Mariana (MG), 19 de julho de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
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Exclusivo: Indiciado na Operação Rejeito é sócio de outras duas mineradoras no Botafogo

Pablo César de Souza, o “Pablito”, assumiu diretoria de empresa no dia da deflagração da PF e detém processos de licenciamento para explorar ferro em área vizinha à da Patrimônio e HG Mineração

Ponto de Vista: Uma vista panorâmica em altitude de uma região montanhosa e vasta.

Composição: O primeiro plano é dominado por uma densa e exuberante floresta verde-escura que cobre as colinas ondulantes. No centro da cena, uma grande e imponente montanha exibe terra vermelha exposta e cicatrizes de mineração com terraplenagem em camadas, em contraste evidente com a vegetação circundante. Uma rodovia de asfalto sinuosa serpenteia pelo vale abaixo, passando por pequenas comunidades residenciais e terras cultivadas. Ao fundo, uma vasta cordilheira de montanhas mais distantes e azuladas se estende até o horizonte sob um céu claro e azul com algumas nuvens brancas.

Características: A imagem capta a relação complexa entre a natureza intacta e as intervenções humanas. A estrada sinuosa e as habitações mostram a presença da civilização em um ambiente natural imenso. As cicatrizes de mineração na montanha central servem como um ponto focal dramático, destacando a exploração de recursos naturais. As diferentes nuances de verde na floresta e os tons terrosos na área de mineração criam um contraste visual marcante.

Espero que esta descrição atenda ao seu pedido! Se tiver mais alguma dúvida ou precisar de algo mais, estou à disposição.

Pablito é sócio em quadro projetos minerários em fase de pesquisa no distrito de Botafogo - Foto: Líria B. Barros

A investigação federal sobre a Operação Rejeito e a Operação Parcours, que desmantelou uma organização criminosa (ORCRIM) infiltrada no licenciamento ambiental de Minas Gerais, revela que os tentáculos do esquema na Serra do Botafogo, em Ouro Preto, são mais profundos do que se imaginava.

Um dos nomes centrais do grupo, Pablo César de Souza, conhecido como “Pablito”, indiciado pela Polícia Federal (PF), figura como sócio ou diretor de outras duas mineradoras que pretendem extrair minério de ferro e ouro exatamente na região onde a Patrimônio Mineração, também investigada na Operação Rejeito, soterrou uma caverna em março de 2025.

O indiciado e as novas minas em Botafogo

Pablito foi indiciado no relatório final da PF e é acusado de integrar o núcleo de articulação da ORCRIM, atuando na superação de entraves ambientais para projetos como o da Patrimônio Mineração e da HG Mineração (Projeto Moreira).

No entanto, dados extraídos do portal da Agência Nacional de Mineração (ANM) mostram que a influência de Pablito na região de Botafogo vai além dos projetos já suspensos pela Justiça Federal.

Meses antes da deflagração da Operação Rejeito, a Mineradora Patrimônio conseguiu extrair minério de ferro da região do Botafogo, o que gerou problemas relacionados a poeira, barulho e alta turbidez do Córrego do Funil que corta o distrito - Foto: Lui Pereira/Arquivo Agência Primaz

Atualmente, Pablito possui vínculos diretos com cinco processos minerários ativos voltados para a extração de ferro e ouro, em Ouro Preto e Belo Vale. Por meio das empresas Certa Participações e Intermediações Ltda e Admitec Serviços S.A., o indiciado controla áreas que cercam o distrito de Botafogo, levantando o alerta da comunidade local, que já denunciou a ameaça de sete empreendimentos minerários simultâneos na região.

Diferente dos projetos Patrimônio e HG, que já estavam em fase de extração ou licenciamento avançado, os projetos da Admitec e da Certa representam uma nova frente de expansão, com poligonais que somam mais de 230 hectares em áreas sensíveis.

Certa Participações e Intermediações Ltda

Pablito ingressou como sócio desta empresa em 21 de fevereiro de 2024. A Certa controla dois processos de grande impacto em Ouro Preto. O processo 831.793/2024 é o maior deles, prevê uma área de extração de minério de ferro de 133,47 hectares e obteve a  autorização de pesquisa, outorgada em novembro de 2024.

Já o processo 832.417/2007, trata-se de uma mineração que prevê a extração de ferro e ouro em uma área de 15,1 hectares. Também se encontra na fase de pesquisa, com outorga também emitida em novembro de 2024.

Admitec Serviços S.A.

A Admitec mantém dois processos ativos na região. O processo 832.010/2024 prevê a extração de minério de ferro em uma área de 41,67 hectares e teve seu alvará de pesquisa outorgado em março de 2025.

O processo 832.011/2024 que também prevê a extração de minério de ferro, tem uma área de 46,56 hectares e teve o alvará de pesquisa publicado em setembro de 2025, pouco depois da deflagração da Operação Rejeito.

Diferente da Mina Rica Mineração (também de Pablito, em Belo Vale), que já possui Guia de Utilização autorizada para 300.000 toneladas/ano, os processos de Ouro Preto ainda estão na fase de Autorização de Pesquisa.

A estratégia descrita pela PF, de fragmentação dessas áreas sob diferentes CNPJs (Certa, Admitec, HG, etc.) é apontada como a tática padrão do grupo para evitar o Estudo de Impacto Cumulativo e facilitar o licenciamento por adesão e compromisso (LAC), o mesmo modelo usado na Mina Patrimônio.

O "timing" suspeito da Admitec

Um dos pontos que mais chamou a atenção dos investigadores da PF foi a movimentação societária de Pablito no auge da repressão policial. Pablo César de Souza assumiu formalmente o cargo de Diretor da Admitec Serviços S.A. no dia 17 de setembro de 2025.

A data coincide exatamente com a deflagração da Operação Rejeito. Para a Polícia Federal, esse tipo de manobra faz parte de uma estratégia de "repaginação societária" e "blindagem patrimonial".

O relatório da PF detalha que a ORCRIM costumava criar ou transferir ativos para novos CNPJs para "limpar" o fluxo financeiro e ocultar os reais controladores — Alan Cavalcante, João Alberto Paixão Lages e Helder Freitas — diante do avanço das investigações.

Quem é Pablito, o “Calvo”

Pablito é ex-vereador de Belo Horizonte - Foto: Rodrigo de Oliveira/CMBH

A trajetória de Pablito é marcada por um forte e estratégico trânsito político. Ex-vereador de Belo Horizonte, ele já era uma figura proeminente nos bastidores do setor mineral muito antes da Operação Rejeito.

Em 2017, sua indicação para a superintendência da ANM em Minas Gerais, durante o governo Temer, foi o estopim de uma crise institucional que provocou a renúncia coletiva de 21 servidores da agência, que protestavam contra a indicação política em um cargo técnico.

Além desse histórico, Pablito (identificado sob o codinome "Calvo" em planilhas de doações ilegais da Odebrecht), consolidou sua influência por meio de laços familiares e institucionais.

A engrenagem de contatos e o monitoramento de pautas

Essa rede de relações, que unia o Legislativo Federal aos órgãos reguladores, teria funcionado como o "serviço de inteligência" do grupo. Segundo a Polícia Federal, essa influência era utilizada para monitorar publicações oficiais, projetos de lei e pautas ambientais, permitindo que a ORCRIM se antecipasse a decisões e neutralizasse medidas contrárias aos seus projetos, especialmente em áreas de altíssima sensibilidade como a Estação Ecológica do Tripuí e a Serra do Curral.

O relatório final aponta que Pablito não era um sócio passivo. Ele exercia um "papel ativo em contratos de arrendamento e cessão de direitos minerários", funcionando como uma ponte entre o núcleo privado e a cúpula do Estado. Sua função era garantir a continuidade do esquema, utilizando seu prestígio para abrir portas que, para o cidadão comum, estariam lacradas.

Pressão direta no primeiro escalão

A prova mais contundente desse trânsito livre aparece nos áudios interceptados pela PF e pela Polícia Civil. O líder da ORCRIM, João Alberto Paixão Lages, chega a mencionar explicitamente que Pablito intercedia diante da cúpula da Secretaria de Meio Ambiente (SEMAD) para destravar processos travados por exigências técnicas.

Em uma das mensagens interceptadas, ainda em 2024, João Alberto pressiona a então secretária de Meio Ambiente, Marília Carvalho de Melo, afirmando: “Você viu a mensagem, depois o Pablito falou com você, você não respondeu. Então, minha amiga, bora lá pra guerra”. Esse diálogo expõe que Pablito era o trunfo utilizado quando a "cordialidade" não era suficiente para garantir as licenças de interesse da ORCRIM.

Botafogo

Para os moradores de Botafogo, a revelação de que um dos indiciados por corrupção no licenciamento da Mina Patrimônio opera outros quatro processos na vizinhança é recebida com desconfiança.

Todos os quatro processos minerários se encontram sobre a APE (Área de Proteção Especial) Ouro Preto/Mariana, uma área protegida instituída pelo Decreto Estadual nº 21.224/1981. 

A área é classificada como de Uso Sustentável, ou seja, são áreas que até permitem a exploração de recursos naturais, porém deveriam garantir a perenidade dos recursos ambientais renováveis e dos processos ecológicos, além de conciliar a conservação da natureza com a presença humana e o uso econômico sustentável.

Entretanto, tal localização não garante qualquer tranquilidade para a comunidade, já que diversos outros empreendimentos minerários ocorrem sobre essa mesma APE, incluindo a Patrimônio Mineração e a HG.

A tática de fragmentar os pedidos de licença em processos menores e empresas diferentes, como ocorre agora com a Certa e a Admitec, tem o mesmo modus operandi que outras mineradoras da mesma organização criminosa, o que pode facilitar o licenciamento por uma Licença Ambiental por Adesão e Compromisso (LAC).

Nela, as três etapas tradicionais do licenciamento — Licença Prévia (LP), Licença de Instalação (LI) e Licença de Operação (LO) — ocorrem de forma simultânea e simplificada, facilitando a instalação dessas “mini minas”, o que faz aumentar ainda mais a desconfiança da comunidade.

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