Mariana (MG), 21 de maio de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
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Servidores cobram o destravamento do quinquênio da prefeitura

Educadores pressionam por pagamento e reunião com prefeito é marcada após cobrança na Câmara

mulher nervosa em reuniao da Câmara municipal de Mariana Minas Gerais

“A gente luta, trabalha todos os dias pelos nossos direitos e, quando a gente tem, a gente tem que vir aqui para mendigar conversa. E a gente veio pedir o apoio de vocês”, afirmou a servidora Sara Quirino. - Foto: Reprodução/Câmara de Mariana

A cobrança dos servidores públicos de Mariana por valorização salarial ganhou novo patamar na última segunda-feira (4). No centro do embate está o pagamento do quinquênio, adicional por tempo de serviço que, segundo professores da rede municipal, segue travado pela prefeitura mesmo após respaldo legal para sua retomada. Diante da pressão, uma reunião com o prefeito teria sido marcada para esta terça (5).
 

Pressão na Tribuna e cobrança direta

A 14ª Reunião Ordinária da Câmara foi marcada por um momento de cobrança direta dos educadores ao Executivo. Representando a comissão de educadores, a professora Sara Quirino Almeida utilizou a Tribuna Livre para expor a situação e criticar a falta de respostas da administração municipal sobre o tema. 

“Mariana é selo de ouro [na educação] maravilhoso... e aí na hora de pagar o quinquênio pro funcionário não tem orçamento. Tem orçamento para tudo, gente”, criticou.

Sara contou ainda de outras tentativas de agenda com o prefeito Juliano Duarte que foram ignoradas. Os professores buscaram uma maior proximidade com o mandatário para discutir o assunto, ainda sem sucesso. 

“Eu tentei agenda e falei: ‘ Olha, cercar ele na rua, na porta da casa dele. eu não vou. Eu não tenho cara pra isso, eu acho que eu não preciso disso’…então estamos pedindo o apoio de vocês, para que volte para o nosso contracheque o nosso direito, que por lei, já deveria ter voltado para nós”, cobrou Sara.

A educadora criticou também a passividade governamental que segundo ela “já deveria estar agindo de alguma forma, fazendo um levantamento de quando vai fazer essa lei” e adjetiva a situação como ‘descaso”. 

O discurso foi além da cobrança técnica e expôs o desgaste da categoria. 
 

Estamos nos sentindo desrespeitados, jogados às traças, humilhados... é humilhação. A gente não está pedindo nada, é o nosso direito apenas

Sara Quirino, professora municipal

 

O entrave: lei federal e paralisação local

O quinquênio teve sua contagem suspensa durante a pandemia, com base na Lei Complementar 173/2020. No entanto, a Lei Complementar 226/2026 restabeleceu o direito, reabrindo a possibilidade de pagamento aos servidores. 

Segundo a comissão formada por educadores, o problema agora é local: um pedido protocolado em fevereiro, solicitando o levantamento dos servidores aptos a receber o benefício, não avançou dentro da prefeitura. A justificativa informal apresentada até o momento é a falta de orçamento. 

A crítica foi reforçada pelo professor de educação física e diretor de comunicação do Sind-UTE, Eduardo, que afirmou: “viver na expectativa é um negócio muito complicado”. Ele também apontou contradições na comunicação institucional do Executivo. “A prefeitura faz propaganda de tudo…então a gente quer a valorização de um direito que a gente tem”, disparou.
 

Vereadores entre apoio e limite institucional

No plenário, a reivindicação encontrou respaldo, mas também evidenciou os limites de atuação do legislativo. O vereador Marcelo Macedo adotou o tom mais duro e sugeriu medidas imediatas de pressão política. “Vamos trancar a pauta aqui nessa casa enquanto não resolve a situação dos professores”, declarou. Para ele, o principal problema é a ausência de um diálogo aberto entre o Executivo e a população. “O respeito começa quando tem diálogo”, advertiu. 

Já o vice-líder de governo, Fernando Sampaio, reconheceu a legitimidade da demanda, mas destacou que a decisão final é do Executivo. “A reivindicação é justa…mas quem decide isso é o prefeito”, afirmou. Durante a sessão, ele entrou em contato com o gestor municipal e anunciou a previsão de uma reunião com a categoria no dia seguinte.

A necessidade de cautela também foi levantada por Manuel Douglas, o Preto do Cabanas, que ressaltou o impacto orçamentário da medida. Na mesma linha, o vereador Ítalo Henrique, conhecido como Ítalo de Majelinha, defendeu que o debate seja conduzido de forma técnica, sem “politicagem”.

Intermediação política e promessa de reunião

A participação dos educadores na Tribuna Livre foi formalizada por requerimento ainda em abril e contou com articulação da Câmara. Ao final da sessão, ficou estabelecida a promessa de uma reunião com a comissão e o prefeito Juliano Duarte, marcada para esta terça. O encontro é visto como um teste para medir a disposição da prefeitura em avançar na pauta, mas até o momento não há informações sobre o resultado do encontro ou se ele aconteceu.
 

Próximos passos e risco de escalada

Nos bastidores, vereadores já discutem alternativas para garantir o pagamento do quinquênio via Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), de 2027. A estratégia busca contornar a inércia do Executivo e assegurar previsão orçamentária para o benefício. 

Enquanto isso, a categoria sinaliza que pode ampliar a mobilização caso o diálogo não resulte em avanços concretos.

A depender dos desdobramentos da reunião com o prefeito, a pauta do quinquênio, tende a se consolidar como um dos principais focos de tensão entre servidores e Executivo em Mariana. Em 2025, a tensão entre servidores e executivo foi o aumento, tido como modesto demais, o que serviu de gatilho para uma greve.

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