Na última sexta-feira (19), a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizou uma reunião da Comissão do Meio Ambiente, que integra o primeiro ciclo do programa “Assembleia Fiscaliza” de 2026. A assembleia aconteceu para prestar contas sobre as iniciativas do governo de Minas Gerais na área ambiental.
As reivindicações da assembleia giram em torno de apresentações de resultados do governo, valorização dos setores públicos, críticas e denúncias a casos de mineração e sobre o Super El Niño esperado para este ano. Em Ouro Preto, a Câmara realizou uma audiência para tratar do “Super El Niño" e, em Mariana ele foi discutido através do requerimento nº91/2026 na última reunião ordinária.
Críticas e apontamentos à mineração no território
Durante a reunião da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da ALMG, a deputada estadual, Bella Gonçalves (PT), comentou sobre a preocupação com estruturas de mineração em Congonhas e Ouro Preto após o desmoronamento dessas estruturas devido às chuvas, que, segundo a deputada, não chegaram a ser extremas, mas foram o suficiente para causar tal perturbação.
Nós temos o entendimento que hoje, as estruturas de mineração que nós temos não estão preparadas para os eventos extremos. É uma constante preocupação das pessoas o desabamento de estruturas diante dos eventos climáticos extremos. Se cai uma chuva, que nem caiu em Juiz de Fora, aqui no Quadrilátero Ferrífero e Aquífero, a gente pode ter um desastre de proporções inimagináveis.
Logo após o seu apontamento, Bella trouxe provocações para a assembleia sobre como o estado irá desempenhar o seu papel a respeito dos eventos climáticos extremos. A deputada também questionou a transparência da Secretaria de Meio Ambiente em relação à Operação Rejeito, que, recentemente, foi tratada como uma negociação por parte das mineradoras e da Secretaria.
Em sua fala, Bella destacou as atividades minerárias ilegais investigadas na Serra do Curral, em Belo Horizonte e, na Serra do Botafogo, em Ouro Preto.
Além da crítica e a discussão sobre os corruptores, que são as mineradoras e a necessidade da operação avançar. Ficou muito evidente que eles se beneficiaram de um arranjo próprio da Secretaria de Meio Ambiente e transformaram num balcão de negócios.:Bella Gonçalves, Deputada Estadual
Resposta da Secretaria de Meio Ambiente
Lyssandro Norton, secretário de Meio Ambiente (MG) respondeu a deputada que todos os esforços estão sendo mobilizados para lidar com os eventos extremos, tanto as chuvas, quanto o período de estiagem. Segundo ele, em relação às barragens, o processo de descaracterização está sendo “rigorosamente” acompanhado e, nesse processo, 29 já passaram pela descaracterização e 25 estão aguardando para serem descaracterizadas.
De acordo com o secretário, se ainda existem pontos que não foram resolvidos de forma rápida, eles não estão sob responsabilidade da secretaria, pois o estado já se organizou. Ainda, segundo Lyssandro, ele e o chefe da defesa civil realizaram uma conversa “muito dura” com os empreendedores da mineração que não estão atuando dentro da legalidade. “Nós não avisaremos novamente, haverá licenças de operação suspensas se os planos de ação emergencial não forem rigorosamente cumpridos”, comenta o secretário.
O secretário finaliza dizendo que agora é uma exigência às empresas mineradoras que elas apresentem um sistema de drenagem e comportamento pluviométrico, que antecipe a potencial atuação dos eventos climáticos extremos.
Apesar da esquiva do secretário estadual do meio ambiente e desenvolvimento sustentável, a secretaria ainda precisa responder à recomendação do Ministério Público Federal de anulação de licenças e suspensão de sete projetos minerários na região do Botafogo, em Ouro Preto.
El Ninõ em Mariana e Ouro Preto
Durante a sua fala, Bella Gonçalves demonstrou preocupação sobre o Super El Niño, fenômeno climático causado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Tropical, durante o seu aquecimento, padrões de clima são alterados em escala mundial. Quando o El Niño fica “Super”, quer dizer que sua intensidade aumentou de forma que ela ultrapasse mais 2ºC. O fenômeno chamado de “Super” ocorreu 4 vezes na história e, pode acontecer novamente esse ano.
No caso de Minas Gerais, o fenômeno geralmente vem acompanhado de ondas de calor intensas e muita seca, com possibilidades de chuvas muito intensas, o que pode aumentar o risco e a intensidade de queimadas e fenômenos geológicos, como deslizamentos de encostas.
Nós vamos enfrentar agora o fenômeno do Super El Niño, alguns estados do Brasil já decretaram emergência climática antecipada para se preparar. E nós ainda estamos rastejando com fracas medidas.AUTOR: Bella Gonçalves, Deputada Estadual
Em Ouro Preto (MG), no dia 22 de junho, foi realizada uma audiência pública para discutir os efeitos do El Niño no município. Segundo Welber Charles da Silva, capitão da defesa civil, a grande preocupação é com o aumento de temperatura que pode ocasionar em queimadas, sejam elas naturais ou não. Ele também chama a atenção para as chuvas extremas que, caso se intensifiquem, podem causar deslizamentos e enchentes. Em Ouro Preto, a defesa civil pede que a população se cadastre no serviço de alertas climáticos por SMS, o processo consiste em enviar uma mensagem para o número 40199 informando o CEP residencial.
Por fim, foi encaminhado a criação de um comitê de enfrentamento e a realização de um seminário prático, o foco será estudar soluções conjuntas entre os órgãos públicos e população.
Em Mariana, no dia 22 de junho, a câmara discutiu durante reunião ordinária através do requerimento nº 91/2026, nele, os vereadores Fernando Sampaio (PSDB) e Ítalo de Majelinha (PSB), estão cobrando uma posição do município sobre os impactos e planos de contingência para o enfrentamento do El Niño, como a limpeza dos córregos, bueiros e do sistemas de escoamento das chuvas. Por fim, o requerimento também comenta a respeito de levar a orientação correta sobre os riscos para a população marianense.


