manhã de um sábado, a retomada, sobretudo, de um percurso histórico do Museu do Inconfidência, quando a direção do museu revê as escolhas feitas no passado. E, na verdade, muda a rota, valorizando a população majoritariamente negra da nossa cidade, que leva em consideração a história da construção da cidade, com artefatos e, sobretudo, com a ciência africana implementada nessa cidade desde a sua origem. A população de ouro preto é representada agora, legitimamente, dentro desse espaço que é um ícone para a história do Brasil”, celebrou o Prof. Clésio Gonçalves, coordenador do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABI) da Universidade federal de Ouro Preto.

Reforma do Museu da Inconfidência

Fachada do Museu da Inconfidência, cuja primeira etapa de reforma deve ser finalizada ainda em julho – Foto: Luiz Loureiro/Agência Primaz

O Museu da Inconfidência em Ouro Preto está passando por reformas, desde janeiro deste ano, que incluem melhorias na rede elétrica e restauração de bens artísticos. Inicialmente previstas para 30 dias, as obras sofreram atrasos devido à necessidade de adaptação e adequação de projetos, e tem previsão para serem finalizadas ainda em julho.

A reforma conta com recursos do Ministério Público de Minas Gerais, via Plataforma Semente, e, durante o período de funcionamento, a programação cultural do Museu da Inconfidência continua ativa, com exposições e eventos sendo realizados em outros espaços do museu, como a Sala Manoel da Costa Athaíde (Anexo do museu) e Casa setecentista do Pilar.

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