Após dois anos pandêmicos, a Cidade Patrimônio volta a receber alto fluxo de turistas
Em 13 de julho, Ouro Preto recebeu uma homenagem especial da Câmara dos Deputados, em solenidade do gabinete do vice-presidente Lincoln Portela (Republicanos). O deputado destacou o protagonismo e a importância do município para o estado. “Parabenizo os representantes do município pelo belo trabalho realizado e destaco o protagonismo e o carinho que todo mineiro dedica a Ouro Preto, lembrando que essa cidade é responsável pelo nascimento da consciência democrática no estado de Minas Gerais”, publicou em suas redes sociais.
O prefeito Angelo Oswaldo (PV) foi quem recebeu a placa que parabeniza a sua atuação na retomada das atividades culturais da cidade, uma vez que Ouro Preto está recheado de eventos desde a Semana Santa, festividade tradicional que marcou a volta do turismo no município. “O turismo retornou com força total pelos investimentos que nós fizemos na cidade, nos distritos e no incentivo também à cultura, para que as atividades culturais que são o grande cargo chefe do nosso turismo, consigam atrair sempre mais”, declarou o prefeito.
O Inventário da Oferta Turística mostra que Ouro Preto possui cerca de 200 meios de hospedagem, incluindo sede e distritos, 2 mil unidades habitacionais e 5.200 leitos. É notória a presença de turistas na cidade ao andar pelas ruas ouro-pretanas, tendo as basílicas, as igrejas, o Centro Histórico e os museus como os destinos mais procurados no município. Durante esses dois anos pandêmicos, o setor de hospedagem viveu dias difíceis, com pessoas tendo que se reinventar para garantir alguma renda por meses.
“No início, foi algo bem assustador. Na época, a pousada era minha única fonte de renda e também das pessoas que trabalhavam comigo. Então, passamos um momento muito difícil. Tivemos longos períodos recebendo um ou dois hóspedes, às vezes o mês inteiro sem receber ninguém. Foi uma crise global, mas também muito pessoal, pois tive que encontrar forças para não desistir, apoiar aqueles que estavam ao meu lado e me reinventar”, contou Líria Barros, sócia da Acapela Pousada, àAgência Primaz.
A pandemia atingiu uma das atividades econômicas mais relevantes de Ouro Preto que é o turismo. Com dois anos críticos em relação à Covid-19, a cidade não perdeu apenas visitantes de museus e igrejas, mas também não pôde realizar seus tradicionais eventos anuais, como o carnaval e o Festival de Inverno.
“A retomada das atividades turísticas traz recursos e enriquece a cultura de todos, tanto da nossa população, quanto daqueles que compartilham conosco o privilégio de conhecer Ouro Preto”, declarou Angelo Oswaldo.
Como a realização de grandes festas começou apenas a partir da Semana Santa, em abril, o carnaval de 2022 precisou ser adiado. Mas o Festival de Inverno, realizado em julho, voltou em grande estilo, contando com otributo aos 50 anos do Clube da Esquinae os shows deFerrugem, Almir Sater eElba Ramalhono fim de semana do aniversário de Ouro Preto, que levaram cerca de 20 mil pessoas para a Praça Tiradentes nos dias 8 e 9 deste mês.
“Desde que a pandemia começou, julho foi com certeza uma faísca de esperança pro setor de turismo. É muito bom ver as pessoas confiantes novamente, a cidade movimentando e eventos acontecendo. Todos os esforços e investimentos valeram a pena pelo retorno financeiro, mas também pelo feedback e pelo carinho dos nossos hóspedes”, comentou Líria Barros.
Margareth Monteiro, secretária de Cultura e Turismo de Ouro Preto, afirmou àAgência Primazquea cidade está pronta para receber a quantidade de turistas que normalmente frequentam o município. “Isso é muito bom porque gera renda, gera emprego, vários empresários retomaram os seus trabalhadores, investiram nas melhorias. Ouro Preto está de braços abertos para receber, de novo, o fluxo turístico que é esperado”.
Museu da Inconfidência
A Antiga Casa de Câmara e Cadeia de Vila Rica, o Museu da Inconfidência, representa um monumento histórico da região e vem recebendo um alto índice de turistas. De acordo com o diretor do Museu, Alex Calheiros, cerca de 25 mil visitantes passaram pelo local em junho e, em julho, o número de visitas já ultrapassou 20 mil.
“O retorno, surpreendentemente, está batendo todos os recordes. A gente voltou primeiro com uma série de protocolos. Logo no início do ano, a gente abriu e tinha uma série de dúvidas, de como seria, se os casos de contaminação iriam voltar. Temos uma capacidade de receber até 3 mil pessoas diariamente, mas a gente reduziu para 400, com todos os protocolos. A partir de abril, no feriado[de Tiradentes], a gente aumentou essa capacidade, chegando a 10 mil visitantes, mas agora a gente já teve 25 mil e neste mês a gente já ultrapassou os 25 mil visitantes”, contou Alex Calheiros àAgência Primaz.
O museu chegou a ficar fechado de março de 2020 até janeiro de 2022. O seu horário de funcionamento é das 10h às 18h, de terça-feira a domingo. As portas do lugar são fechadas uma hora antes do encerramento das atividades para que os visitantes que estejam no interior do prédio possam finalizar a visitação até o horário de fechamento indicado.
“O museu ficou fechado porque, quando começou a pandemia, as coisas fecharam, e houve uma particularidade: os serviços de segurança e limpeza, normalmente, são terceirizados. Como isso onerava demais, a maioria dos contratos foi interrompida. A equipe técnica do museu continuou trabalhando internamente, na parte administrativa e burocrática, mas o museu, propriamente dito, fechou. A maior dificuldade foi a manutenção e preservação das obras”, acrescentou o diretor do Museu da Inconfidência.
Agora, com o alto número de visitação, o Museu da Inconfidência projeta novas ações, passando pela revisão do plano museológico para discutir, internamente e com a comunidade, como será a continuidade do lugar nos próximos anos.
“Vamos pensar os aprendizados da pandemia, como ter uma melhor comunicação com o público, sobretudo com a comunidade local, fazer uma revisão crítica das nossas próprias narrativas, avaliar como a gente comunica o acervo que temos e como a gente vai interagir com outras possibilidades, como arte contemporânea”, informou Alex Calheiros.
A partir de 11 de agosto, a administração do Museu da Inconfidência inicia um movimento de planejamento de trabalho, de discussão, interna e com a comunidade, para onde o Museu da Inconfidência deve seguir. A expectativa é que o local passe por um processo de profunda transformação.


