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“No Coração do Tempo” integra programação do FIU em Mariana

Instituto Dragão Fantástico apresenta espetáculo na Escola de Artes e Ofícios em Mariana

Rynara apresenta monólogo dentro da lightbox durante o espetáculo No Coração do Tempo - Foto: Instituto Dragão Fantástico

O Instituto Dragão Fantástico de Teatro e Cinema apresentará o espetáculo No Coração do Tempo no dia 30 de agosto, às 19h, na Escola de Ofícios Tradicionais de Mariana. A atividade integra a programação do Festival de Inverno Universitário da UFOP (FIU-UFOP) e terá entrada gratuita.

A montagem é dirigida e escrita por Luciane Trevisan, com assistência de direção e produção de Raed D’Angelo e atuação de Rynara. O espetáculo faz parte do projeto “Tempo Fantástico – Teatro, Cinema e Literatura”, produzido pelo Dragão Fantástico.

Temática

No Coração do Tempo é um monólogo surrealista e poético. Interpretado por Rynara, a narrativa não segue uma ordem cronológica tradicional e apresenta a trajetória de uma jovem aprisionada em um espaço-tempo indefinido.

A história se desenrola em um espaço limitado, um feixe de luz, onde a atriz interpreta um monólogo cercado de objetos que dificultam a movimentação. A narrativa não linear mistura memória, sonho e simulação, com uma voz que a diretora chamou de “Narrador não confiável”, “ela não sabe o que ela tá contando. Se é verdade, se aconteceu, se é mentira”, explica Luciane.

Construção do espetáculo

Segundo a diretora, há uma mudança radical na construção do ambiente desse espetáculo, quando comparado a seus trabalhos anteriores. Embora a temática do horror e do surrealismo esteja presente em toda a sua produção, No Coração do Tempo se diferencia pela forma como a narrativa e o espaço são tratados.

Para Luciane, neste trabalho há um foco maior no confinamento físico e narrativo, com a atriz limitada a um espaço mínimo e cercada por objetos, criando um monólogo que se desenvolve dentro de um universo muito restrito, diferente de outros espetáculos seus que exploram maior movimentação cênica ou interação com múltiplos personagens.

A diretora descreveu o espetáculo como uma experiência surrealista e poética. A obra não se baseia em horror direto, mas mantém referência ao universo do horror. “É um espetáculo surrealista, tem uma influência muito grande do onírico, do sonho e também é um espetáculo muito poético”, explica.

Trevisan afirma que sempre busca trabalhar imersa no caos. “Isso me dá estabilidade para trabalhar, para criar. Para esse trabalho, o caos foi um motor”. Ela ainda explica que a referência para esse trabalho seria, além do surrealismo, a estética Kitsch. Estilo que celebra o exagero, o “mau gosto” e a combinação inusitada de muitos objetos em um espaço muito pequeno.

Luciane destaca a importância da experimentação e explica que, embora haja uma tendência pessoal pelo gênero horror, ela aborda essa linguagem de formas diferentes a cada trabalho. Sua prática artística envolve a constante experimentação em todos os aspectos do espetáculo — luz, maquiagem, figurino, cenografia — e se estende também ao cinema.

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Para ela, o teatro experimental significa criar, sem estagnação, manter a mente em movimento e explorar novas possibilidades. “Minha cabeça está sempre em movimento, então eu estou sempre criando. Eu acho que isso é uma coisa importante para a arte, assim, para quem faz arte, para quem é artista”, relata.

Cartaz do espetáculo surrealista - Foto: Divulgação

Instituto Dragão Fantástico

Com mais de 20 anos de atuação, o grupo Teatro do Dragão, que deu origem ao Instituto Dragão Fantástico, tem consolidado sua trajetória por meio de pesquisas em narrativa teatral, com ênfase no gênero horror e no conceito delocus horribilis.

Fundado em 2004, no curso de artes cênicas da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), o grupo desenvolveu espetáculos, oficinas e produções audiovisuais, estabelecendo parcerias com instituições como o SESI e sendo reconhecido como Ponto de Cultura pela Rede Cultura Viva.

Desde 2020, o Instituto expande sua atuação para o cinema, com curtas e médias-metragenspremiados em festivais nacionais. A escolha por entrar no ramo audiovisual veio durante a pandemia. “A pandemia nos empurrou para esse lugar, né? Não podia fazer peça, não podia fazer teatro, enfim. Era uma coisa que eu já vinha pensando e já vinha fazendo, aí eu resolvi ir para esse lugar mesmo do cinema”, conta a diretora do espetáculo.

Expectativas para o espetáculo

Luciane espera quebrar as expectativas do público. “Eu sempre gosto de causar um impacto grande no público. Eu gosto quando o público espera algo e recebe uma coisa completamente diferente daquilo que ele estava esperando.”

A diretora destaca que prefere apresentar seus trabalhos em espaços que não são tradicionalmente utilizados para apresentações teatrais, fugindo do formato convencional de teatro.

Ela considera a Escola de Ofícios como um local interessante para a apresentação, pois abriga cursos voltados para práticas artesanais e ofícios, pois para ela, a arte é um ofício, e apresentar seus espetáculos nesse tipo de espaço é uma oportunidade de mostrar o local para quem nunca teve contato com ele, tornando a experiência ainda mais significativa.

Segundo Luciane, o Instituto tem outros projetos em desenvolvimento, como um filme com pré-estreia ainda este ano, além de um projeto literário. Além disso, o grupo pretende seguir em circulação com o espetáculo No Coração do Tempo após a estreia no festival.

A peça estreia no sábado, 30 de agosto, às 19h na Escola de Ofícios Tradicionais de Mariana – Rua Cônego Amando, 278, Centro – e a retirada de ingressos é pelo Sympla.

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