Mariana (MG), 30 de abril de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
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VII Festeco atrai bom público na fase estudantil

Caos e agonia

VII Festeco atrai bom público na fase estudantil

“Fora de órbita” marcou o primeiro dia do festival. Foto: Marina Ferreira/Agência Primaz

Programação, que inicia a fase nacional nesta sexta-feira (29), vai até domingo (1º).

Em “Fora de órbita”, o público não assistiu da plateia, mas fez parte do cenário em cima do palco, propositalmente caótico. A proposta do espetáculo é fazer os espectadores sentirem uma pequena parcela da agonia e da perturbação vividas pelas pessoas vítimas do “holocausto brasileiro”, que aconteceu no Hospital Colônia de Barbacena (MG), em 1979. O hospital psiquiátrico servia como um “campo de concentração” onde as pessoas eram enviadas à força, mesmo sem diagnóstico de transtornos mentais. O grupo “Caminho do Sol” buscou trazer o desespero e a prisão submetidos aos pacientes.

A peça foi uma adaptação dos textos “O Pequeno Príncipe” e “1984”. Fotos: Marina Ferreira/Agência Primaz

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Teatro e protesto

O segundo dia contou com apresentação do Movimento TT1 no musical de rap “Um som e um sonho”. Os integrantes do movimento encenaram um momento de descontração em uma roda de amigos a qual é interrompida por um enquadro policial, com a participação dos artistas Young Steve King e Dirry Black interpretando dois policiais e Edivandro Pires, mais conhecido como Bomblack, cantando suas músicas autorais “Um som” e “Descaso”.

A peça abordou temas como violência policial, preconceito racial e críticas à segurança pública. Bomblack participa do Festeco desde quando estudava na Escola Estadual João Ramos Filho, e afirmou que o musical “faz crítica à forma como os moradores de periferia e bairros discriminados da cidade são abordados” e que a experiência de trazer esse musical para o teatro foi inédita.

Lucas Bento, um dos integrantes do Movimento TT1 e participante da peça, também relatou seu sentimento de trazer esses assuntos para o teatro: “Retratar violência policial é arrancar a casquinha de um machucado, é relembrar algo que te magoou, que não te deixa nada confortável de falar sobre e eu acho que essa era realmente a intenção. Trazer isso ‘pro’ teatro foi tão importante, [porque] a gente mostra pra outras pessoas iguais a nós que a gente não merece isso”. Para ele, sua estreia na atuação foi algo “libertador e intimidador”, afirmou.

Bomblack, Lucas Bento, Demanjah, Natanael Marques e Keny fazem parte do Movimento TT1. Fotos: Marina Ferreira/Agência Primaz

Também aconteceu, no mesmo dia, uma homenagem ao artista das artes cênicas Osmar Vânio, apresentação do grupo de dança 021, recitação de poemas e o espetáculo “Glória em Fim”, da turma do terceiro ano da Escola Estadual João Ramos Filho. A peça, com várias cenas humorísticas, trouxe à tona temas acerca da violência doméstica e do machismo, roteirizada e encenada pelos próprios alunos da escola.

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A peça foi escrita por Dyan, aluno do terceiro ano da E. E. João Ramos Filho. Foto: Bruno Willens

Sobre o Festeco

O Festival de Teatro Comunitário nasceu em 2017 a partir de uma parceria entre a Escola Ensino Médio do Bairro Cabanas e a Associação Cultural Dragão Verde e Amarelo e se consolidou como um espaço para a expressão artística de Mariana. Atualmente, ele é realizado pelo Clube Osquindô, Associação Cultural Pequeno Príncipe, Grupo Teatral Caminho do Sol, Escola Estadual João Ramos Filho e Prefeitura de Mariana.

A programação conta com as fases estudantil e nacional. A primeira tem foco nas apresentações de alunos do Ensino Fundamental e Médio das escolas da cidade; e a segunda reúne artistas de todo o país, tanto amadores quanto profissionais.

A partir desta sexta-feira (29) até domingo (1º), as apresentações acontecem em diversos locais da cidade, como a Escola Municipal Wilson Pimenta, auditório do ICHS, Sagarana, Jardim e Centro de Convenções, recebendo artistas de Conselheiro Lafaiete (MG), São João Nepomuceno (MG), Ubá (MG), Rio de Janeiro (RJ), Campinas (MG), Patos de Minas (MG), Belo Horizonte (MG) e muitas outras localidades. Além dos espetáculos, também vão ser realizadas oficinas entre 29 de setembro e 1º de outubro.

Confira a programação completa.

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