Mariana (MG), 13 de agosto de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
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FLIP 2026 recebe autora marianense e livro sobre luto pós Brumadinho

A marianense Dreisse Drielle, lança “Ritmos Invisíveis” e Helena Taliberti lança livro-relato sobre a perda de seus dois filhos e cunhada no rompimento da barragem de Brumadinho, na Festa Literária Internacional de Paraty 2026

#ParaTodosVerem: Montagem com duas fotos verticais lado a lado, mostrando duas mulheres em momentos distintos.

Na imagem da esquerda: Uma mulher negra de perfil, com cabelos crespos volumosos e escuros, olha para baixo concentrada, parecendo assinar ou escrever em algo. Ela veste uma blusa branca com manga bufante. No braço esquerdo, que está flexionado, há tatuagens (incluindo o desenho de um coelho) e pulseiras douradas. No pulso, ela usa uma pulseira de corrente dourada e, no dedo, um anel com pedra clara.

Na imagem da direita: Uma mulher madura, de pele clara e cabelos curtos, cacheados e grisalhos, fala ao microfone. Ela usa óculos de grau marcantes, com armação gatinho nas cores laranja e branco, e brincos de argola dourados. Veste uma blusa escura sob um cachecol ou xale de tom laranja vibrante com franjas. Com a mão direita, que exibe um anel com uma grande pedra preta, ela segura o microfone próximo à boca.

As autoras estarão presentes na FLIP 2026, cada uma com suas histórias que honram suas raízes e reverberam no presente. - Fotos: Joyce Campolina/Agência Primaz e Jozzuu/Divulgação

Durante os dias 22 a 26 de julho acontece a 24ª Festa Literária Internacional de Paraty. A FLIP, que se define como o “encontro da literatura com a cidade”, conta com 44 Casas parceiras com programação independente, gerando oportunidades para autores com sessões de autógrafos e público interessado.

Esse ano a Casa Gueto lança também o livro da marianense Dreisse Drielle, “Ritmos Invisíveis” e a Casa Ofícios lança o livro “Tentam nos enterrar, não sabem que somos sementes” de Helena Taliberti sobre luto e memória.

O romance do rap

Dreisse mora no Rio de Janeiro, mas não esquece de suas raízes e está feliz em poder representar Mariana na FLIP 2026. - Foto: Divulgação

“Ritmos Invisíveis”, da editora Pádua, independente e três vezes vencedora do prêmio Jabuti, será lançado no dia 24 de julho. Dreisse compõe a roda de conversa: “Toda história começa com uma pergunta” e realiza uma sessão de autógrafos na Casa Gueto.

O livro conta uma história contemporânea sobre cancelamento virtual, encontros e relações humanas modernas. A história começa em uma batalha de rimas e explora o que molda a forma como cada pessoa atravessa o mundo, através de uma protagonista feminina e sua carreira profissional como produtora do local.

Para a jornalista, formada pela Universidade Federal de Ouro Preto, sair do interior de Minas e conquistar uma posição em um festival tão renomado é uma conquista como escritora. 

“Estar na FLIP é viver um sonho que parecia distante. Como escritora independente e mineira, ocupar esse espaço ao lado de tantos autores que admiro é uma conquista que carrego com muito orgulho. É também uma alegria poder representar Mariana em um dos maiores festivais literários do Brasil.”

Dreisse Drielle

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“Não sabem que somos sementes”

“Essa luta me mantém viva”, afirmou Helena em entrevista para a revista Veja em 2024. - Foto: Acervo pessoal de Helena Taliberti/Divulgação

Já o livro de Helena Taliberti, ex-funcionária pública, “Tentam nos enterrar, não sabem que somos sementes” será lançado na Casa Ofício, em 25 de julho.  No relato, a autora e mãe registra sua trajetória de amor pelos filhos, a dor de perdê-los no rompimento da barragem e a ressignificação em transformar o luto em luta por justiça.

A família é natural de São Paulo e estava visitando Inhotim quando a pousada foi levada pela lama. Após a tragédia-crime, Helena criou o Instituto Camila e Luiz Taliberti que leva o nome de seus únicos filhos e pede justiça por Brumadinho.

“O perder e o amar são faces da mesma moeda, e é nesse lugar que está a mais profunda experiência humana. No luto, são pêndulos e a prova mais real de que algo imenso, pleno e lindo existiu. Se dói com essa intensidade, é porque o que houve antes foi uma luz capaz de cegar o mundo. A dor é o eco de um amor que não encontrou mais o seu destino físico, mas que se recusa a silenciar”

Helena em trecho do livro.

O livro conta com 3 prefácios, no primeiro, a jornalista Cristina Serra, traz o próprio olhar de quem acompanha Helena desde o desastre. O segundo é escrito pela também jornalista e com trabalhos já voltados à luta ambiental pós-rompimento da barragem de Brumadinho, Daniela Arbex. O terceiro é assinado por Maria Helena Pereira Franco, que propõe reflexões sobre o processo de luto da autora, que acompanhou e acompanha.

O posfácio é escrito pelo marido de Helena, Vagner Diniz, que entrou na família quando Camila e Luiz ainda eram crianças e desde então exerceu a paternidade deles.

“Na perda há uma dor ácida que vem com a ruptura, com o vazio, com a falta de sentido, com os fragmentos em que a vida se torna, com o acordar todos os dias e redescobrir a perda. É um naufrágio diário, em que a primeira respiração da manhã traz de novo o peso da água barrenta aos pulmões. Mas, no amor, há uma paz doce e plena, como um farol que ilumina intensamente o caminho, revela a profundidade do vínculo e confere nitidez à presença deles na lembrança”

Helena em trecho da obra.

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FLIP 2026

Além do lançamento de livros, a FLIP conta com uma programação oficial com mesas de debates no Auditório Matriz abertas ao público mediante retirada de ingressos no site oficial. Porém, todas às mesas serão transmitidas ao vivo e de forma gratuita pelo Youtube da FLIP.

Já a programação educativa conta com mais de 40 atividades gratuitas, como encontros literários, oficinas, apresentações artísticas, cinema e contação de histórias. Essa atividade não necessita retirada de ingressos.

Acesse o site oficial da FLIP para mais informações.

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