Mariana (MG), 20 de julho de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
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Comerciantes do Jardim articulam evento para fortalecer comércio local

Em reunião na ACIAM, empresários criticam presença de ambulantes externos em eventos, cobram maior apoio ao comércio local e planejam projeto piloto para os dias 25 e 26 de julho

Uma foto em plano médio mostra um grupo de cerca de nove empresários reunidas na sala da ACIAM Mariana, sentadas em cadeiras dispostas em um semicírculo. Em primeiro plano, de costas para a câmera, destaca-se um homem de óculos e jaqueta verde-escura. Ao redor dele, os demais participantes — homens e mulheres de aparências diversas — estão sentados conversando. A maioria veste roupas casuais, como calças jeans, jaquetas e bonés. A sala tem paredes claras, piso frio e uma porta aberta ao fundo que dá para outro ambiente. Do lado direito, há um banner vertical amarelo com o logotipo ACIAN parcialmente visível. A iluminação vem de uma luminária embutida no teto.

A proposta do movimento é unir empresários, ACIAM/CDL Mariana e Prefeitura para promover iniciativas que estimulem a ocupação do espaço, fortalecendo a economia local e proporcionando mais lazer, convivência e experiências para a população - Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz

Empresários da região do Jardim se reuniram na manhã desta quarta-feira (8), na sede da Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Mariana (ACIAM), para discutir alternativas de fortalecimento do comércio local. 

O encontro foi marcado por críticas à organização dos eventos realizados na cidade, especialmente à participação de vendedores ambulantes de fora de Mariana, e terminou com a definição de uma proposta de evento piloto voltado para o público familiar, previsto para os dias 25 e 26 de julho.

Ao longo da reunião, comerciantes relataram que grandes eventos promovidos na cidade nem sempre geram retorno financeiro para os estabelecimentos fixos. Segundo eles, a presença de choperias e vendedores externos em áreas estratégicas acaba reduzindo o faturamento de quem mantém o comércio funcionando durante todo o ano.

"Você paga o alvará o ano inteiro, não vende bosta nenhuma de segunda a sexta... aí quando tem um evento, a época de você ganhar dinheiro, traz gente de fora", reclamou o empresário Luciano Lage

Luciano Lage (Garden Beer) e Carolina Soares Araújo (cafeteria Chantilly) presentes na reunião para discutir o retorno do turismo ao comércio local - Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz

Inaceitável a prefeitura ou o que quer que seja fazer um evento no Jardim e trazer choperia de fora para o local mais privilegiado

Luciano Lage, empresário


 

Durante o encontro, os comerciantes defenderam que a própria classe empresarial passe a organizar eventos independentes, reduzindo a dependência da administração municipal.

"Se depender do poder público não vai acontecer de imediato. Fazer um projeto nosso, bancado pelos empresários, sem intervenção política, nós conseguimos mostrar que é possível",defendeu Artur Moreira Malta, proprietário da Masterix.
 

Artur Moreira Malta, proprietário do Fábrica e produtor de eventos. - Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz

Evento piloto

Como encaminhamento da reunião, os empresários decidiram iniciar a organização de um evento piloto para o último fim de semana de julho. A ideia é transformar a Praça Gomes Freire (Jardim) em um espaço voltado para famílias, com atrações culturais, atividades infantis e maior integração entre os estabelecimentos da região.

Entre as propostas estão a criação de um Espaço Kids com brinquedos e recreação, apresentações de artistas locais, música ao vivo de menor impacto sonoro e o uso permanente do Coreto como palco cultural.

"Eu acho que tudo volta para a criança. É um público que dissemina demais, porque você não pega só o cara, você pega a família que vai tomar café, almoçar e tomar sorvete", destacou Helielcio Vieira, executivo da ACIAM e CDL Mariana

Helielcio Vieira, executivo da ACIAM e CDL Mariana foi o mediador da reunião dos comerciantes do Jardim de Mariana - Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz

A programação prevista prioriza apresentações de voz e violão, chorinho e música instrumental, além de horários reduzidos para minimizar impactos aos moradores da região. A intenção é que as atividades sejam encerradas às 19 horas.

Segundo os comerciantes, o objetivo é criar uma agenda permanente de eventos para incentivar a população a frequentar regularmente o Jardim. "A primeira coisa é que tem que acontecer com frequência, para que as pessoas se acostumem", afirmou um dos empresários presentes
 

Revitalização da Rua Direita

Além do evento piloto, os empresários discutiram medidas para tornar a região mais atrativa ao público. Entre elas estão o fechamento temporário da Rua Direita durante eventos, melhorias na comunicação com a população e, em um horizonte mais longo, a ampliação das calçadas da via.

Os participantes ressaltaram que o fechamento das ruas só terá resultado se houver divulgação antecipada. "Não adianta nada fechar a rua e a população não saber que vai ter um evento. Se a população não sabe, ela não vai chegar", defendeu Helielcio Vieira. 

Outra proposta debatida foi transformar o Coreto em um "palco vivo", com apresentações culturais frequentes utilizando artistas da própria cidade.
 

Relação com moradores

Os comerciantes também discutiram formas de reduzir os conflitos com moradores do entorno, que frequentemente reclamam do barulho durante os eventos.

Entre as medidas sugeridas estão a priorização de atrações acústicas, encerramento das atividades em horário mais cedo e diálogo prévio com a vizinhança. "O coreto é um palco vivo. Vamos colocar um chorinho no primeiro, que é um som que agride menos", afirmou o presidente da ACIAM.
 

Papel da ACIAM

Durante a reunião, os participantes defenderam que a ACIAM represente institucionalmente as reivindicações do setor junto ao poder público, especialmente em relação à presença de vendedores externos durante os eventos. "O papel fundamental da ACIAM é que não seja o CPF do empresário, mas uma associação, porque senão o cara te vê como um inimigo ou causador de problemas."

Também foi sugerido que a entidade solicite formalmente à Prefeitura medidas para restringir a instalação de ambulantes em áreas estratégicas durante grandes eventos, preservando o espaço para os estabelecimentos fixos do Jardim.

Ao final da reunião, o grupo decidiu dar continuidade ao planejamento do evento piloto, que servirá como teste para um modelo de programação cultural permanente voltado ao fortalecimento do comércio local. Caso a iniciativa tenha resultado positivo, a intenção é ampliar a parceria com o poder público para futuras edições.

 

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