Mariana (MG), 5 de setembro de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
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Wikimedia Brasil realiza caminhada fotográfica para rechear acervo gratuito

A oficina contou com um passo a passo para subir as imagens para o Wikimedia Commons, acervo digital e gratuito que compõe a internet livre

A oficina pediu que os participantes se sentissem livres para fotografar o caminho, buscando olhares únicos para diversificar os acervos - Foto: Gisele Santoli/Agência Primaz

Na última sexta-feira, 21 de agosto, aconteceu a Caminhada Fotográfica seguida pela Oficina Wikimedia Commons no Museu de Mariana. Ambas fizeram parte da programação do evento “Wiki Ocupa Mariana” e foram ministradas por voluntários da Wikimedia.

O objetivo principal era contribuir para a preservação do patrimônio cultural da cidade, ensinar e incentivar a compartilhar o conhecimento na internet livre.

Caminhada Fotográfica

O trajeto começou no Museu de Mariana, que sediou o evento, seguiu para a Praça MG, desceu em direção à Rua Direita e descansou na Praça da Sé. Por mais que seja uma das principais ruas da cidade, que dá acesso ao centro histórico, abriga museus e antigos casarões, a Rua Direita no acervo da Wikimedia contém apenas oito fotos, sendo a última publicada em 2021.

O caminho ofereceu um sol para cada e o ministrante Túlio foi preparado com seu chapéu e óculos - Foto: Gisele Santoli/Agência Primaz

A mesma falta de ilustrações acontece com a Praça da Sé, que abriga a Catedral Basílica de Nossa Senhora da Assunção, catedral oficial da cidade desde 1745. O intuito da caminhada era registrar esses locais com o olhar único de cada um dos presentes e ampliar esse acervo gratuito e livre.

“Se a Wikipédia é um lugar, digamos assim, de destaques, o Commons pode ser esse lugar de memória. Às vezes, por conta de direitos autorais ou por conta daquelas decisões super arbitrárias que eles redes sociais com direitos autorais tomam em relação à segurança e privacidade, gera esse tipo de efemeridade, esse tipo de risco pro arquivamento que é muito raro de acontecer no Commons. Então ele é uma ferramenta muito popular nesse sentido de que muita gente pode acessar. Ele é razoavelmente fácil de lidar e ele serve a todo mundo que quiser usar.'

Isa, voluntária da Wikimedia Brasil

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Os estagiários do Museu de Mariana foram liberados para participar da oficina e usar da experiência para agregar em suas jornadas profissionais - Foto: Gisele Santoli/Agência Primaz

Após as fotos da Catedral, o grupo seguiu em direção à Igreja do Rosário, local que além de esquecido pelos acervos é também esquecido pelos turistas que não chegam a visitá-la. Algo dito pela senhora que os recebeu no museu, membro da Irmandade Nossa Senhora Rosário dos Pretos.

“É muito difícil turista visitar aqui. Aquela charrete elétrica da Prefeitura passa em todos os pontos turísticos da cidade, mas não sobe aqui.”

Membro da Irmandade

O esquecimento foi reforçado na fala de Eduardo Campos, professor, artista plástico e fundador do Museu Minas do Gogô. Ele afirmou que essa segregação do espaço vem desde a fundação das Igrejas de Mariana, quando se construíram a “igreja dos brancos separada da igreja dos pretos”. 

“Os negros, eles não podiam frequentar a igreja dos brancos e muito menos os brancos iria frequentar a igreja dos negros. Então havia essa separação, né, étnica, social, e aqui então era a igreja dos negros, por isso que chamam rosário dos pretos”

Eduardo Campos

Edu fez questão de trazer curiosidades sobre a história da cidade durante o passeio - Foto: Gisele Santoli/Agência Primaz

Ao que Túlio, voluntário e ministrante da oficina, completou que deveria ser de conhecimento público, por mais que as pessoas da cidade saibam dessas informações, os acervos da Wikipédia poderiam ajudar a difundir para a preservação da memória pública do município.

Antes da volta para publicação das imagens, o grupo passou pela Estação Ferroviária de Mariana, que está desativada desde 2020 e não tem nenhuma foto publicada no WikiCommons.

Era comum ouvir comentários como “nossa o trem está muito acabado” ou “está desativado mas podiam preservar melhor”, além dos barulhos de flash disparando para registrar a estação atualmente. 

O olhar apurado de quem edita acervos percebeu a falta dos relógios na torre da estação. - Foto: Gisele Santoli/Agência Primaz

Wiki Loves Monuments

Apesar da oficina de como publicar as fotos da caminhada ter acontecido logo após o passeio, alguns participantes decidiram esperar para publicá-las. Isso porque todo mês de setembro acontece o concurso mundial “Wiki Loves Monuments”.

O concurso acontece desde 2010 e já foi vencido pelo Brasil duas vezes, esse ano conta com mais de 30 categorias, incluindo fotos de locais históricos que ainda não possuíam nenhuma imagem registrada no acervo, como é o caso de vários locais em Mariana.

Algumas das categorias do concurso são: maior quantidade de fotos carregadas, melhores fotos sob uma avaliação mais artística e estética.

Qualquer pessoa pode se inscrever, independentemente de ter experiência ou habilidade técnica com fotografia e os prêmios em dinheiro chegam a R$2.500.

Foto: Gisele Santoli/Agência Primaz
Foto: Gisele Santoli/Agência Primaz
Foto: Gisele Santoli/Agência Primaz
Foto: Gisele Santoli/Agência Primaz
Foto: Gisele Santoli/Agência Primaz
Foto: Gisele Santoli/Agência Primaz
Foto: Gisele Santoli/Agência Primaz
Foto: Gisele Santoli/Agência Primaz
Foto: Gisele Santoli/Agência Primaz
Foto: Gisele Santoli/Agência Primaz
Foto: Gisele Santoli/Agência Primaz
Foto: Gisele Santoli/Agência Primaz
Foto: Gisele Santoli/Agência Primaz
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