Mariana (MG), 13 de outubro de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
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XIV Prêmio República: Agência Primaz é finalista ao lado de gigantes da imprensa

ANPR divulga finalistas da categoria Jornalismo; Agência Primaz figura entre os gigantes da imprensa nacional ao documentar uma década da tragédia em Mariana

Troféu do Prêmio República

O prêmio será entregue no dia 17 de junho, em Brasília - Foto: Divulgação/ANPR

A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) anunciou nesta terça-feira (5), os finalistas do XIV Prêmio República. Criado em 2013, o prêmio busca identificar e dar visibilidade à atuação de membros do MPF, além de reconhecer iniciativas da sociedade civil e de jornalistas que lutam em prol dos direitos humanos, da cidadania e do enfrentamento à criminalidade.

Na categoria Jornalismo Escrito, os trabalhos concorrentes devem abordar temas relacionados à transparência e à defesa do Estado Democrático de Direito, tendo sido publicados entre julho de 2025 e fevereiro de 2026. 

Na categoria, foram escolhidos três finalistas neste ano: Uma reportagem investigativa sobre as chamadas emendas pix, publicada no O GLOBO, uma série de reportagens sobre a região de Terra do Meio, na Amazônia, sobre o fracasso de um projeto contra o desmatamento da região, publicado em parceria entre Campus Multiplataforma e Correio Braziliense e para completar, a reportagem especial produzida pela Agência Primaz de Comunicação: 10 Anos do Rompimento da Barragem de Fundão, publicada em 5 de novembro de 2025.

A força das finalistas

"'A emenda sumiu': verbas para estradas e parque desaparecem nas contas de prefeituras" (O GLOBO) 

De autoria de Patrik Camporez e Thiago Faria, esta investigação revela um esquema de opacidade no uso de emendas parlamentares (emendas Pix) em municípios do Maranhão e da Paraíba. A reportagem rastreou o destino de recursos que deveriam financiar obras públicas, mas que foram pulverizados em transferências bancárias sucessivas para dificultar o rastreio pelos órgãos de controle. A potencialidade do trabalho reside na denúncia de uma "engenharia contábil" que impede a fiscalização do dinheiro público, afetando diretamente comunidades que permanecem isoladas por falta de infraestrutura.

"Terra do Meio: Da Rio+20 à COP30" (Campus Multiplataforma / Correio Braziliense) 

A jornalista Maria Cristina Avila da Silva percorreu cerca de 2.000 km pela Amazônia para documentar o fracasso de um projeto ecológico de 11 milhões de euros financiado pela União Europeia que nunca foi executado conforme previsto. A reportagem expõe o abandono e o aumento da violência e do desmatamento em áreas estratégicas de conservação no Pará. Sua força está no resgate histórico, confrontando promessas diplomáticas de 2012 com a realidade negligenciada que a região enfrenta às vésperas da COP30.

"Especial 10 anos do rompimento da barragem de Fundão" (Agência Primaz de Comunicação) 

Produzida por Lui Pereira, Joyce Campolina e Larissa Antunes, esta grande reportagem documental é um mergulho profundo nas feridas abertas em Mariana e Barra Longa uma década após o crime ambiental da Samarco. O trabalho destaca-se pela imersão narrativa, amplificando as vozes de quem vive o processo de "diáspora" e reconstrução social. Ao documentar o papel das instituições de controle e a luta dos atingidos, a Agência Primaz prova que o jornalismo local possui rigor técnico para pautar debates de relevância nacional, figurando como uma façanha ao lado de veículos de maior amplitude.

Histórico e evolução do prêmio

O Prêmio República nasceu em 2013 focado na valorização dos membros do MPF. A categoria Jornalismo foi inaugurada em 2015, na 3ª edição, por iniciativa do então presidente da ANPR, Alexandre Camanho, que reconheceu a imprensa como uma parceira fundamental na conscientização pública. Desde 2018, o reconhecimento passou a somar pontos para o prestigiado Ranking Jornalistas&Cia.

Ao longo das edições, o prêmio consolidou nomes e veículos que são referência em investigação e defesa social.

Confira a lista dos vencedores históricos na categoria de jornalismo escrito/impresso:

2015 (III Edição): Ana Paula Pedrosa e equipe (O Tempo) – Reportagem sobre os impactos do maior mineroduto do mundo.

2016 (IV Edição): Gilson Camargo (Jornal Extra Classe) – Reportagem sobre a Operação Zelotes.

2017 (V Edição): Eduardo Militão e equipe (Correio Braziliense) – Série "#Xôprivilégio".

2018 (VI Edição): Guilherme Goulart e Natália Lambert (Correio Braziliense) – Especial sobre os 30 anos do Césio 137.

2019 (VII Edição): José Leonardo Cavalcanti (Correio Braziliense) – "Memórias de mercenários".

2020 (VIII Edição): Alexandre de Paula Souza e Silva e Ana Louise Nunes Viriato (Correio Braziliense) – "O pomar do Pros".

2021 (IX Edição): Alice Cristiny Ferreira de Souza e equipe (Agência Retruco) – Investigação sobre o uso abusivo de drogas no Nordeste.

2022 (X Edição): Equipe Metrópoles – "Um Quarto no Jacarezinho", sobre as marcas de uma chacina em crianças.

2023 (XI Edição): Marina Amaral de França Pereira (Agência Pública) – Sobre garimpo ilegal em terra Yanomami.

2024 (XII Edição): Raquel Lopes e Pedro Ladeira (Folha de S.Paulo) – "Presídio e Morte".

2025 (XIII Edição): Judite Cypreste e Camila da Silva (G1) – Levantamento sobre candidatos procurados pela Justiça.

Um "livro-reportagem" tecnológico

A envergadura do projeto foi destacada por Fernanda Lara, CEO do I'Max e criadora do projeto Mais Pelo Jornalismo (MPJ). Em publicação recente, ela revelou que a densidade do conteúdo — repleto de fotos, vídeos e entrevistas — era tamanha que o projeto foi concebido tecnologicamente como o primeiro "livro-reportagem" do MPJ. 

Segundo Fernanda, a estrutura de capítulos e cores foi pensada para respeitar o ritmo do leitor diante de uma "leitura que não é fácil", mas necessária para que a maior catástrofe ambiental do Brasil não caia no esquecimento.

Estar entre os finalistas do XIV Prêmio República reafirma o compromisso da Agência Primaz com a excelência jornalística, demonstrando que a proximidade com o território e o compromisso com a verdade são ferramentas poderosas na defesa da justiça e da dignidade humana. 

A indicação da Agência Primaz como finalista do XIV Prêmio República gerou uma onda de orgulho e reconhecimento imediato em solo marianense, mobilizando desde a classe política e concorrentes locais.

Reconhecimento legislativo

Na Câmara Municipal de Mariana. Durante a 14ª Reunião Ordinária, realizada nesta segunda-feira (4), o vereador Marcelo Macêdo fez questão de interromper o expediente para parabenizar a Agência Primaz publicamente.

Em seu discurso, o vereador sublinhou o peso da conquista ao lembrar que, nos últimos três anos, os vencedores da categoria foram gigantes como G1, Folha de S.Paulo e Metrópoles. "Parabéns à Agência Primaz por ter sido escolhida para estar sendo agraciada como finalista", celebrou o parlamentar.
 

União da imprensa local: Concorrentes na torcida

Um dos pontos mais marcantes da repercussão foi a postura generosa de veículos concorrentes de Mariana, que deixaram a disputa comercial de lado para exaltar o jornalismo da região:

  • Jornal Panfletu's: No programa JP Notícias desta terça (5), o jornalista Cassiano Aguilar deu destaque à seleção da Agência Primaz, reforçando a importância do trabalho para a comunidade.
     
  • Ponto Final: O comunicador Rômulo Passos, na edição de terça (5) do programa 2 Minutos com Ponto Final, parabenizou nominalmente os autores Joyce Campolina, Larissa Antunes e Lui Pereira. Rômulo afirmou que a cidade inteira está na torcida: "Esperamos e estamos torcendo para que a Agência Primaz venha com este belo prêmio representando a cidade de Mariana", celebrou.

Este cenário de apoio reforça que, para a Agência Primaz, o selo de finalista já representa uma vitória histórica. Estar nesta final reafirma que a proximidade com o território e o compromisso com a verdade são as ferramentas mais poderosas para garantir que as vozes das comunidades atingidas sejam ouvidas em todo o país. 

O veredito final será anunciado no dia 17 de junho, em Brasília, mas para Mariana, o jornalismo de proximidade já provou sua força nacional.

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