Mariana (MG), 13 de outubro de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
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Justiça suspende cobrança da TBO em Mariana após ação de vereador

Decisão liminar assinada pela juíza Fernanda Mascarenhas classifica conduta do SAAE como ofensa à moralidade e proíbe cortes de água por débitos de 2019 a 2021

A foto mostra um hidrômetro com a tampa preta e um lacre azul onde se lê: SAAE.

O cidadão que pagou as tarifas referentes ao período de isenção, poderão recorrer para reaver valores pagos - Foto: Lui Pereira/Agência Primaz

Uma decisão judicial proferida em 17 de junho de 2026 e lida em plenário, durante a 21ª Reunião Ordinária da Câmara na segunda-feira (22), trouxe alívio aos contribuintes de Mariana. A juíza Fernanda Rodrigues Guimarães Andrade Mascarenhas concedeu uma tutela de urgência na Ação Popular nº 1001052-33.2026.8.13.0400, movida pelo vereador Marcelo Macedo contra o SAAE e seu diretor, Ronaldo Camelo da Silva. A liminar determina a suspensão imediata de qualquer cobrança, protesto ou negativação referente à Tarifa Básica Operacional (TBO) entre os anos de 2019 e 2021.

A controvérsia jurídica surgiu quando o SAAE, por meio da Instrução Normativa nº 01/2025, tentou retomar a cobrança de valores que haviam sido anistiados pela Lei Municipal nº 3.585/2022. Em seu despacho, a magistrada foi enfática ao afirmar que a conduta da autarquia "quebra a confiança legítima depositada no poder público e atenta contra a segurança jurídica", configurando uma "manifesta ofensa à moralidade administrativa" ao tentar sobrepor um ato interno a uma lei vigente.

Vitória da população

No plenário da Câmara, Marcelo Macedo celebrou o resultado da ação protocolada no dia 16 de junho: 

 

Para mim é uma decisão histórica, para mim a vitória disso aqui não é minha, é da população de Mariana. Quem ganhou foi a população de Mariana e que as leis da nossa cidade sejam respeitadas. Agradeço ao judiciário pelo entendimento e pelos argumentos colocados ali no nosso pedido

Marcelo Macedo, vereador


 

Em março, durante a 8ª Reunião Ordinária da Câmara, vereadores acusaram a autarquia de apropriação indébita, por cobrar período isento por lei durante a pandemia. Na ocasião, o vereador Marcelo Macedo foi firme ao defender que “O Poder Executivo não tem o direito de ignorar a isenção tributária ali estabelecida. Eu não concordo com essa cobrança, ela é injusta e penaliza o cidadão que já sofreu com os impactos da pandemia”.

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Multas e punições

A decisão judicial estabelece uma multa de R$ 5 mil por cada descumprimento, com teto limitado a R$100 mil. Além disso, a juíza proibiu expressamente a interrupção do fornecimento de água com base nesses débitos específicos, sob pena de apuração por crime de desobediência. O Ministério Público também foi intimado para intervir no feito e acompanhar a tramitação do processo.

Apoio no Legislativo

A medida encontrou forte respaldo entre os pares. O vereador Fernando Sampaio destacou que a TBO, por ser uma taxa e não um serviço, permite a isenção sem ferir a renúncia de receita, conforme orientações técnicas da época. “Lei tem que se cumprir”, defendeu.

Já o vereador Ronaldo Bento, autor da lei original de anistia, lembrou que o papel do Legislativo foi cumprido ao derrubar o veto do Executivo em 2022: "O nosso papel enquanto Legislativo foi feito... Quando não existe convergência, a gente tem o poder Judiciário para que de fato possa pairar e estabelecer a ordem", destacou o parlamentar.

O líder de governo, Manoel Douglas (Preto do Cabanas), também se posicionou favorável ao cumprimento da lei votada por unanimidade: "Sou a favor de a população ser isenta daquele período que a lei foi votada".

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Marcelo Macedo ainda ponderou que a justiça precisa ser acionada em favor da população marianense quando o legislativo seja insuficiente para resolver conflitos: “Eu nunca vi na minha vida que uma instrução normativa é superior a uma lei votada por essa casa”, disse.

Com a liminar, os cidadãos que já efetuaram pagamentos indevidos poderão pleitear o ressarcimento dos valores junto à autarquia.

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