Mariana (MG), 18 de junho de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
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Transtornos mentais: quando a mente adoece

“Vivemos em uma sociedade mentalmente doente e essa doença vem se espalhando silenciosamente como se fosse uma virose”. (Vasconcelos, 2026)

Os textos publicados na seção “Colunistas” não refletem as posições da Agência Primaz de Comunicação, exceto quando indicados como “Editoriais”.

Leia o texto (ou ouça o áudio) da coluna de Júlio Vasconcelos:

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2021, cerca de 1,1 bilhão de pessoas viviam com algum tipo de Transtorno Mental, o que correspondia a aproximadamente 1 em cada 7 pessoas no mundo. Nessa época, aproximadamente 359 milhões de pessoas viviam com transtornos de ansiedade, 280 milhões de pessoas com depressão, 37 milhões de pessoas com Transtorno Bipolar, 23 milhões de pessoas com esquizofrenia e 16 milhões de pessoas com transtornos alimentares. Os dados são de 2021, mas provavelmente esses números devem ter aumentado significativamente até os dias de hoje. Os dados são assustadores e, com certeza, o assunto precisa ser trazido em pauta para uma reflexão mais aprofundada. Afinal, será que estamos todos ficando malucos? 

Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) descreve Transtorno Mental como “uma síndrome caracterizada por perturbação clinicamente significativa na cognição, na regulação emocional ou no comportamento, refletindo disfunção em processos psicológicos, biológicos ou do desenvolvimento.”

O DSM é o principal manual de classificação diagnóstica utilizado por Psiquiatras e psicólogos, especialmente nos Estados Unidos e em muitos outros países. Ele é publicado pela Associação de Psiquiatras Americanos – APA e tem como objetivo padronizar critérios diagnósticos, facilitar a comunicação entre profissionais, orientar pesquisas científicas e apoiar decisões terapêuticas.

O DSM passou por várias revisões e a cada revisão o número de Transtornos vem aumentando de forma preocupante. Em 1951, quando foi criado, tinha 106 Transtornos listados; atualmente tem 297, portanto um crescimento de mais de 180%! Um crescimento estrondoso! Quando observado a fundo, é possível verificar que tem Transtorno de tudo quanto é tipo e cada vez mais estranhos. Vejamos alguns deles.

O Grupo das chamadas Parafilias, que são transtornos ligados à um padrão de interesse sexual intenso e persistente voltado para objetos, situações ou estímulos incomuns em relação ao que é mais frequente na sexualidade humana nos mostra alguns resultados bizarros que à primeira vista podem parecer inventados, mas são reais e talvez mais comuns do que normalmente se pensa. 

A Coprofilia, por exemplo, é uma excitação sexual associada a fezes. Nesse Transtorno, a pessoa sente prazer em ver suas próprias fezes ou do outro espalhadas pelo próprio corpo ou pelo corpo do outro. Na Urofilia, a pessoa sente excitação sexual semelhante, só que associada à urina, incluindo receber ou observar urina sobre o próprio corpo ou no corpo do outro. De forma aterrorizante, na Necrofilia, a pessoa sente prazer em manter relações sexuais com cadáveres.

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O Masoquismo é outra forma de Transtorno onde a pessoa sente prazer ou excitação ao receber dor física, ser humilhado, ser dominado ou ser submetido a situações de restrição ou controle. Já no Sadismo, é ao contrário, a pessoas obtém prazer ou excitação ao infligir dor, humilhar, controlar ou dominar outra pessoa.

Na área da alimentação, aparece a Anorexia, que é caracterizada por uma restrição intensa da alimentação e perda significativa de peso. Ao contrário, a Bulimia envolve episódios de ingestão excessiva de alimentos e sensação de perda de controle. 

Outro Transtorno também bastante estranho é o chamado Pica, que é a ingestão persistente de substâncias não alimentares, como terra ou papel. (Pica é o nome de uma ave conhecida por ingerir itens incomuns ou não alimentares).

Outro Transtorno bastante estranho é o chamado de Licantropia Clínica, onde a pessoa acredita que se transformou em um determinado animal e age exatamente como ele. Outro ainda é o Transtorno de Acumulação, que é a dificuldade persistente em descartar objetos, armazenando de forma excessiva, descontrolada e desordenada tudo que encontra pela sua frente. Possivelmente, bem perto de nós possamos encontrar pessoas que sofrem desse transtorno. 

Enfim, poderia citar muitos outros Transtornos, mas acho melhor pararmos por aqui para não assustar mais o caro leitor.

Acredito que você deve estar se perguntando, se na prática, de forma absoluta, existe cura para os transtornos. Os estudos da mente indicam que, de forma absoluta, não existe a cura, mas existe a remissão, ou seja, a pessoa deixa de apresentar os sintomas ou passa a ter sintomas muito leves, recuperando o funcionamento cotidiano e voltando a ter boa qualidade de vida. 

O tratamento pode ser psiquiátrico e medicamentoso e/ou realizado através de psicoterapia (Psicanálise, Terapia Cognitivo-Comportamental entre outros), incluindo mudança de estilo de vida e apoio social-familiar.

Finalmente é de extrema importância ressaltar que Transtorno Mental não é frescura, fraqueza ou falta de vontade. Trata-se de uma condição real, séria e reconhecida pela ciência, que pode afetar qualquer pessoa em qualquer fase da vida. Assim como cuidamos do coração, da pressão arterial ou do diabetes, também precisamos cuidar da mente. Buscar ajuda profissional é um ato de coragem, responsabilidade e amor-próprio. Ninguém precisa enfrentar esse sofrimento sozinho.

Se você se quiser se aprofundar no assunto ou precisa de ajuda, é só me retornar: Júlio César Vasconcelos – Psicanalista Integrativo (31)99345-0515.

Quem tem ouvidos, que ouça!

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