Ao som de músicas pop, da batucada do projeto CRIA e carregando cartazes com dizeres que atravessam a luta, como "Ninguém vai poder querer nos dizer como amar", "Existimos e resistimos" e a célebre citação imortalizada por Conceição Evaristo em Olhos d'Água "Tentaram nos matar, mas combinamos de não morrer", dezenas de pessoas ocuparam as ruas de Mariana na manhã desta quarta-feira (15) durante a Caminhada com Orgulho. Mais do que uma celebração da diversidade, o ato buscou reafirmar o direito à existência da população LGBTQIAPN+ e ampliar o diálogo entre a comunidade e o poder público.

Promovida pelo Centro de Referência em Direitos Humanos (CRDH), da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e Cidadania, em parceria com o Conselho Municipal LGBTQIAPN+, o coletivo Mães da Resistência, o programa Mariana Delas e outras instituições, a caminhada começou no Terminal Turístico com um aquecimento coreografado pela dançarina Dryka Moraes, que fez todo mundo sair do chão e seguir gargalhando até o Jardim de Mariana, onde os participantes realizaram uma roda de conversa sobre direitos, acolhimento e políticas públicas.


Para o presidente do Conselho Municipal LGBTQIAPN+, Edgar Barros, ocupar as ruas representa romper com uma história de invisibilidade vivida pela comunidade. "Durante muito tempo a população LGBTQIA+ foi colocada para fora da cena pública, foi constituída como sujeitos obscenos, que não deveriam existir à luz do dia e a gente tá aqui pra mostrar que existimos e vamos seguir resistindo"

Segundo ele, caminhar pelo centro da cidade é também afirmar que pessoas LGBTQIA+ fazem parte da história e do cotidiano de Mariana.
A percepção é compartilhada por Eloá, mulher trans, participante e militante da caminhada, que considera a mobilização um marco para a sua própria história e para a história de Mariana. "Ficamos apagadas durante muitos anos e agora a gente está tendo um momento nosso. É um momento histórico para toda a nossa comunidade."

O papel do Jardim
Ao chegar ao Jardim, os participantes se reuniram em uma roda de conversa para aproximar a população dos órgãos municipais. Durante o encontro, foram distribuídos formulários para que moradores registrassem dúvidas, denúncias, críticas e sugestões, que serão encaminhadas ao Conselho Municipal LGBTQIAPN+ como forma de ampliar a participação popular na construção de políticas públicas.
A integrante do conselho Liana Paula ressaltou que a luta vai além da visibilidade e envolve o acesso efetivo a direitos.
"Nossos corpos dissidentes, na grande maioria das vezes, são excluídos, silenciados e invisibilizados. Que a gente possa ter acesso a todos os espaços, garantir nossa permanência e, principalmente, a equidade."

Durante o encontro, também foi feito um convite para uma manifestação marcada para 25 de julho, na Praça Tiradentes, em Ouro Preto. O ato foi organizado após o cancelamento da 8ª Parada LGBT do município por falta de orçamento e pretende reunir a comunidade sob o lema "Nenhum direito a menos"
Ao encerrar a caminhada, Edgar resumiu o significado do encontro citando uma frase que se tornou um dos principais símbolos da resistência LGBTQIA+ no Brasil: "Tentaram nos matar, mas nós combinamos de não morrer." E ao som de Flutua do Jhonny Hooker, a caminhada acabou à espera do resultado contínuo da luta de poder amar, ser e viver livremente

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