Na última sexta-feira (15), o Sindicato Metabase Inconfidentes, em Mariana, foi palco de um evento organizado pelo Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), que teve como objetivo apresentar as pré-candidaturas de Rafael Duda ao governo de Minas Gerais e Hertz Dias à presidência da República, pautando o debate em soluções focadas na classe trabalhadora e em um projeto socialista.
Aproximação com os trabalhadores e o projeto socialista
A professora da rede estadual e militante do partido, Patrícia Ramos, foi a responsável por mediar o encontro. Ela explicou que o formato de "roda de conversa" foi escolhido para fugir dos moldes tradicionais e promover um diálogo mais direto e horizontal com a população. Ao introduzir os pré-candidatos, Patrícia ressaltou que as candidaturas não são um fim em si mesmas, mas ferramentas para apresentar alternativas revolucionárias para a sociedade.
"A gente lança os nossos candidatos como pessoas que vão defender um projeto revolucionário socialista [...] para além de um projeto eleitoreiro, para além de um projeto de um momento só", declarou Patrícia.
A crise mineira, as isenções fiscais e o controle da mineração

O primeiro a se aprofundar nas propostas foi Rafael Duda, operário da mineração há mais de 15 anos e dirigente sindical do Metabase Inconfidentes. Como pré-candidato ao governo de Minas Gerais, ele destacou o boicote midiático que candidatos fora do grande eixo enfrentam e traçou um forte diagnóstico sobre a desindustrialização do estado. Duda criticou severamente as políticas governamentais que garantem cerca de R$20 bilhões em isenções fiscais a bilionários do agronegócio e da mineração, enquanto a classe trabalhadora sofre com o desemprego, o rebaixamento salarial e a privatização de serviços essenciais, como a Copasa, por exemplo.
"Na nossa opinião, isso parte de uma decadência muito grande que nós estamos vivendo nesse momento, sobretudo no país, mas também em Minas Gerais, que é o reflexo dessa decadência econômica, social e política”, destacou, acrescentando a urgência na desestatização de empresas como as mineradoras, colocando-as novamente sob o controle da classe trabalhadora.
A subordinação econômica do Brasil e a necessidade de ruptura

Encerrando a apresentação inicial, o pré-candidato à presidência da República, Hertz Dias, professor de história e ativista do movimento negro no Maranhão, abordou o cenário nacional a partir de uma ótica de crise global do capitalismo. Ele citou dados alarmantes de pesquisas do IBGE sobre a perda de vontade de viver entre adolescentes para exemplificar o impacto do atual momento histórico na juventude e na classe trabalhadora, cujas condições de vida estão cada vez mais precarizadas. Hertz foi contundente ao afirmar que a burguesia brasileira aceitou um papel de subordinação global, transformando o país num grande exportador de matérias-primas e entregando recursos vitais, como as terras raras e a região do Matopiba, sigla que designa a principal e mais recente fronteira agrícola do Brasil, localizada na divisa dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
A gente tem que fazer a conexão entre essas coisas e a gente não consegue compreender essas coisas se a gente não compreender que nós estamos vivendo a maior crise do capitalismo desde 1929. O Brasil hoje exporta commodities, importa tecnologia, importa a ciência, importa produtos manufaturados
Hertz criticou o que ele chama de "eleição despolitizada", em que frentes políticas e a extrema-direita não explicam as raízes da decadência brasileira e governam sem tocar nos privilégios das grandes propriedades privadas.
Troca de experiências e depoimentos

A parte final do evento foi marcada por um intenso diálogo entre os pré-candidatos e os presentes, com ênfase na análise conjuntural, tanto do estado de Minas Gerais quanto do cenário nacional.


