Reunião aconteceu na tarde desta quinta-feira (03) e contou com a presença de lideranças do partido


A reunião aconteceu após três semanas de manifestações populares que exigiam a retirada da empresa do município e a diminuição na taxa cobrada. Após oenvio da notificação à Saneourosobre a possibilidade de anulação do contrato, secretários e líderes do partido político se encontraram para dialogar e unir forças sobre o futuro do saneamento municipal.
No encontro, que contou com a presença de membros do PT Ouro Preto, como o deputado Leleco Pimentel, Wanderley Rossi e Du do Veloso, membros do governo explicaram a atual situação e as possibilidades frente ao cenário. O prefeito Angelo Oswaldo (PV) reafirmou ter como compromisso a retirada da concessionária, e salientou que o Grupo de Trabalho por ele indicado, junto a movimentos sociais e especialistas, têm estudado as melhores alternativas para a questão do saneamento básico e abastecimento em Ouro Preto.
Sem dar detalhes, o chefe do executivo disse que uma nova política pública está sendo delimitada para o município: “Estamos avançando determinadamente no sentido do estabelecimento de uma nova política pública voltada para os interesses da comunidade visando soluções objetivas dentro daquilo que o povo quer e merece”. O representante do PT, Leleco Pimentel, também fez menção às novas medidas.“A Prefeitura já trabalha numa perspectiva de prazo limite para uma peça jurídica que vai assim atender aquilo que é mais necessário, tarifa justa e sem opressor, sem aquele que explora em Ouro Preto”.
Em entrevista exclusiva àAgência Primaz, o recém eleito deputado estadual, explicou as motivações para a reunião do partido com o executivo municipal, “Viemos trazer aqui nossa solidariedade para que a Prefeitura tome aquilo que já determinou, que é colocar pra fora aqueles que querem explorar esse serviço e nós vimos o preço da tarifa. Então, Fora a Saneouro, pra ser objetivo”.De acordo com Pimentel,a retirada da concessionária é uma pauta popular, construída por vários movimentos que visam o acesso universal à água, “com qualidade e com tarifa justa”, e que deve ser feita de forma responsável pelo executivo.
“O prefeito Angelo está muito decidido nesta questão jurídica, para não ter que fazer um decreto açodado e depois ser intimado pela justiça a voltar atrás. Portanto nós vamos dar a base e a sustentação, enquanto sociedade, não vamos esmorecer, ninguém vai parar a luta”, destacou Leleco.
Leleco também elogiou os estudos do Grupo de Trabalho, mas argumentou sobre a necessidade de posicionamento dos gestores da Saneouro sobre os investimentos feitos até o momento.“Outro ponto é que o GT[Grupo de Trabalho]que foi criado, ele apresentou uma proposta de que precisava de fazer ajustes, também para o gestor do contrato, ele trazer dados concretos de quanto essa empresa colocou, se colocou, onde colocou e isso é determinante para que uma ação cível pública também seja orquestrada pelos movimentos”, salientou o deputado.
Vitória do PT na eleição presidencial pode ajudar na retirada da Saneouro
A vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno da eleição deste domingo (30) também foi analisada. De acordo com o deputado estadual, a êxito de Lula traz a temática de saneamento para a pauta do debate nacional. “Por isso, a eleição do presidente Lula, à luz do saneamento, nessa perspectiva de que todos tenham direito a água de qualidade, que tenham tratamento da água e saneamento ambiental, é uma perspectiva de retomada do crescimento, do desenvolvimento e da justiça no Brasil”, salientou.
Apesar do sucesso na eleição, Pimentel fala sobre a importância dos movimentos sociais para a resolução do problema. “Tem aí diversos movimentos que estão se somando, mas nós temos casos de reversão desta concessão. Eu digo privatização, que vão dando luz também para a tomada de decisão mais rápida”. O membro do PT ainda faz um chamado à população: “A gente não vai deixar ninguém parado, ninguém tem aqui condições de ficar na zona de conforto. Nós vamos cutucar todo mundo. Aliás, quem não está incomodado com a Saneouro, está acomodado de alguma forma e não está do nosso lado”.
Comitê Sanitário de Defesa Popular divulga carta de repúdio

Emcarta divulgada no dia 02 de novembro, o Comitê Sanitário de Defesa Popular se posicionou sobre os ataques sofridos por movimentos populares, vereadores e moradores, que acusam o Comitê e seus representantes de ameaçarem manifestantes e políticos presentes nos atos convocados.
De acordo com a publicação, as críticas ao movimento tem como objetivo “frear a grande torrente que ameaça enviá-los de volta para a Coreia do Sul”, através da união entre os donos da Saneouro, a Prefeitura e da Câmara de vereadores.
“Compreendemos que, com essa odiosa campanha de criminalização orquestrada desde a tesouraria da Saneouro, querem nos fazer recuar e aceitar migalhas para, assim, proporem um pérfido acordo de revisão de tarifas a partir da protelação do contrato e enganação à população com falsas promessas eleitoreiras. Que não nos confundamos! A criminalização da justa e legítima luta contra a privatização da água em Ouro Preto é resposta desesperada da Saneouro e seus serviçais na Câmara de Vereadores e no poder executivo municipal, administrado pelo Sr. Ângelo Osvaldo/PV, diante das vitórias de nossa luta e do novo momento que entramos no qual escorraçaremos esses sanguessugas”
Dentre as exigências expostas na carta, o Comitê pede o “fim imediato das ameaças contra o livre exercício da atividade profissional do professor Marcos Calazans e, por conseguinte, contra a autonomia universitária da UFOP por parte de representantes do poder executivo e legislativo de Ouro Preto”. Calazans é tido como líder do movimento,
Durante a 71ª reunião ordinária da Câmara de Ouro Preto ocorrida na manhã desta quinta (03), o vereador Kuruzu (PT) pediu para que os movimentos, intitulado por ele como “desordeiros”, se retirem dos atos para que a população se manifeste pacificamente. ÀPrimaz, Leleco também se pronunciou sobre as manifestações apoiadas por membros de diferentes alas de seu Partido, “lembrando que protesto é lugar de diálogo, não é um lugar de violência. Por isso nós rechaçamos qualquer tipo de violência, que fique claro na nossa fala: que nós não apoiamos nem violência do povo, nem violência da guarda e muito menos utilização de gás de spray de pimenta”.
Fazendo um paralelo entre ospray de pimenta utilizado pela Guarda Civilno ato do dia 19, e ao ex-prefeito, Júlio Pimenta, apontado como o responsável pela inserção da Saneouro no município, o futuro deputado comentou,“Pimenta é bom só na comida e de esquecer aquele que foi quem trouxe a Saneouro para Ouro Preto”,completou.


