Mariana (MG), 21 de maio de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
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Decreto exclui áreas de mineração e deixa Serra do Botafogo vulnerável

Apesar de limitar atividades em 3 mil hectares, decreto de 17 de abril deixa de fora polígonos da Patrimônio Mineração e HG; moradores e pesquisadores da UFOP reforçam que apenas o tombamento da Serra e a gestão participativa podem garantir a segurança hídrica da região

Visão Geral: Uma fotografia aérea em ângulo levemente inclinado mostra um grupo de aproximadamente 60 pessoas realizando um protesto contra a mineração. Elas estão posicionadas ao longo de uma estrada de terra, em frente a um grande canteiro de obras ou área de extração.

O Grupo e as Faixas:

Ação: Os manifestantes estão em pé, lado a lado, segurando duas grandes faixas brancas com letras pretas garrafais.

Conteúdo das Faixas: * À esquerda, a faixa diz: "MINERAÇÃO".

À direita, a faixa diz: "AQUI NÃO".

Mais à direita, há uma faixa menor, parcialmente visível, onde se lê: "PELA BOTAFOGO PRESE...".

Manifestantes: O grupo é diversificado, composto por homens e mulheres de várias idades, vestindo roupas casuais (camisetas, calças jeans, bonés e chapéus). Alguns seguram cartazes menores e instrumentos musicais, como um tambor no canto inferior direito.

O Cenário:

Primeiro Plano: Uma estrada larga de terra batida de cor alaranjada ocupa a base da imagem.

Segundo Plano: Atrás dos manifestantes, há uma área gramada com mudas de árvores recém-plantadas e alguns sacos de terra. Um tapume metálico verde escuro percorre toda a extensão horizontal da foto, delimitando o terreno.

Fundo: Acima do tapume, observa-se um grande barranco de terra revolvida e encostas rochosas, sugerindo uma atividade de escavação ou construção de grande porte. No canto superior direito, nota-se parte de uma máquina de construção amarela (trator).

Cores e Iluminação: A cena ocorre durante o dia sob luz natural. Predominam os tons terrosos (marrom e laranja), o verde do tapume e da vegetação jovem, e o branco contrastante das faixas de protesto.

O decreto assinado pelo prefeito Ângelo Oswaldo no último dia 17 não protege as áreas de conflito minerário na região do Botafogo - Foto: Lui Pereira/Agência Primaz

A assinatura do Decreto nº 9.230, ocorrida em 17 de abril de 2026, que estabelece limitações administrativas para a criação de uma Unidade de Conservação em Ouro Preto, está longe de ser motivo de celebração. 

Apesar de o texto oficial mencionar a importância da recarga de aquíferos e da proteção de ecossistemas, o perímetro definido pela administração municipal é alvo de severas críticas por não incluir a área de Botafogo e os polígonos das mineradoras Patrimônio Mineração e HG Mineração, empresas centrais nas investigações de corrupção e crimes ambientais da Operação Rejeito.

“Não concordamos com o perímetro”

Para a Professora Adivane Costa, coordenadora da Cátedra UNESCO na UFOP, a iniciativa da prefeitura falha ao não garantir a participação popular efetiva e ao adotar um recorte territorial questionável. Segundo ela, a comunidade e a academia "não concordam com o perímetro" estabelecido, buscando agora uma mobilização mais ampla para corrigir essas lacunas.

Essa insatisfação foi reforçada durante o evento HidroGeoDia 2026, realizado na Capela de Santo Amaro. Benito, liderança comunitária local, afirmou de forma direta que o prefeito assinou o decreto "não considerando essa área aqui do Botafogo". A moradora Líria, embora reconheça vitórias parciais como o embargo atual das mineradoras pela justiça, enfatiza que a "luta continua" para que a preservação seja definitiva e independente dos interesses da mineração.

O polígono da proposta de Unidade de Conservação Municipal Serra de Ouro Preto deixa de fora o território do Botafogo

A exclusão é vista como uma ameaça direta à segurança hídrica, uma vez que as áreas de mineração da Patrimônio Mineração e HG Mineração sobrepõem-se a aquíferos vitais. Essas rochas de interesse minerário, como o itabirito, são as mesmas que compõem o aquífero que alimenta as bacias de Ouro Preto, Mariana e Belo Horizonte.
 

Os detalhes do Decreto nº 9.230

O decreto publicado pela Prefeitura de Ouro Preto dispõe sobre a aplicação de limitações administrativas provisórias em uma área de 3.020,08 hectares na Serra de Ouro Preto. Entre as principais medidas estão:

  • Suspensão de Licenças: Fica suspensa a emissão de novas licenças ambientais e a instalação ou ampliação de atividades potencialmente degradadoras na área delimitada.
  • Finalidade: O objetivo declarado é a realização de estudos técnicos e consultas públicas para a futura criação de uma Unidade de Conservação de domínio público e gestão municipal.
  • Relevância: O documento reconhece que a serra atua como uma "caixa d'água invisível", fundamental para a segurança hídrica da região e de Belo Horizonte.

Entretanto, o dossiê técnico da Associação de Moradores e Amigos do Botafogo (AMAB) aponta que, enquanto o decreto protege certas áreas, o Novo Plano Diretor da cidade ainda mantém os polígonos da HG e da Patrimônio como zonas de "atividades minerais e industriais", o que é visto como uma contradição ética e uma ameaça à "esponja geológica" que alimenta as nascentes locais.

Além disso, ao deixar de fora as áreas de exploração mineral onde ocorreram crimes ambientais, como o soterramento de uma caverna em 2025, o decreto é visto como insuficiente para garantir a preservação integral do território.
 

Iniciativas para uma proteção real do território

Diante da insuficiência do decreto municipal, outras frentes de batalha tentam garantir a salvaguarda definitiva da Serra do Botafogo:

  1. Na ALMG: O deputado estadual Leleco Pimentel protocolou os Projetos de Lei 1116/2023, que declara a Serra do Botafogo como patrimônio hídrico e ambiental do estado, e o 1117/2023, focado no tombamento da histórica Capela de Santo Amaro.
  2. Iniciativa Popular: A AMAB lidera um projeto de lei de iniciativa popular para o tombamento da serra como patrimônio ambiental e cultural, necessitando de cerca de 4 mil assinaturas para levar a proposta à Câmara Municipal.

Para Líria, a luta continua apesar das vitórias parciais, como o embargo das mineradoras pela Operação Rejeito. Ela destaca que o objetivo é consolidar o ecoturismo e o turismo pedagógico como alternativas econômicas sustentáveis, independentes da mineração.

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