Na edição desta semana da Entrevista Primaz, recebemos Klevilaini: atriz, diretora, roteirista, pesquisadora e produtora cultural. Em um bate-papo no estúdio da Agência Primaz, a artista compartilhou sua trajetória desde a infância, a transição para a vida universitária em Ouro Preto e a viabilização de seus projetos audiovisuais, que fazem do cinema um espaço para debater memória, ancestralidade e afeto.

O despertar para a arte e a multiplicidade
Klevilaini relatou que o contato com o universo artístico vem desde o berço, influenciada por sua mãe, que é crocheteira e desenhista, e por seu pai, que sempre incentivou a apreciação musical e a observação do espaço. A decisão de cursar Artes Cênicas (Licenciatura) foi encarada com muita felicidade e apoio pela família.
Ao comentar sobre o fato de atuar em múltiplas frentes (direção, roteiro e atuação), a artista revelou uma inspiração curiosa de sua infância.
É que eu fui uma criança que assistia Barbie e a Barbie ela é tudo, nela tem várias profissões. Então eu acho que no fundo eu quero ser tudo, sabe? Eu quero fazer tudo e ser tudo
A produção de "Cabeluda" e o fomento à cultura local
Um dos pontos centrais da conversa foi o lançamento do curta-metragem de ficção "Cabeluda". O roteiro, que começou a ser desenvolvido a partir de uma disciplina acadêmica sobre políticas públicas de acesso à cultura, saiu do papel graças à aprovação de recursos da Política Nacional Aldir Blanc.
A artista mobilizou uma equipe de 56 pessoas e fez questão de priorizar a contratação de profissionais da comunidade de Ouro Preto. Segundo ela, essa foi uma forma de fazer o dinheiro circular na economia local e de retribuir o acolhimento emocional e o suporte que recebeu da cidade ao longo de seus desafios universitários.
O curta traz a protagonista Faiola e aborda vivências coletivas de mulheres negras. Além disso, Klevilaini destacou a importância de desconstruir estereótipos através da personagem Dona Elisa (mãe de Faiola), retratada no filme como uma mulher doce e amável, distanciando-se do arquétipo frequentemente reforçado na mídia da "mulher negra raivosa".

Identidade, ancestralidade e "Fios que tocam o céu"
O documentário "Fios que tocam o céu" também foi tema de destaque. A obra surgiu a partir de um convite para que a artista apresentasse uma exposição na Conferência da Associação de Estudos Africanos (ASA) em Cabo Verde. Para ilustrar a relação das pessoas negras brasileiras com seus cabelos crespos, Klevilaini gravou relatos de familiares e amigos usando o próprio celular, transformando a iniciativa em um objeto de pesquisa do seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).
Klevilaini descreveu a viagem a Cabo Verde como uma "virada de chave", um momento em que pôde se sentir verdadeiramente em casa e onde sua existência não foi questionada. Essa vivência fortaleceu sua visão sobre ancestralidade, tema presente em todas as suas obras.
Eu acredito muito que os nossos ancestrais eles veem os sonhos deles se cumprindo a partir dos nossos sonhos ... É muito bom ser um corpo que tá realizando sonhos de outros corpos que sonharam e não puderam realizar no contexto que eles estavam
Ao final do programa, Klevilaini deixou uma mensagem de encorajamento para o público:
Não tenham dúvidas de existir nesse mundo da maneira que vocês são. Acredito muito na liberdade... seja com o seu cabelo crespo, seja com seu cabelo liso ou com penteado, trançado, seja quem você é da maneira que você quer ser
O público pode acompanhar as novidades e os trabalhos da artista pelo seu canal no YouTube e através das páginas oficiais no Instagram: @k.muvuka e @klevilaini.
A íntegra da Entrevista Primaz com Klevilaini já está disponível abaixo no YouTube, no Spotify e em todas as demais plataformas de podcast.


