Mariana (MG), 30 de abril de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
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“Vozes Femininas – Do Silêncio ao Grito” visitou Ouro Preto

Ação artística que acolhe mulheres vítimas de violência contou com apresentação artística de cinco cantoras de diferentes áreas musicais

Déa, Irene, Iza, Isaddora e Júlia apresentaram o projeto Vozes Femininas - Do Silêncio ao Grito – Foto: Ana Beatriz Justino/Agência Primaz

Na tarde do último sábado (20), a cidade de Ouro Preto recebeu o projeto Vozes Femininas – Do Silêncio ao Grito, realizado no Paço da Misericórdia. A iniciativa contou com a apresentação artística de cinco mulheres, Déa Trancoso, Irene Bertachini, Iza Sabino, Isaddora e Júlia Tizumba, já que a artista Coral não estava presente. O projeto é realizado pelo Viaduto das Artes a partir de uma emenda parlamentar da deputada federal Duda Salabert, e cria um ambiente de acolhimento para mulheres cis e trans em situação de violência. O Vozes Femininas une arte e escuta, percorreu sete cidades de Minas Gerais, e finalizou a turnê no Paço da Misericórdia. No dia 31 de outubro o projeto fará a última apresentação, que será na capital mineira, quando o repertório vai ser expandido.

As dinâmicas de acolhimento

A apresentação utiliza a arte como forma de acolhimento, intercalando dinâmicas com apresentações de músicas autorais das artistas presentes. Logo após a entrada, Déa Trancoso se posicionou à frente do palco, falou sobre espiritualidade e colocou as participantes para realizarem um exercício de respiração com raízes ancestrais enquanto a artista tocava uma flauta e cantava. A meditação, como ressaltou a cantora, reafirma nossa presença na Terra.

As mulheres presentes fizeram o exercício de olhos fechados enquanto faziam um “ioiô imaginativo”, partindo do lugar de nascimento e subindo até observar de longe o planeta Terra.

Cantando e tocando flauta, Déa Trancoso estimula a experiência sensorial das mulheres presentes no evento – Foto: Ana Beatriz Justino/Agência Primaz

A partir dessa dinâmica já se cria conexão entre as pessoas presentes, mas a dinâmica mais divertida foi a dos ecos, iniciada no palco, com palavras proferidas pelas cantoras. As palavras vão ecoando pela sala, enquanto mais palavras e vozes se juntam ao chamado coral. Entre as palavras leveza, fome de vida, amor, força, acordar, perseverança a energia do espaço vibrou, cheio de conexão e trocas.

Relatos compartilhados

Depois das palavras ecoadas, teve início um momento de dividir a história de luta e superação entre as mulheres presentes. As falas transpassaram casos de violência doméstica, abuso, mas também de superação e de luta. As artistas também compartilharam relatos, como quando Isaddora confidenciou aos presentes que se libertou de um ambiente abusivo apenas com a roupa do corpo e seu microfone. Assim, o projeto nasceu, acreditando na arte como lugar de acolhimento e força, utilizado para ter coragem e para reagir.

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Entre as confidências foram relatados casos de violência psicológica, que podem ser observados quando o parceiro ou parceira faz ameaças, ridiculariza, constrange, humilha ou controla o que você veste. Segundo os dados da pesquisa “Visível e Invisível: a Vitimização de Mulheres no Brasil”, 37,5% das mulheres que responderam à pesquisa passaram por situação de violência. E 31,4% dessas mulheres passaram por situações que podem ser consideradas como violência psicológica.

Depois da troca intensa de relatos, as artistas declamaram poemas e cantaram. composições que falam de luta, coragem, identidade e liberdade. O repertório é completamente autoral e possui músicas inéditas, mas duas composições apresentadas são de outros artistas. A música “Germinar”, da cantora Flaira e “Maria Maria”, de Milton Nascimento, composição responsável por dar o fechamento da experiência.

O repertório, segundo Déa, foi pensado pelas artistas de forma orgânica e em acordo com o público-alvo das ações. “Canções que falassem desse caos humano, mas com alguma solução”, destacou a cantora, formando um repertório potente e carregado de significados.

A animação se fez presente ao final do evento, reafirmando a potência do acolhimento do projeto Vozes Femininas - Do Silêncio ao Grito - Foto: Ana Beatriz Justino/Agência Primaz
A animação se fez presente ao final do evento, reafirmando a potência do acolhimento do projeto Vozes Femininas - Do Silêncio ao Grito - Foto: Ana Beatriz Justino/Agência Primaz
A animação se fez presente ao final do evento, reafirmando a potência do acolhimento do projeto Vozes Femininas - Do Silêncio ao Grito - Foto: Ana Beatriz Justino/Agência Primaz
A animação se fez presente ao final do evento, reafirmando a potência do acolhimento do projeto Vozes Femininas - Do Silêncio ao Grito - Foto: Ana Beatriz Justino/Agência Primaz

Organização que acolhe

Durante toda a ação esteve presente uma intérprete de libras e uma pessoa responsável pela recreação das crianças, já que a iniciativa entende que nem todas as mulheres presentes têm rede de apoio. Para além disso, a diretora administrativa do Viaduto das Artes, Josiane Amâncio, contou que a escolha das cidades foi pensada a partir de níveis de violência e localização geográfica. “Foi feito um estudo para saber onde tinha o maior número de violência que a gente consegue fazer através de denúncias. Então, às vezes você vai ter algum município que tem um número muito mais alto, mas não é denunciado, então a gente não consegue fazer esse levantamento”.

Para a coordenadora executiva Ayobami Nombulelo, o Vozes Femininas é uma potência de acolhimento feminino. “Essa comunhão do que é ser mulher na amplitude da palavra, independente do corpo que você ocupa. Se é um corpo gordo, se é um corpo preto, se é um corpo trans, é o que é ser mulher e o que a gente tem em comum, que são as violências que a gente sofre”, ressaltou.

A iniciativa, para a artista Déa Trancoso, é muito além de arte, é política e social, podendo ser ainda considerado um projeto de excelência artística. “Ele também está atendendo um recorte de mulheres em situação de violência doméstica, que é uma coisa que tem muito no Brasil”, destacou Déa.

A iniciativa vai lançar um documentário sobre o projeto “Vozes Femininas – Do Silêncio ao Grito”, comporto por imagens registradas em todas as cidades que o evento percorreu, com previsão de disponibilização em novembro. Por ser mobilizado por uma emenda parlamentar, não se tem certeza de que o projeto vai ter novas apresentações, mas existe a esperança de que seja possível que ele rode por mais cidades.

Proteção à mulher

Existem leis que protegem as mulheres de situações de violência doméstica, como é o caso da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006), que presta assistência e proteção às vítimas; e a Lei do Feminicídio (Lei 14.994/2024), para casos de assassinatos cometidos em função do gênero, recomendando-se que todas as situações, envolvendo qualquer tipo de violência doméstica, seja denunciado via Centro de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas; pelo número 180; ou pelo canal do Whatsapp (61) 9610-0180. Em Ouro Preto existe a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, cujo telefone é (31) 97595-3335. Em Mariana foi recentemente inaugurado, o Núcleo de Atendimento à Mulher, que funciona no prédio da Delegacia de Polícia Civil, localizada na Av. Getúlio Vargas, no prédio do antigo fórum.

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