Mariana (MG), 30 de abril de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
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Noite de autógrafos de Laurentino Gomes com casa cheia em Ouro Preto

Na noite de sábado (16), a Casa de Cultura Negra de Ouro Preto foi palco do lançamento e da sessão de autógrafos de “Escravidão III”, do escritor paranaense Laurentino Gomes. No último livro da trilogia, iniciada em 2019, Laurentino aborda questões que vão desde a Independência do Brasil, em 1822, passando pela abolição de 1888 e chegando do legado da escravidão no século XXI.

Presença do escritor na Casa de Cultura Negra rendeu debates e anúncio de projetos voltados à população negra de Ouro Preto

Sucesso da noite de autógrafos do livro Escravidão III surpreendeu Laurentino Gomes - Foto: Patrick Araújo

No evento, organizado por coletivos negros de Ouro Preto, Laurentino lembrou suas diversas visitas à cidade para a confecção do segundo livro, “Escravidão II”, que trata do período aurífero, durante o Brasil Colônia. “Mais do que se debruçar no documentalLaurentino visitou o município para conhecer e conversar com a população ouropretana, já que muitos são descendentes de pessoas que viveram a escravidão em Vila Rica”, comentou o prefeito Angelo Oswaldo. Além do chefe do Executivo Municipal, estavam presentes a secretária de Cultura e Turismo, Margareth Monteiro, o Pró-Reitor Adjunto de Graduação da UFOP, Adilson Pereira dos Santos e representantes de coletivos da cidade.

O escritor, ganhador de sete prêmios Jabuti, ressaltou a importância da manutenção da Lei de Cotas, que completa 10 anos em 2022, e da expansão e criação de novas políticas voltadas à população afrodescendente. Em uma manifestação política, o autor ainda disse ao público que votar em candidatos racistas, que fazem declarações como “aquele não vale 7 arrobas” — citando uma fala do presidente Jair Bolsonaro a um apoiador no Palácio da Alvorada — é também uma prática racista: “Pessoas brancas como eu às vezes até se incomodam quando eu falo“, afirmou Laurentino.

No final da noite, o escritor expressou sua surpresa com o sucesso da sessão de autógrafos que, segundo ele, “foi a maior de todas, bem maior do que as que eu fiz na Bienal de São Paulo”, em menção ao maior evento de livros da América Latina:

O que mostra que o povo de Ouro Preto realmente gostou do meu trabalho e está muito interessado em ler e refletir sobre esse assunto. O que mostra também que Ouro Preto é uma cidade diferenciada quando se trata de literatura, cultura, história e outros assuntos que são fundamentais para a construção da cidadania no Brasil”, completou.

Com o fim da trilogia, o autor já se prepara para a escrita do próximo livro, que segundo ele, seguirá a temática da escravidão.

Conquistas para a população negra

O evento, que lotou a Casa de Cultura Negra, teve momentos de pressão sobre o prefeito do município. Na mesma data em que Mariana comemorava seus 326 anos, Ouro Preto relembrou a data que deu nome ao “Morro da Queimada”. Incendiando casas de trabalhadores da região, o motim organizado em 16 de julho de 1770 reivindicava um novo governo nas Minas Gerais contra as investidas da Metrópole. Nos 302 anos do incêndio, Angelo Oswaldo falou sobre o investimento na promoção da igualdade racial e a construção de espaços voltados para a memória e preservação da cultura afro, com a transformação da área do Morro da Queimada em Monumento Arqueológico, preservando a história da população negra da região.

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Ainda durante a noite, membros dos coletivos negros de Ouro Preto expressaram satisfação com a conquista de R$400 mil, liberados pela deputada federal Áurea Carolina (PSOL), para investimentos em pesquisas sobre a saúde da população negra do município.

Aproveitando o espaço, Angelo comentou a demora na conclusão das obras no Morro da Forca, que sofreu desmoronamento devido às fortes chuvas que atingiram a região em janeiro deste ano. Segundo ele, o retaludamento da encosta está atrasado devido à burocracia do Iphan.

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